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INTRODUÇÃO
Há séculos o racionalismo e o cientificismo procuram explicar a existência humana. Essas escolas acham que têm suficientes respostas para o homem em sua busca de compreensão da realidade. Mas, a razão e ciência não conseguem desvendar completamente nem os mistérios do corpo humano. Como resultado, o homem pós-moderno vive uma grande crise de identidade dando ouvidos a tanta especulação sobre a origem do homem. Somente pela fé, por meio das Escrituras Sagradas, temos respostas sobre nossa constituição e existência.
NOTA:
-
Racionalismo: Doutrina filosófica que
afirma que a razão é a principal fonte de conhecimento e verdade, acima da
experiência sensível.
- Cientificismo: Crença exagerada na ciência como único caminho válido para compreender a realidade, desconsiderando outras formas de saber.
OBJETIVOS DA LIÇÃO:
Conduzir os
alunos a reconhecerem que o corpo humano é uma criação maravilhosa de Deus,
formada com propósito, sabedoria e amor;
Conscientizar
os alunos sobre a importância de glorificar a Deus com o corpo, evitando
extremos como o desprezo do corpo e sua idolatria;
Incentivar os alunos a compreenderem o papel do corpo nas relações interpessoais, na vida congregacional e no culto a Deus.
PALAVRA-CHAVE: CORPO
TEXTO ÁUREO
“Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” (Sl 139.14).
NOTA: O Corpo Humano como Obra Maravilhosa
de Deus
Texto em Hebraico Transliterado (Salmos
139.14)
'Odeka
ki nora'ot nifla'iti, nifla'im
ma'aseyka, ve-nafshi yode'at me'od.'
- "modo
terrível" → נוראות (nora'ot)
- Vem da raiz נורא (nora),
que significa "terrível", "temível",
"impressionante", assombroso.
- Expressa algo que
causa admiração profunda, quase temor diante da grandeza.
- "tão
maravilhoso" → נִפְלֵיתִי (nifla'iti)
- Vem da raiz פָּלָא
(pala), que significa maravilhoso, milagroso, extraordinário.
- Literalmente: “fui maravilhado”
ou “fui feito de
forma miraculosa”.
- O verbo dá a ideia
de ser moldado de forma maravilhosa, não apenas criado, mas esculpido
com propósito.
Texto
em Grego da Septuaginta (LXX - Salmos 138.14)
(Na Septuaginta,
Salmos 139 é numerado como 138)
“Eu
te louvarei, porque de um
modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas
são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” (Sl 139.14).
'Exomologēsomai
soi hoti phoberōs
eplastēn kai thaumastōs;
thaumasta ta erga
sou, kai hē psychē mou ginōskei sphodra.'
- "modo
terrível" → φοβερῶς (phoberōs)
- De φόβος
(phobos), que significa temor, reverência, assombro.
- Aqui, usado no
sentido de algo que inspira respeito profundo pela grandeza divina.
- "tão
maravilhoso" → θαυμαστῶς (thaumastōs)
- De θαυμάζω
(thaumazō), que significa admirar, maravilhar-se.
- Indica que a
formação do ser humano é algo digno de admiração.
- "fui
formado" → ἐπλάσθην (eplastēn)
- Vem da raiz πλάσσω
(plassō), que significa moldar, formar, como um
oleiro molda o barro.
- Reforça a ideia de
criação intencional e artística.
NOTA FILOSÓFICA:
Platão usou o termo θαυμαστῶς (thaumastōs)
em diversos diálogos para expressar algo maravilhoso, admirável ou
extraordinário.
É o advérbio de θαυμαστός
(thaumastós), que
significa “digno de
admiração” ou “surpreendente”.
Em obras como República
(331a) e Leis
(633b), Platão emprega θαυμαστῶς
thaumastōs para qualificar ações, ideias ou comportamentos que
se destacam por sua excelência ou estranheza.
Por exemplo, “θαυμαστῶς
ὡς σφόδρα” thaumastōs hōs sphodra: extraordinariamente
intenso ou admiravelmente extremo,
mostra como algo foi feito.
Platão entendia que o espanto (θαῦμα - thaûma) é o ponto de partida para o
conhecimento — como ele sugere no Teeteto (155d), onde afirma que “o espanto é
o começo da filosofia”, ou seja, é o sentimento que nos leva a questionar,
investigar e buscar o conhecimento.
A palavra grega θαῦμα (thaûma)
significa: Espanto – Maravilha - Admirável fenômeno - Algo
Reflexão
Teológica
Essas palavras revelam que o corpo humano
não é apenas um produto biológico — é uma obra de arte divina, moldada pra
causar temor e maravilha. O hebraico enfatiza o milagre e o mistério; o
grego destaca o artesanato e a reverência.
Ambas as línguas convergem para afirmar: o
homem foi formado com propósito, beleza e glória.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Salmos 139.1-4,13-18.
1
— Senhor, tu me sondaste e me conheces.
2
— Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu
pensamento.
3
— Cercas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
4
— Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo
conheces.
13
— Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe.
14
— Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui
formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
15
— Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e
entretecido como nas profundezas da terra.
16
— Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas
estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem
ainda uma delas havia.
17
— E quão preciosos são para mim, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande
é a soma deles!
18 — Se os contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo, ainda estou contigo.
I. A MARAVILHOSA OBRA DE DEUS
1. Do pó da terra. Em sua sabedoria e infinito poder, Deus fez o corpo do homem (adam) do pó da terra (adamah) (Gn 2.7); uma estrutura magnífica composta, segundo estimativas, por cerca de 37 trilhões de células, tecidos, órgãos e sistemas, cujo funcionamento desafia a mais moderna ciência. Como o Criador, valendo-se de uma matéria-prima tão comum, fez uma obra tão extraordinária, complexa e completa? Esse mistério só pode ser entendido pela fé, como tudo mais que Deus criou no Universo (Hb 11.3; At 17.22-28; Rm 11.33-36).
NOTA: O corpo humano
Estrutura
e composição do corpo humano
- Ossos:
O corpo humano adulto possui cerca de 206 ossos, divididos entre o
esqueleto axial (80 ossos) e o esqueleto apendicular (126 ossos).
- Músculos: Existem mais de 650 músculos
esqueléticos, responsáveis por movimentos voluntários e postura.
- Tendões e ligamentos: Estimativas apontam cerca de 4.000
tendões e 900 ligamentos, que conectam músculos aos ossos e
estabilizam articulações.
- Órgãos:
O número de órgãos pode variar conforme a classificação, mas
geralmente se considera cerca de 80 órgãos, incluindo vitais e
acessórios.
- Articulações: O corpo possui aproximadamente 360
articulações, permitindo mobilidade e flexibilidade.
- Células: O corpo humano abriga cerca de 37,2
trilhões de células, com variações dependendo da massa corporal.
- Neurônios: O cérebro humano contém cerca de 86
bilhões de neurônios, responsáveis por processar informações, emoções
e memórias.
- Vasos sanguíneos: A rede vascular humana tem cerca de
96.500 km, o suficiente para dar quase 2,5 voltas ao redor da
Terra.
- Nervos:
Existem 43 pares de nervos (12 cranianos e 31 espinhais), que se
ramificam por todo o corpo como raízes sensoriais.
Funções
vitais e curiosidades
- Cérebro:
- Representa cerca de 2% do peso
corporal, mas consome aproximadamente 20% da energia total.
- Permanece ativo mesmo durante o sono,
regulando funções essenciais como respiração, batimentos cardíacos e
processamento de sonhos.
- Coração:
- Bate em média 100 mil vezes por dia,
bombeando cerca de 7.500 litros de sangue diariamente.
- Funciona de forma autônoma e contínua,
sem pausas conscientes.
Esse retrato do corpo
humano é uma verdadeira ode à engenharia biológica.
2. Deus, o Autor da vida. Sobre a vida veja esse vídeo: De que Vida João 5, 26 está
falando? Explorando sete termos do latim, grego e hebraico. https://www.youtube.com/watch?v=uzous6tUqQY
De uma das costelas de Adão, formou Deus a mãe de todos os viventes, Eva, em um corpo igualmente maravilhoso, porém, tão distinto em anatomia, fisiologia e genética (Gn 1.27; 3.20). Em relação a como os descendentes dos primeiros pais são formados no ventre materno, as Escrituras mostram que assim como na formação do primeiro homem e da primeira mulher, Deus é o Autor das vidas de todas as pessoas (Sl 139.13-15; Jr 1.5).
NOTA:
Deus como Autor da Vida:
Criação e Continuidade
Segundo as Escrituras,
Deus é o Criador direto da primeira vida humana — Adão e Eva — formados de
maneira única e sobrenatural:
- Adão
foi formado do pó da terra e recebeu o fôlego de vida diretamente de Deus
(Gn 2.7).
- Eva
foi criada a partir de Adão, simbolizando a origem comum e a
interdependência dos seres humanos (Gn 2.22).
Esse ato
inicial não apenas revela o poder criador de Deus, mas estabelece o modelo
fundamental da vida humana. A partir deles, toda a humanidade se desenvolve
por meio de um processo biológico que, embora natural, continua sendo sustentado e
supervisionado por Deus o Autor da vida.
Formação no Ventre:
Biologia guiada pela soberania divina
A reprodução
humana segue leis biológicas complexas — fecundação, desenvolvimento
embrionário, crescimento fetal e dá conta da continuidade da raça humana — mas as Escrituras afirmam que Deus continua
sendo o Autor de cada vida no
sentido de que Ele é o motor primeiro da vida em todos as esferas. (veja
o vídeo indicado: https://www.youtube.com/watch?v=uzous6tUqQY)
Salmo
139.13-15 (ARC)
"Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no
ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão
maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe
muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido nas profundezas da terra."
Jeremias
1.5 (ARC)
"Antes que te formasse no ventre, te conheci, e, antes que saísses da
madre, te santifiquei;
às nações te dei por profeta."
Esses textos mostram
que, embora o processo seja biológico, ele não é meramente mecânico ou
aleatório. Cada ser humano
é formado com propósito, identidade e valor — atributos que transcendem a
biologia.
A expressão do Salmo
139.13-15 (ARC) é poética — “entretecido
nas profundezas da terra”
tem significado simbólico. O salmista está descrevendo
o mistério da formação humana no ventre materno, usando linguagem figurada para
expressar reverência e admiração pela obra de Deus.
“Entretecido” - Refere-se ao processo de tecer, como quem entrelaça fios para formar
um tecido. Aqui, é uma
metáfora para o desenvolvimento do corpo humano — célula por célula, parte por
parte — como se Deus estivesse costurando cada detalhe com precisão e intenção.
“Nas profundezas da terra” - Essa expressão não significa literalmente o interior do
planeta, mas simboliza o ambiente
oculto e secreto
onde a vida começa: o
ventre materno. Na cultura hebraica,
“profundezas da terra” era uma forma de se referir a lugares escondidos,
misteriosos ou inacessíveis à visão humana.
O que o salmista está
dizendo que Deus o formou com cuidado e propósito, mesmo quando ele ainda
estava invisível aos olhos humanos. É uma declaração de que a vida começa sob o olhar atento de Deus, mesmo antes de ser vista ou
compreendida pelos homens.
Da criação à replicação
- A criação de Adão e Eva foi um ato
inaugural e singular.
- A
partir deles, Deus estabeleceu o mecanismo da reprodução humana,
que se repete em cada geração sem necessidade da ação direta Dele.
- A
ciência descreve como a vida se forma; a fé revela quem está
por trás de cada vida.
Essa visão harmoniza fé e ciência: Deus criou a primeira vida diretamente e, desde então, cada nova vida é formada por um processo que Ele mesmo desenhou e continua a sustentar.
3. A individualizada formação integral. Deus forma espírito, alma e corpo de cada ser humano, conforme ocorre o ato de procriação que Ele mesmo estabeleceu, pela união íntima de homem e mulher (macho e fêmea) (Gn 4.1; Sl 33.15; Zc 12.1; Is 57.16). As Escrituras falam claramente da existência de vida humana completa (corpo, alma e espírito) ainda no ventre (Gn 25.22; Lc 1.15,39-44; Gl 1.15). Isso ressalta a grande perversidade do aborto e aponta para o sublime valor da maternidade, que deve ser cercada de cuidado e proteção — e conduzida em temor, amor e devoção (Sl 127.3-5; Sl 128.3). Uma boa nutrição física, afetiva e espiritual deve começar desde o início da gestação.
NOTA: A perversidade do aborto
🧬 Do embrião ao corpo humano: uma jornada de
formação
- Fecundação
e início da vida
- Tudo começa com a união do
espermatozoide e do óvulo, formando uma célula chamada zigoto.
- Essa célula se divide rapidamente e
forma o embrião, que se fixa no útero.
- Formação
dos tecidos e sistemas
- O embrião desenvolve três camadas
principais de células:
- Ectoderma: dá origem à pele, ao cérebro e ao
sistema nervoso.
- Mesoderma: forma músculos, ossos, coração e
vasos sanguíneos.
- Endoderma: origina os pulmões, fígado,
intestinos e outros órgãos internos.
- Organogênese:
quando os órgãos surgem
- Por volta da 3ª à 8ª semana de
gestação, os principais órgãos começam a se formar.
- O coração é um dos primeiros a bater,
seguido pelo cérebro, pulmões e rins.
- Crescimento
e especialização
- As células continuam se multiplicando e
se especializando.
- Cada sistema (digestivo, respiratório,
nervoso, etc.) se desenvolve com funções específicas.
- Do
embrião ao feto
- Após
a 8ª semana, o embrião passa a ser chamado de feto.
- A
partir daí, o corpo humano vai ganhando forma: rosto, membros, órgãos
funcionais.
SINOPSE
I
Deus, com sabedoria e poder, criou o corpo humano de forma extraordinária e única.
II. O CORPO E A GLÓRIA DE DEUS
1. O divino tecelão. Em linguagem poética, Davi
descreve a ação divina na formação do corpo humano no ventre materno
apresentando Deus como o tecelão (Sl
139.15). A Bíblia na versão Tradução Brasileira (TB) usa a
expressão “primorosamente tecido”, adjetivando a ação divina
descrita nos versículos 13 e 15.
15Não te era oculta a minha forma, quando fui feito às ocultas e
primorosamente tecido nas profundezas da terra. (Sl 139.15) Tradução Brasileira (TB)
"Embora a Bíblia não necessite de validação científica, é relevante observar que a ciência confirma que os órgãos e sistemas do corpo humano se formam a partir dos tecidos originados pelas células do embrião."
NOTA: O embrião é o estágio
inicial do desenvolvimento humano, formado após a fecundação, quando células
começam a se multiplicar e se organizar.
O corpo humano é o organismo completo e
funcional, resultado do desenvolvimento do embrião ao longo da gestação.
2. Entendimento e louvor. A compreensão da maravilhosa obra divina na formação do corpo humano liberta-nos de toda especulação e dúvida e produz um sentimento de gratidão e louvor. Davi declarou: “Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado” (Sl 139.14). No mesmo versículo o salmista usa a expressão “a minha alma o sabe muito bem”, isso mostra que a verdadeira fé produz entendimento e percepção espiritual corretos, gerando quietude interior. Quando o homem não se reconhece como obra do Criador, vive inquieto em busca de explicações sobre si mesmo e se torna vítima dos mais variados enganos, como a teoria evolucionista e etc.. Não glorifica a Deus e se perde em um mundo de idolatria e depravação (Rm 1.18-32).
3. O perigo dos extremos. Desde os tempos antigos, a humanidade tem oscilado entre dois
extremos sobre o valor e a importância do corpo.
De um lado, correntes de pensamento como o maniqueísmo, o platonismo e o gnosticismo espalharam ideias que viam a matéria de forma negativa, considerando o corpo algo essencialmente mau. De outro lado, havia o culto ao belo, como na Grécia Antiga.
NOTA: Como e porque cada
pensamento desses descreve o corpo como algo essencialmente mau.
Maniqueísmo
O corpo
é considerado uma prisão da alma, criado pela força do mal em oposição ao
espírito, que pertence à luz.
Platonismo
O corpo
é visto como um obstáculo à verdadeira sabedoria, pois distrai a alma dos
mundos superiores e das ideias eternas.
Gnosticismo
O corpo
é uma criação imperfeita de um deus inferior (demiurgo), que aprisiona a
centelha divina da alma em um mundo corrompido.
Essas visões influenciaram profundamente a história da filosofia, da teologia e até da arte.
O desequilíbrio permanece. Vícios, automutilações e outras atitudes extravagantes deformam e desonram o corpo (Lv 19.28; Pv 23.29-35; 1Ts 4.4). Por outro lado, há o narcisismo moderno, marcado pela supervalorização do corpo em detrimento da alma e do espírito. A idolatria do “eu” leva à prática excessiva de selfies, publicações de si mesmo em redes sociais, cuidados estéticos, cosméticos e físicos em excesso (2Tm 3.2; 1Pe 3.3-5). Cuidar do corpo é importante, mas sem exageros. O cristão deve ser equilibrado em tudo (1Co 6.12).
4. Princípios ou regras? Quando falamos
em corpo temos a tendência de logo pensar em regras, mas o viver cristão moderado consiste, acima de tudo, na observância
dos princípios bíblicos. Um deles é fazer tudo para a
glória de Deus (1Co 10.31). Aplicável às práticas mais simples de nosso
cotidiano, é um parâmetro espiritual mais eficaz que regras rígidas e
inflexíveis, que podem nos levar ao legalismo (Mt 23.1-7,23). Devemos sempre refletir: o que fazemos com o nosso corpo glorifica a Deus ou visa
agradar a nós mesmos? (Rm 14.21; 15.1-7).
NOTA:
"The body, my rules":
"Meu corpo, minhas
regras." (Ví essa frase numa camiseta).
Essa frase é frequentemente
usada como expressão de
autonomia e liberdade sobre o próprio corpo, especialmente em debates
sobre direitos
individuais, saúde, gênero e ética.
Fundamento bíblico
1 Coríntios 6:19-20 (ARC)
19 Ou não sabeis
que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós,
proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?
20 Porque fostes comprados por bom preço;
glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso
espírito, os quais pertencem a Deus.
→ Aqui, Paulo afirma que o
corpo pertence a Deus e deve ser usado para glorificá-lo.
Romanos 12:1 (ARC)
1 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão
de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício
vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
→ O corpo é oferecido como
parte do culto, não como objeto de prazer egoísta.
O "culto
racional" em Romanos 12:1 significa uma forma consciente, voluntária e
espiritual de adoração, que envolve entendimento e entrega pessoal. Não é apenas um ritual externo, mas uma
vida dedicada a Deus com discernimento e propósito. Paulo está dizendo que
oferecer o corpo como sacrifício vivo é um ato de adoração que faz sentido — é
racional, porque reconhece quem Deus é e responde com entrega total.
"Culto racional" em
do grego: "logikēn latreian"
- logikēn → racional, lógico,
com entendimento
- latreian → culto, serviço
religioso, adoração
É um serviço a Deus com
entendimento, não apenas por tradição ou emoção.
SINOPSE
II
O corpo
humano glorifica a Deus por sua formação admirável, devendo ser cuidado com
equilíbrio e usado segundo princípios bíblicos.
III. O CORPO E A COLETIVIDADE
1. A prática relacional. Deus nos fez seres relacionais, gregários,
sociáveis. Isso está explícito na ordem de procriação e enchimento da
terra (Gn 1.28). Por isso, temos necessidades e deveres
que vão além de nossa individualidade. Não fomos criados para viver isolados
social ou afetivamente. Embora os recursos digitais tragam muitas
comodidades para o homem moderno, o contato físico
continua sendo essencial para a vida humana. A troca de afetos por meio de expressões corporais
não é substituída pela frieza da tecnologia. Tiago
qualifica a verdadeira religião e a fé viva por práticas relacionais reais, que
exigem o envolvimento do corpo
(A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições... Tg 1.27); (2.14-18). Como está nossa comunhão?
2. A prática congregacional. O corpo é um
elemento fundamental do culto divino. As
Escrituras nos advertem da necessidade da reunião coletiva, da vida
congregacional (Hb 10.24,25). Muitos têm sido seduzidos e enganados pelos falsos discursos dos que
criticam a igreja como instituição, sugerindo a vivência de uma fé individual
ou meramente virtual. Sejamos sábios e prudentes: o movimento dos desigrejados é antibíblico e
altamente prejudicial à verdadeira vida cristã (Ef 4.1-5; 1Ts 5.11-15).
assista esse vídeo https://www.youtube.com/watch?v=wx2seFg3H_I pra entender o que “um só batismo”).
3. Tecnologia e culto. O corpo precisa não apenas estar presente no templo, mas envolver-se diretamente com o culto. Tanto o Antigo, quanto o Novo Testamento, enfatiza o aspecto corporal intenso da adoração (2Cr 7.1-4; Sl 27.4; 100.2-4; At 2.41-47). Deus quer a expressão de todo o nosso corpo em louvor ao seu nome (Sl 150.6; At 4.24,31; 1Co 14.26; 1Tm 2.8). Os recursos tecnológicos da atualidade, como drones, telões, celulares e tablets são muito úteis, mas se usados sem moderação podem nos distrair ou deixar inertes no culto. Até a educação secular já reconhece os prejuízos desse exagero tecnológico!
SINOPSE
III
O corpo
deve ser instrumento de comunhão e adoração coletiva, valorizando os
relacionamentos e o culto presencial.
CONCLUSÃO
A
verdadeira adoração ao Criador abrange a integralidade de nosso ser, o que
inclui todo o nosso corpo (Rm 12.1; 1Co 6.20). Reconhecer-se como obra das mãos
de Deus leva-nos a nos render à Sua soberania e permanecer confiando em Seu
eterno poder (Jó 1.20-22; 2.10; 19.25-27). Que saibamos possuir nosso corpo em
santificação e honra (1Ts 4.4).
VERDADE PRÁTICA
A
ciência busca desvendar os mistérios do corpo humano, mas o crente descansa em
saber que é obra da poderosa e perfeita mão de Deus.
APLICAÇÃO
Compreendendo nosso corpo como obra divina, devemos honrá-lo em santificação, equilíbrio e serviço, tanto individualmente quanto em comunhão com outros e no culto a Deus, glorificando-O em tudo.
VOCABULÁRIO
Racionalismo: conjunto
de teorias filosóficas (platonismo, cartesianismo etc.) fundamentadas na
suposição de que a investigação da verdade, conduzida pelo pensamento puro,
ultrapassa em grande medida os dados imediatos oferecidos pelos sentidos e pela
experiência.
Cientificismo: concepção filosófica de matriz positivista que afirma a superioridade da ciência sobre todas as outras formas de compreensão humana da realidade (religião, filosofia metafísica etc.), por ser a única capaz de apresentar benefícios práticos e alcançar autêntico rigor cognitivo.
QUESTIONÁRIO
1. O
que a Bíblia fala sobre o começo da vida humana integral (corpo, alma e
espírito)?
As
Escrituras falam claramente da existência de vida humana completa (corpo, alma
e espírito) ainda no ventre (Gn 25.22; Lc 1.15,39-44; Gl 1.15).
2. Como
Davi apresenta Deus no processo de formação do corpo humano?
Em
linguagem poética, Davi descreve a ação divina na formação do corpo humano no
ventre materno apresentando Deus como o tecelão (Sl 139.13-15).
3. Quais
os extremos quanto ao valor e importância do corpo?
De um
lado há correntes que consideram o corpo algo essencialmente mau; por outro, há
os supervalorizam o corpo em detrimento da alma e do espírito.
4. Por
que precisamos da vida comunitária?
Deus
nos fez seres relacionais, gregários, sociáveis. Isso está explícito na ordem
de procriação e enchimento da terra (Gn 1.28).
5. Que
perigos os recursos tecnológicos apresentam em relação ao culto?
Os
recursos tecnológicos da atualidade, como drones, telões, celulares e tablets
são muito úteis, mas usados sem moderação podem nos distrair ou deixar inertes
no culto.
SUBSÍDIOS
ENSINADOR CRISTÃO
O CORPO
— A MARAVILHOSA OBRA DA CRIAÇÃO DE DEUS
Nesta
lição, veremos com maiores detalhes uma das obras mais sublimes de nosso
Criador: o corpo humano. De modo extraordinário, o Senhor formou o homem do pó
da terra. O corpo é a estrutura material onde se encontra a alma e o espírito.
A Bíblia o classifica também como templo do Espírito Santo e, como tal, precisa
ser preservado (1Co 3.16). O cuidado com o corpo está além da simples nutrição
ou atividade física. Cuidar do corpo significa também ter uma vida equilibrada
de modo a evitar que os maus comportamentos e pensamentos da natureza humana
pecaminosa tornem a predominar sobre o corpo. Ainda que por um tempo haja em
nós uma incessante luta entre a carne e o espírito, nosso corpo deve ser
apresentado para uma vida que ande no espírito e sirva a Deus com integridade
(Gl 5.16).
Vale
ressaltar que, antes da Queda, o propósito de Deus era que o homem desfrutasse
da plenitude da vida em perfeita comunhão com seu Criador. Nesse sentido, o
corpo humano fruía de plenas condições quando habitava o Éden. Conforme
discorre o Comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição
Global (CPAD), “ao criar os seres humanos à sua própria imagem, Deus
designou as pessoas como seres triunos (isto é, ‘trifacetados’), com espírito,
alma e corpo (1Ts 5.23; Hb 4.12). Deus formou Adão do pó da terra (corpo) e
soprou em suas narinas o fôlego de vida (espírito), e ele se tornou ‘alma
vivente’ (alma, Gn 2.7). Deus pretendia que, ao comer da árvore da vida e
obedecer à sua instrução de não comer da árvore da ciência do bem e do mal, a
humanidade continuasse a viver em sua condição perfeitamente criada (cf. Gn
2.16,17; 3.22-24). Somente depois que a morte entrou no mundo, como resultado
do pecado humano, é que lemos sobre o corpo retornando ao pó e o espírito
voltando para junto de Deus (Gn 3.19; 35.18; Ec 12.7; Ap 6.9). Em outras
palavras, a separação do corpo do espírito e da alma (isto é, o momento da
morte física) é resultado da maldição de Deus sobre a raça humana por causa do
pecado. [...] O corpo também passará por uma transformação quando ressuscitar (isto
é, quando voltar à vida para se unir à alma e ao espírito). Esta é a maneira
como a nossa completa qualidade de ser humano será restaurada, no final, se
tivermos entregados a nossa vida a Jesus Cristo”. (2022, pp.1106,1107).
A vida
plena no Espírito deve ser destacada. Atualmente, nos deparamos com a busca
demasiada por uma beleza perfeita e culto à imagem, inclusive por quem trabalha
com mídias sociais. O excesso de exposição do corpo traz efeitos à mente e ao
corpo. Nosso corpo é templo do Espírito e deve estar à serviço do Reino (Rm
12.1,2).