INTRODUÇÃO
Desde o seu início, a Igreja enfrenta oposição e
perseguição. Por sua própria natureza, a fé cristã atrai sobre si a rejeição e
a perseguição. Isso porque a fé cristã
defende princípios exclusivos, e muitas vezes se choca com os valores seculares
e mundanos. Foi assim no primeiro século e é assim ainda hoje. Contudo,
devemos destacar que a
igreja não está sozinha nem abandonada no mundo. Deus é o seu dono e, portanto,
o seu protetor. Vemos ao longo da história da Igreja o Senhor agindo de
diferentes formas para dar livramento e vitória a seu povo. Assim, nesta lição, veremos como Deus
faz isso capacitando e empoderando o seu povo para viver no meio de um mundo
hostil.
Palavra-Chave: PERSEGUIÇÃO
Objetivos da Lição
Explicar os motivos e as esferas da perseguição
enfrentada pela Igreja Primitiva
Demonstrar como Deus protegeu sua Igreja através
de livramentos e da intercessão
Encorajar os alunos a permanecerem firmes na fé, mesmo diante das adversidades.
TEXTO ÁUREO
“Porém, respondendo Pedro e os
apóstolos, disseram: Mais
importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5.29).
NOTA:
3
lições práticas que podemos tirar do texto áureo:
1. Priorize a
vontade de Deus acima das pressões humanas
- Nem sempre o que é popular ou socialmente aceito
está alinhado com os princípios de Deus.
- Essa passagem nos ensina a não negociar valores
espirituais por conveniências ou medo de rejeição.
2. Tenha coragem para testemunhar
sua fé
- Pedro e os apóstolos estavam diante de autoridades
que poderiam puni-los, mas não se calaram.
- Isso nos inspira a defender o evangelho com
firmeza, mesmo quando somos criticados ou incompreendidos.
3. Discernimento entre autoridade
humana e divina é necessário
- A Bíblia nos ensina a respeitar autoridades, mas obedecer
a Deus é sempre o princípio maior.
- Quando leis ou ordens humanas entram em conflito com os mandamentos divinos, devemos escolher a fidelidade a Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos
5.25-32; 12.1-5.
Atos 5
25 — E, chegando um,
anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no
templo e ensinam ao povo.
26 — Então, foi o
capitão com os servidores e os trouxe, não com violência (porque temiam ser
apedrejados pelo povo).
27 — E, trazendo-os,
os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:
28 — Não vos
admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que
enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o sangue
desse homem.
29 — Porém,
respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que
aos homens.
30 — O Deus de
nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no
madeiro.
31 — Deus, com a sua
destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e
remissão dos pecados.
32 — E nós somos
testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu
àqueles que lhe obedecem.
Atos 12
1 — Por aquele mesmo
tempo, o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja para os maltratar;
2 — e matou à espada
Tiago, irmão de João.
3 — E, vendo que
isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os
dias dos asmos.
4 — E, havendo-o
prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados,
para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
5 — Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus.
I. A IGREJA PERSEGUIDA
1. Os perseguidores. Na Bíblia, vemos que
as autoridades religiosas da época dos apóstolos começaram a se opor à Igreja
(At 5.17,24). Atos 5
menciona três grupos: os sacerdotes, os saduceus e o capitão do templo. Os saduceus eram um grupo muito influente, com grande poder político
e religioso. Eles tinham o apoio dos sacerdotes e dos anciãos, e, dentro dessas
classes religiosas, eram os mais poderosos. Esse grupo já havia tentado
atrapalhar o ministério de Jesus várias vezes, criando dificuldades sempre que
podiam (Lc 20.27-40). Os anciãos eram líderes judaicos influentes,
representando tanto aspectos religiosos quanto políticos, mas sem exercer
funções sacerdotais no Templo. Já o capitão do Templo,
mencionado também em Atos 4.1, era um sacerdote de nível inferior, mas que
tinha autoridade policial dentro do Templo. Esses grupos, cada um com
sua influência, viram a Igreja como uma ameaça e fizeram de tudo para impedir a
pregação do Evangelho.
NOTA:
3 lições práticas que
podemos aplicar hoje:
1. A verdade incomoda quem está preso ao poder
- Os saduceus e sacerdotes se sentiram ameaçados
porque o Evangelho confrontava suas crenças e tirava deles o controle
sobre o povo.
- Lição prática: Quando você vive com
integridade e fé, isso pode incomodar quem se beneficia da injustiça ou da
religiosidade vazia.
- Aplicação: Não se cale diante da verdade,
mesmo que isso cause desconforto em ambientes religiosos ou políticos.
2. A perseguição é sinal de impacto espiritual
- Os apóstolos foram presos porque estavam fazendo
diferença. A Igreja estava crescendo, e isso gerava inveja e resistência.
- Lição prática: Se você está sendo criticado
ou excluído por viver sua fé, pode ser sinal de que está no caminho certo.
- Aplicação: Mantenha-se firme, sabendo que a
oposição muitas vezes confirma que Deus está agindo através de você.
3. Deus protege os que são fiéis
- Mesmo diante de autoridades poderosas, os apóstolos
foram libertos por um anjo e continuaram pregando com ousadia.
- Lição prática: A fidelidade a Deus atrai o
cuidado sobrenatural dEle, mesmo em situações de risco.
- Aplicação: Confie que Deus está no controle
e pode intervir de forma milagrosa quando você permanece fiel.
2. Esferas da perseguição. A perseguição
dos judeus aos cristãos se dava em duas esferas: a religiosa, por verem a mensagem de Cristo como ameaça; e política, os romanos procuravam aumentar o
capital político com os judeus.
a) Na esfera religiosa. Lucas registra
que os religiosos judeus prenderam os apóstolos (At 5.17,18). À medida
que os cristãos testemunhavam da sua fé com poder, ganhavam mais e mais
admiração popular (At 2.47). Muitos já haviam aceitado a fé (At 4.4). Esse
número continuava crescendo (At 5.14). A inveja, portanto, provocou a ira
desses líderes. Enquanto a Igreja crescia, o velho
judaísmo farisaico regredia.
As cinco esferas da perseguição aos
cristãos:
https://www.youtube.com/watch?v=Sh3xUU0Xh4o
Cristãos Perseguidos - Série
Missiologia:
https://www.youtube.com/watch?v=z_LdS-FsqXs
Os três maiores grupos de
perseguidores de cristãos no mundo: https://www.youtube.com/watch?v=8PVVF5PMgPE
Missões e a Igreja Perseguida -
Janela 10/40:
https://www.youtube.com/watch?v=ZtNt46n3Pj4
Janela 10/40 - o que é?
https://www.youtube.com/watch?v=I0VaakmbzRA
b) Na esfera política. Em Atos 12.1-5, vemos que a perseguição se dá
na esfera estatal e é de natureza mais política, na esfera pública. Ali, o rei Herodes, um dos
governantes que representava o império Romano na Judeia, mandou executar Tiago
e prender o apóstolo Pedro. Sabendo que Pedro era um líder de destaque
entre os apóstolos, queria com isso aumentar o seu capital político perante os
judeus que se opunham à Igreja (At 12.3).
Como morreram os
Apóstolos!?/PodCast
https://www.youtube.com/watch?v=HS4JTFyPLFw
3. A Igreja enfrentará oposição. A Igreja
sempre enfrentará opositores, de um jeito ou de outro. Isso acontece porque o Cristianismo Bíblico, por
sua natureza, acolhe a todos, mas também estabelece princípios para quem deseja
segui-lo. Por isso, muitas vezes, é visto
como antiquado, preconceituoso e indesejado. A perseguição pode mudar conforme o tempo e
o lugar, mas seu objetivo continua o mesmo: silenciar a voz da Igreja.
SINOPSE I
A igreja primitiva enfrentou
perseguição e oposição, tanto na esfera religiosa quanto na esfera política.
II. A IGREJA PROTEGIDA
1. Um anjo de Deus. Lucas destaca que em meio à perseguição, Deus provê livramento para os
apóstolos (At 5.19). A igreja não era apenas perseguida, mas também protegida! Aqui a igreja
contou com a presença de anjos, seres de natureza totalmente sobrenatural. Não
é incomum a presença de anjos no Livro de Atos. Eles estiveram presentes na libertação de Pedro da prisão
(At 12.7); com
Filipe em sua missão evangelística (At 8.26); em missão na casa do centurião
romano, Cornélio (At 10.3) e com o apóstolo Paulo em alto-mar (At 27.23,24). A Bíblia diz que
eles estão a serviço daqueles que vão herdar a salvação (Hb 1.14).
2. A intercessão da Igreja. Atos 12.5 diz que a Igreja
“fazia contínua oração” por Pedro. O mesmo
texto bíblico que mostra um anjo no cenário da libertação de Pedro também
revela a Igreja como um agente ativo nessa libertação. Não teria sentido
Lucas destacar o papel da Igreja intercedendo por Pedro se isso não tivesse
nenhuma relevância. É evidente que Deus é soberano e age como quer e quando
quer. A morte de Tiago, irmão de João, é mencionada
anteriormente e não temos uma explicação no texto bíblico do porquê Tiago não
foi libertado (At 12.2). Contudo, esse evento certamente causou um impacto na Igreja, levando-a
a orar ainda mais fervorosamente por Pedro. Deus respondeu à oração da
igreja e libertou Pedro.
3. O valor da oração. Essa passagem
bíblica, assim como muitas outras, mostra o grande valor da oração. Enquanto os cristãos oravam, o
lugar em que estavam tremeu (At 4.31); quando
Paulo orava, teve uma visão com Ananias de Damasco orando pela cura dele (At
9.11,12); enquanto
Cornélio orava, um anjo se apresentou a ele (At 10.3) e os apóstolos oravam para que os
cristãos fossem batizados no Espírito Santo (At 8.15). Não podemos
subestimar o poder da oração. A conhecida frase “muita oração, muito poder; pouca oração pouco poder”
ainda continua atual.
SINOPSE II
Mesmo em meio à perseguição,
Deus manifestou seu poder de proteção.
III. A IGREJA DESTEMIDA
1. Testemunho com poder. Tão logo foram libertos, os
apóstolos começaram a testemunhar de sua fé (At 5.25). De nenhuma forma
se sentiram intimidados. Estavam capacitados pelo poder do alto. Não é por acaso que o livro de Atos já foi denominado
por antigos escritores de os “Atos do Espírito Santo”. Vemos o Espírito
Santo operando por todo o livro, mesmo quando o seu nome não é mencionado. Ele é a fonte de poder da
Igreja. Sem o Espírito Santo a Igreja perde o seu testemunho e se torna
inoperante.
2. Convictos de sua fé. Lucas registra a
ousadia do testemunho de Pedro “Porém,
respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus
do que aos homens.” (At 5.29). Nesse texto temos uma clara defesa dos valores cristãos.
Ele mostra que a Igreja Primitiva não negociava sua fé, mesmo que isso lhe
custasse caro. Esta mesma referência também
é muitas vezes usada para justificar a desobediência cível por parte da igreja
em relação ao Estado, quando este age contrariamente aos princípios adotados ela.
Contudo, não se trata de
uma mera desobediência civil ou rebeldia, mas de uma defesa consciente daquilo
que a Igreja crê como parte da sua natureza e essência e que, de forma
alguma, pode ser negociado.
SINOPSE III
O Espírito Santo capacitou os
crentes a testemunharem com ousadia.
VERDADE PRÁTICA
Em relação à verdadeira Igreja
Cristã há duas verdades inegáveis: 1) a Igreja será perseguida; 2) Deus a
protegerá.
Aplicação: A coragem da Igreja primitiva nos inspira a permanecer firmes na fé, testemunhando de Cristo com ousadia.
CONCLUSÃO
Vimos como uma igreja capacitada
pelo Espírito enfrenta perseguições. O cristão, portanto, não deve se assustar
com elas. No contexto do
Cristianismo Bíblico essa é a regra, não a exceção. Ninguém gosta de ser
perseguido; contudo, as Escrituras nos previnem a respeito da realidade da
perseguição na jornada cristã (Jo 16.33). Isso não significa que o sofrimento deve ser um alvo a
ser alcançado, mas que devemos estar conscientes de que não podemos evitá-lo.
Portanto, o nosso foco deve estar em Deus, pois Ele é quem pode nos guardar e
capacitar no meio do sofrimento.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Quais eram os três
grupos que faziam oposição à Igreja?
Os três grupos que faziam oposição
à Igreja eram os sacerdotes, os saduceus e o capitão do templo.
2. Em quais esferas a
igreja sofria perseguição?
A igreja sofria perseguição em duas
esferas: a religiosa e a política.
3. O que não é incomum
no Livro de Atos?
A presença de anjos não é incomum
no Livro de Atos.
4. Cite três eventos
como resultado de oração conforme demonstrados na lição.
Três eventos como resultado de
oração demonstrados na lição são: os cristãos oravam e o lugar em que estavam
tremeu (At 4.31); Paulo teve uma visão com Ananias de Damasco orando pela cura
dele (At 9.11,12); enquanto Cornélio orava, um anjo se apresentou a ele (At
10.3).
5. O que Atos 5.29
mostra em relação à Primeira Igreja?
Atos 5.29 registra a ousadia do
testemunho de Pedro e uma clara defesa dos valores cristãos por parte da
primeira igreja.