"O reencontro que tinha tudo para terminar em sangue e
tragédia tornou-se o maior monumento ao perdão na história bíblica."
(Pastor Luiz Antonio Me.)
OBJETIVOS DA LIÇÃO
Explicar que Jacó e Esaú tinham sérios conflitos
Mostrar o encontro de Jacó e Esaú
Saber que, depois do encontro com seu irmão, Jacó segue seu
caminho.
INTRODUÇÃO
"Chegou o dia em que Jacó finalmente enfrentaria seu passado e acertaria as contas com seu irmão. O medo e a ansiedade apertavam seu coração. Porém, o inesperado aconteceu: ao encontrar Jacó, Esaú o abraçou e o beijou calorosamente e Jacó foi perdoado. Um episódio que tinha tudo para terminar em tragédia transformou-se em restauração pela intervenção do Senhor. Se você precisa superar algum desentendimento e restaurar laços familiares hoje é o dia!"
OBS: Jacó e Esaú ficaram inimigos por 20 anos. Alguns calculam 23 anos baseando-se em intervalos que a bíblia não menciona diretamente.
"Estive vinte anos em tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas, e seis anos pelo teu rebanho; mas o meu salário mudaste dez vezes." Gênesis 31:41
CRONOLOGIA DA IDADE DE
JACÓ EM CADA PERÍODO DA SUA VIDA
1.
Idade 77 Anos |
A Fuga de Casa (Gênesis 27 e 28)
o O Fato: Jacó
engana Isaque, rouba a bênção da primogenitura e foge às pressas para a terra
de seu tio Labão para não ser morto por Esaú.
2.
Idade 84 Anos |
O Casamento Duplo (Gênesis 29:20-30)
o O Fato: Após
trabalhar os primeiros 7 anos prometidos por Raquel, Jacó é enganado por
Labão, casa-se com Lia e, uma semana depois, casa-se com Raquel,
comprometendo-se a trabalhar mais 7 anos por ela.
3.
Idade 91 Anos |
O Nascimento de José (Gênesis 30:25)
o O Fato: Ao
completar 14 anos de trabalho em Padã-Arã, nasce José, o primeiro filho
de Raquel. É nesse momento que Jacó pede para voltar à sua terra, mas Labão o
convence a ficar.
4.
Idade 97 Anos |
O Fim do Exílio e o Reencontro (Gênesis 31:41 e Gênesis 33)
o O Fato: Jacó trabalha mais 6 anos cuidando dos rebanhos de Labão, completando o período total de 20 anos de inimizade e distância. Ele foge de Padã-Arã e, no caminho de volta para casa, enfrenta o medo e recebe o abraço restaurador de Esaú.
Cálculo (A Lógica
Matemática)
A conta é feita de trás para frente usando três dados
bíblicos explícitos:
- Dado
A: Jacó tinha 130 anos quando se apresentou ao
Faraó no Egito (Gênesis 47:9).
- Dado
B: José tinha 39 anos nesse mesmo momento (ele
tinha 30 anos quando se tornou governador, mais 7 anos de fartura e 2 anos
de fome decorridos — Gênesis 41:46; 45:6).
- Cálculo
da idade no nascimento de José: Se Jacó tinha 130 e José
tinha 39, subtraímos (130 - 39 =91). Logo, Jacó tinha 91 anos
quando José nasceu.
- Cálculo
da chegada e saída: Como José nasceu exatamente no fim dos primeiros
14 anos de serviço de Jacó (Gênesis 30:25-26), Jacó chegou à casa de Labão
com 77 anos, (91 - 14 = 77 anos).
- Como ele ficou 20 anos no total (Gênesis 31:41), ele saiu de lá e reencontrou Esaú com 97 anos (77 + 20 = 97anos).
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O TEXTO ÁUREO E A PALAVRA-CHAVE: RECONCILIAÇÃO
Vamos comentar juntos porque se trata do mesmo assunto “RECONCILIAÇÃO”.
No Antigo Testamento (Hebraico) o termo técnico teológico para reconciliar/fazer expiação é כָּפַר (Kāp̄ar), que significa "cobrir" ou "cancelar uma dívida".
Um versículo chave onde essa
palavra aparece ligada a Jacó tentando "apaziguar/reconciliar-se" com
Esaú antes do encontro é Gênesis 32:20:
...’ăḵappərāh p̄ānāw bammînḥāh... (achapra fanav bemincha)
("...reconciliá-lo-ei [cobrirei a sua
ira] com o presente...")
No Novo Testamento (Grego)
A palavra grega para reconciliação
é καταλλαγή (Katallagē), que
significa "troca"
ou "mudança completa de hostilidade para amizade".
O versículo mais famoso onde ela
aparece é Romanos 5:11:
...di’ ou nyn tēn katallagēn
elabomen. (di' oú nýn tín katallagín elávomen)
("...por quem agora recebemos a reconciliação.")
TEXTO ÁUREO
“Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram.” (Gn 33.4).
Este versículo relata o momento do reencontro
entre os irmãos Jacó e Esaú após 20 anos de separação, medo e hostilidade
mútua. Ele
representa o ápice de uma reconciliação inesperada e genuína, onde a graça e o
perdão superam o desejo de vingança.
Significado dos Termos
Chave
Correu-lhe ao encontro: Demonstra pressa, mas não
mais para atacar. Indica uma quebra imediata de protocolo e a urgência
de estabelecer paz.
Abraçou-o e lançou-se
sobre o seu pescoço: Gestos de
afeto profundo e vulnerabilidade física. Demonstram intimidade restaurada e
aceitação completa.
Beijou-o: Selo cultural e familiar de paz, reconciliação e
ausência de malícia ou rancor.
Choraram: Expressão mútua de alívio emocional. O choro lava as
mágoas acumuladas por duas décadas de separação.
NOTA DO GREGO storge
(στοργή) o
amor familiar
Quer entender storge com mais profundidade veja esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=L6mXsO0yArY
8 tipos de
amor no grego: https://www.youtube.com/watch?v=yajKOwfpcT0
Este é o termo grego para o amor
fraternal e familiar é storge (στοργή).
A conexão entre a atitude de Esaú e o amor storge revela a força
indestrutível dos laços de sangue:
O Resgate do Vínculo Natural: O amor storge é o afeto instintivo e
inerente que existe entre pais, filhos e irmãos. Mesmo após 20 anos de ódio, ressentimento e
distância, o encontro físico dos dois irmãos ativou instantaneamente essa força biológica
e familiar.
A Superação da Ofensa: Quando Esaú corre, abraça, beija
e chora com Jacó, o amor storge
opera como um amortecedor
de mágoas passadas. Ele prova que a conexão familiar de berço é profunda o suficiente para
silenciar o desejo de vingança.
O versículo demonstra, na prática, que o amor familiar (storge) tem o poder de quebrar as barreiras mais rígidas, restaurando a paz onde a lógica humana previa apenas destruição.
- : No antigo Oriente Médio, homens adultos de posses e líderes de clãs (como Esaú, que liderava 400 homens) caminhavam com solenidade e lentidão, com pompa. Correr era visto como uma perda de dignidade. A atitude de Esaú mostra que o amor pelo irmão importava mais que seu status.
NOTA: O pai do filho pródigo fez exatamente a mesma coisa.
Na Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:20), o texto diz
textualmente que o pai
"correu, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou", repetindo os mesmos gestos e a exata quebra de protocolo
de Esaú. (Quando o amor se manifesta o protocolo cai por terra!)
- A Perda Proposital da Dignidade: Assim
como Esaú (um líder de 400 guerreiros), o pai do pródigo era um patriarca
judeu rico e respeitado. No Oriente Médio, um
homem dessa posição social jamais correria em público, pois precisaria
levantar as longas vestes e expor as pernas, o que era considerado uma
vergonha e humilhação pública.
- O Amor Acima do Status: Ambos os personagens escolheram passar pela vergonha
social da corrida porque o anseio pela restauração familiar era
infinitamente maior do que a manutenção de suas pompas, orgulhos ou
direitos legais de punição.
Ao correr, tanto Esaú quanto o pai da parábola demonstraram que a graça e o amor familiar (storge) correm mais rápido do que qualquer protocolo cultural ou desejo de vingança.
- O Beijo de Reconciliação: Na cultura semita, o beijo no pescoço ou no ombro era um sinal de paz e restauração de aliança. Cortava qualquer direito legal ou cultural de vingança de sangue por ofensas passadas.
Etimologia de Termos Importantes
- Abraçou (Hebraico: חָבַק - Ḥābaq): Raiz que significa
"envolver", "reunir" ou "abraçar
apertado". É a mesma raiz que dá
origem ao nome do profeta Habacuque.
OBs: O nome Habacuque (do hebraico חֲבַקּוּק - Ḥăḇaqqūq) significa literalmente "abraço" ou "aquele que abraça apertado / aquele que abraça afetuosamente".
CURIOSIDADE: Dois termos com
sonorização parecida e significados opostos.
(Gn 32.24): ...wayyē’āḇēq ’îš ‘immô...
("...e lutou com ele um homem...").
A Manhã (Gênesis 33:4): Jacó
e Esaú experimentam o Ḥābaq, a postura defensiva e os punhos
cerrados da luta noturna abrem espaço para os braços abertos, o envolvimento
protetor e o acolhimento do abraço fraterno.
O texto demonstra visualmente que o homem que passou a noite lutando (’āḇaq) com Deus, foi transformado para receber na manhã seguinte o abraço (ḥābaq) de reconciliação do seu irmão.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
- GÊNESIS 33.1-10.
2 — E pôs as servas e seus filhos na frente e a
Leia e a seus filhos, atrás; porém a Raquel e José, os derradeiros.
3 — E ele mesmo passou adiante deles e
inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão.
4 — Então, Esaú correu-lhe ao encontro e
abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram.
5 — Depois, levantou os seus olhos, e viu as
mulheres e os meninos, e disse: Quem são estes contigo? E ele disse: Os filhos
que Deus graciosamente tem dado a teu servo.
6 — Então, chegaram as servas, elas e os seus
filhos, e inclinaram-se.
7 — E chegou também Leia com seus filhos, e
inclinaram-se; e, depois, chegaram José e Raquel e inclinaram-se.
8 — E disse Esaú: De que te serve todo este bando
que tenho encontrado? E ele disse: Para achar graça aos olhos de meu senhor.
9 — Mas Esaú disse: Eu tenho bastante, meu irmão;
seja para ti o que tens.
10 — Então, disse Jacó: Não! Se, agora, tenho achado graça a teus olhos, peço-te que tomes o meu presente da minha mão, porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus; e tomaste contentamento em mim.
I. IRMÃOS EM CONFLITO
1. Jacó. Já
vimos que Jacó lutou com o anjo, e essa luta
resultou numa transformação de caráter e em bênção de Deus sobre a sua vida.
Esse episódio, em meio a circunstâncias adversas, fez
com que Jacó compreendesse que a sua vida e o seu sucesso dependiam somente do
Senhor. Nunca foi
resultado de seus métodos e habilidades, mas da ajuda, orientação e bênção do
Deus de Abraão e Isaque. Em nossa jornada cristã, também não podemos nos
esquecer de que tudo que temos e somos vem do Senhor. Não
lutamos fisicamente com os anjos, como fez Jacó, mas podemos lutar por
intermédio da persistente oração, do jejum e da adoração até que vejamos o agir
transformador de Deus em nossa vida e na vida de nossos familiares (Lc
11.5-10).
A Transformação pela
Dependência de Deus
- Resumo: A luta de Jacó com o anjo mudou seu caráter,
ensinando-o que o verdadeiro sucesso não vem de suas próprias habilidades
ou trapaças, mas exclusivamente da bênção e da soberania divina.
- Lição
Prática: Pare
de tentar resolver problemas complexos apenas com a sua própria força ou
esperteza. Ore, jejue e busque a Deus com insistência até que Ele
transforme o seu caráter e mude a realidade da sua família.
Esaú perdeu a sua bênção porque a trocou por um
prato de ensopado (cf. 25.31-34). Ao ser enganado pelo irmão, Esaú demonstrou raiva intensa e desejo de vingança.
Contudo, não parece ter sentido tristeza pelas suas escolhas pecaminosas. O
filho predileto de Isaque enfrentou as difíceis
consequências de suas equivocadas escolhas. Mas agora ele desejava resolver as diferenças com
o irmão de forma pacífica. No entanto, precisamos ressaltar que a atitude amistosa de Esaú foi a
resposta de Deus à oração de Jacó (32.11).
O Coração Humano
Trabalhado por Deus
- Resumo: O TEMPO e a AÇÃO SECRETA DE DEUS
suavizaram a raiva e o desejo de vingança de Esaú. Embora ele tenha
colhido as duras consequências de trocar sua primogenitura por um prato de
lentilhas, sua recepção pacífica foi a resposta exata de Deus às orações
de Jacó.
- Lição Prática: Quando você tiver um relacionamento rompido com
alguém, não tente forçar uma reconciliação imediata na base do argumento.
Ore primeiro; Deus tem o poder de amolecer e transformar corações
endurecidos antes mesmo de você ter uma conversa.
Raquel: O Perigo do
Favoritismo na Família
- Resumo: Ao organizar a
comitiva colocando Raquel e José por último para protegê-los, Jacó expôs
visualmente sua clara preferência, alimentando o ciúme, a rejeição e a
disfunção entre suas esposas e filhos.
- Lição Prática: Evite qualquer sinal de favoritismo em sua casa,
seja entre filhos ou parentes. Trate a todos igualmente para não
criar feridas emocionais, divisões e rivalidades desnecessárias dentro do
seu próprio lar.
SINOPSE I
Esaú e Jacó eram irmãos, mas viviam em conflito e tinham
muito que se acertar.
II. O ENCONTRO ENTRE JACÓ E ESAÚ
1. Deus entra em ação. Jacó
ficou angustiado, com o coração cheio de temor. Quando
viu o rosto do irmão de perto, deixou seu pequeno grupo para trás, “e
inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão” (Gn 33.3). Àquela altura, pela bondade e
intervenção de Deus, as incertezas e o medo já haviam se dissipado. Jacó tomou a iniciativa de ir em direção a Esaú e em
atitude de humildade, não se inclinou apenas uma ou duas vezes, como era comum
naquela cultura, mas inclinou-se sete vezes. A humildade tem poder para
dissipar a ira e nos conceder paz, vitória e descanso; por isso, Jesus nos convida a aprendermos com Ele, que é manso e
humilde de coração (Mt 11.28).
NOTA: Deus entra em ação: A Humildade Desarmadora
Lição Prática: Em um conflito, não chegue armado com argumentos ou exigindo direitos. Venha com espírito manso e assuma uma postura de humildade; abaixar o tom de voz e demonstrar respeito abre portas que o orgulho mantém trancadas.
Não temos dúvida de que a mão de Deus se moveu
entre os dois irmãos. Certamente o Altíssimo já estava trabalhando nos
sentimentos de Esaú, que, ao ver seu irmão ir ao
seu encontro com tanta humildade, inclinando-se ao chão tantas vezes, toda a
sua ira, mágoa ou cólera contra Jacó não tiveram mais lugar (Gn 33.4). Somente
Deus poderia promover tão grande reconciliação, pois, segundo afirma o escritor
de Provérbios: “O irmão
ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas
são como ferrolhos de um palácio” (Pv 18.19).
NOTA: Esaú abraça e beija Jacó: O Agir Soberano de Deus
- Resumo: A reconciliação
foi uma obra exclusiva da mão de Deus, que operou além da lógica humana. O Senhor converteu 20 anos
de sede de vingança em um abraço afetuoso, superando a barreira de
um irmão ofendido, que a Bíblia compara a uma fortaleza intransponível.
- Lição
Prática: Quando
uma mágoa parecer impossível de curar e a pessoa parecer irredutível,
lembre-se de que o coração humano está sob o controle do Criador. Ore
confiantemente para que o Espírito Santo derrube os muros invisíveis que
você não consegue alcançar.
- Resumo: O perdão real dos
dois frustrou os planos de destruição do Inimigo e protegeu a linhagem da
promessa. A verdadeira reconciliação não consiste em ignorar o erro
ou esperar o tempo passar passivamente, mas em tomar a iniciativa
intencional de buscar o entendimento face a face.
- Lição
Prática: Pare de procrastinar a resolução de uma mágoa familiar usando a
desculpa de "deixar o tempo curar". Tome a iniciativa de procurar a pessoa hoje
mesmo para conversar, esclarecer os fatos com amor e fechar as brechas que
destroem os laços familiares.
SINOPSE II
Esaú e Jacó se encontram e se perdoam.
III. A FAMÍLIA DE JACÓ SEGUE SEU CAMINHO
1. Os irmãos se separam. Depois
do encontro e do perdão entre os irmãos, Esaú voltou para Seir, e Jacó foi para
a cidade de Sucote, que significa “abrigo”, e estabeleceu sua casa ali (Gn 33.16).
Aprendemos com esse episódio que perdoar não
significa andar novamente junto. Pode haver
perdão sincero, mas cada um segue o seu caminho e o seu propósito com Deus.
O que não podemos é
guardar rancor, ressentimento, em nosso coração. Segundo Efésios 4.32, devemos
perdoar como também Deus em Cristo nos perdoou.
NOTA: Os irmãos se separam: Perdão não é Sinônimo de Convivência
- Resumo: O
perdão verdadeiro limpa o coração de mágoas e ressentimentos (como manda
Efésios 4:32), mas não exige obrigatoriamente
o retorno à mesma intimidade ou ao mesmo convívio diário.
- Lição
Prática: Perdoe de forma sincera
quem te feriu para libertar a sua alma, mas entenda que você tem o direito
de estabelecer limites saudáveis e seguir o seu propósito sem precisar
manter uma convivência próxima com a pessoa.
2. Jacó não retorna para a casa de seu pai. Deus havia ordenado que Jacó retornasse para a casa de seu pai, Isaque. Não sabemos o porquê, mas ele não cumpriu essa determinação divina e instalou-se em Siquém (Gn 31.13; 35.1). Sua decisão e escolha teria consequências ruins que foram reveladas mais tarde. Façamos o que o Senhor nos pediu para fazer, pois Ele é soberano e conhece todas as coisas.
NOTA: Jacó não retorna para a casa de seu pai: O Custo da Obediência Parcial
- Lição Prática: Não obedeça a Deus pela metade nem pare no meio da jornada que Ele te propôs. Cumpra as direções divinas até o fim, pois a obediência tardia ou parcial é uma porta aberta para colher sofrimentos desnecessários.
As consequências diretas e dolorosas
dessa obediência parcial foram:
- A Violência contra Diná: Por estar habitando entre povos pagãos
cananeus, sua filha Diná saiu para conhecer as mulheres da região e acabou
sendo violentada por Siquém, o príncipe daquela terra.
- A Profanação da Aliança: Os filhos de Jacó agiram com profundo engano.
Eles exigiram que todos os homens da cidade de Siquém se circuncidassem (o
sinal sagrado do pacto com Deus) sob o falso pretexto de que assim
poderiam se casar e viver juntos. Usaram um símbolo santo como armadilha
de guerra.
- O Massacre de Siquém: No terceiro dia após a circuncisão, enquanto
os homens da cidade ainda sentiam dores fortes e estavam indefesos, dois
filhos de Jacó (Simeão e Levi) invadiram o local. Eles assassinaram
cruelmente toda a população masculina, saquearam a cidade e levaram as
mulheres e crianças como escravas.
- O Temor e a Perda do Testemunho: Jacó entrou em desespero e amargura profunda.
Ele percebeu que o nome de sua família ficou "odioso" perante os
moradores daquela terra. Eles ficaram vulneráveis a um contra-ataque que
poderia exterminar todo o seu clã.
- A Perda do Direito de
Primogenitura de Simeão e Levi: Por
causa dessa violência cruel e descontrolada, Jacó, em seu leito de morte
anos mais tarde (Gênesis 49:5-7), retirou deles a bênção da liderança,
profetizando que seus descendentes seriam divididos e espalhados em
Israel.
Foi somente após essa terrível tragédia que Jacó acordou espiritualmente.
Ele ordenou que sua família jogasse fora todos os deuses falsos, purificasse
suas vestes e finalmente subisse a Betel para cumprir o que Deus havia ordenado
desde o início.
Siquém (no
hebraico ombro, costas ou crista de uma montanha).
A palavra descreve perfeitamente a
localização da cidade. Siquém ficava situada em um vale estreito, exatamente na
"sela" ou encosta formada entre duas grandes montanhas: o Monte
Ebal e o Monte Gerizim. Olhando de longe, a topografia da região
parecia o desenho de um ombro humano.
O Significado Teológico e Prático
Na cultura bíblica, o "ombro" é o
lugar onde se carregam os
fardos, os pesos e as responsabilidades (como na expressão
"carregar o mundo nos ombros").
Ironicamente, a
história de Jacó em Siquém reflete essa ideia:
Por ter parado em SIQUÉM
em vez de ir até o destino final ordenado por Deus BETEL, Jacó acabou
trazendo um fardo pesado de dores e consequências sobre as suas próprias
costas.
SIQUÉM Foi um lugar de peso e sofrimento, que só foi aliviado quando ele saiu dali, abandonou os deuses falsos e subiu para Betel (casa de Deus).
“E levantou ali um altar e
chamou-lhe Deus, o Deus de
Israel.” (Gn 33.20)
Pronúncia facilitada pra está gostando de aprender hebraico:
Wayyatsev-sham mizbeach wayyiqra-lo El Elohe Israel.
A forma acadêmica com os diacríticos
Wayyaṣṣeḇ-šām mizbēaḥ wayyiqrā-lō
’Ēl ‘Ĕlōhê Yiśrā’ēl.
SINOPSE III
Depois de encontrar seu irmão, Jacó segue seu caminho com sua
família.
VERDADE PRÁTICA
Em Deus, sempre há possibilidade de perdão e reconciliação.
Diante do Deus que lhe perdoou “é um dever moral do crente o
perdão e a reconciliação, especialmente no âmbito familiar.”
CONCLUSÃO
"A história de Jacó e Esaú prova que nenhum
desentendimento familiar é grande demais para o poder reconciliador da graça de
Deus." (Pastor Luiz Antonio Me.)
As famílias de Abraão, Isaque e Jacó enfrentaram muitos desafios e dificuldades. Os conflitos familiares ocorridos na casa de Isaque e, posteriormente, na casa de Jacó são consequências da Queda (Gn 3). Os relacionamentos, em especial os familiares, desde o início da criação, foram afetados por sentimentos de disputa, ódio e inveja. Satanás procura explorar esses sentimentos negativos estimulando as contendas, vingança e separação. Que Deus nos ajude a perdoar como o Senhor perdoou.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. O que a luta entre Jacó e o anjo resultou?
Essa luta resultou em uma transformação de caráter e em
bênção de Deus sobre a vida de Jacó.
2. Somente quem pode transformar o ser humano?
Transformar o ser humano, seu caráter, sua personalidade e
suas emoções é algo que somente o Criador pode fazer.
3. Por que Esaú perdeu a sua bênção?
O primogênito e preferido de Isaque perdeu a sua bênção
porque era incrédulo e a trocou por um prato de ensopado (cf. 25.31-34).
4. Depois do encontro com Esaú, Jacó foi para qual
cidade? Qual o significado do seu nome?
Depois do encontro e do perdão entre os irmãos, Esaú voltou
para Seir, e Jacó foi para a cidade de Sucote, que significa “abrigo”, e
estabelece sua casa lá (Gn 33.16).
5. Para onde Deus ordenou que Jacó retornasse? Ele
cumpriu de imediato?
Deus havia ordenado que Jacó retornasse para a casa de seu
pai, Isaque. Não sabemos o porquê, mas ele não cumpriu essa determinação divina
e instalou-se em Siquém (cf. 31.13; 35.1).