"A maior luta da sua vida pode ser o início da sua maior transformação." (Pastor Luiz Antonio Me.)
OBJETIVOS DA LIÇÃO
Enfatizar os
aspectos da família de Jacó
Explicar que o
desejo de Jacó de retornar à sua casa era divino
Mostrar a passagem de Jacó pelo vau de Jaboque
INTRODUÇÃO
Jacó
teve um encontro com Deus em Betel e ali começou o processo de transformação em
sua vida. Depois, no retorno para a casa de seus pais, ele teve outro
encontro com Senhor em Peniel, que significa “a
face de Deus” (Gn 32.30).
Jacó lutou com um anjo
e teve seu nome mudado para Israel, que significa “ele
luta com Deus”. O Senhor mudou não só o nome, mas também o caráter de
Jacó.
NOTA:
Aqui na introdução nós temos três termos-chave: Jacó, Israel, Peniel.
Peniel / Penuel ou
(Peni'el)
Na sua origem
hebraica “Peni’El é a junção de panim (פָּנִים), que
significa "face" ou "rosto", com El (אֵל), que
significa "Deus".
Significado literal: "A face
de Deus" ou "rosto de Deus".
Contexto histórico: Nome dado por Jacó ao lugar geográfico do confronto (às margens do ribeiro de Jaboque) (atual Rio Zarqa, na Jordânia). Ele escolheu esse nome porque, segundo suas próprias palavras, viu a Deus face a face e a sua vida foi poupada (Gênesis 32:30).
Jacó (Ya'aqov) era seu
nome de nascimento. Na origem hebraica vem da raiz ‘aqav (עָקַב), que
significa "calcanhar"
ou "suplantar/trapacear".
O significado literal é "Aquele que segura o
calcanhar" ou "suplantador".
No contexto histórico ele foi chamado assim
porque nasceu segurando o calcanhar de seu irmão
gêmeo, Esaú (Gênesis 25:26).
Ao longo de sua juventude, o nome refletiu sua conduta de passar os outros para trás,
como quando obteve a primogenitura e a bênção que pertenciam ao irmão.
Veja esse vídeo onde o
nome de Jacó e explicado: https://www.youtube.com/watch?v=MGAg76aWCOM&t=29s
Israel (Yisra'el) foi o nome
recebido depois do encontro com Deus no Vau do Jaboque.
Tem origem hebraica,
e é formada pela Junção de Sar (שַׂר) que significa "príncipe", "chefe", "capitão"
ou "governante", com
El (אֵל), que significa "Deus".
O feminino de Sar (שַׂר) é sarah (שָׂרָה) princesa.
O significado literal
é "ele luta com Deus" ou "príncipe de
Deus".
Contexto histórico: Mudado pelo próprio Deus em Peniel após Jacó
persistir na luta espiritual a noite inteira. O
nome marca a transição de um homem dependente de suas próprias trapaças para um
homem que depende do poder e da bênção divina.
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PALAVRA-CHAVE: HONRA
A palavra honra nas
Escrituras, conecta a atitude do coração a ações práticas de respeito e
obediência, aos homens e a Deus.
Contexto Etimológico
No Antigo Testamento (Hebraico) a palavra principal é Kavod (כָּבוֹד).
Ela deriva de uma raiz que significa respeito "peso"
ou "gravidade".
Honrar alguém no hebraico significa tratar essa pessoa
como alguém de grande peso, relevância e importância, em oposição a tratar com
leviandade.
Aparece na Bíblia em
Relação a Deus no (Salmo 29:2)
- Texto
Transliterado:
“Havu ladonai kevod shemo, hishtachavu ladonai behadrat kodesh.” - Tradução:
“Dai ao Senhor a glória (honra/peso) devida ao seu nome; adorai o Senhor na beleza da sua santidade.”
Em Relação aos Homens em
(Êxodo 20:12)
- Texto
Transliterado:
“Kabed et avicha veet imecha, lemaan yaarichun yamecha al haadamah.” - Tradução:
“Honra (trate com peso) a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra.”
No Novo Testamento (Grego) o
termo mais utilizado é Timē (τιμή). Significa "valor",
"preço" ou "estima".
Indica o valor que se atribui a
alguém, reconhecendo sua dignidade ou posição legítima.
Em Relação a Deus (1
Timóteo 1:17)
Neste texto, o termo aparece como o substantivo time,
atribuindo valor eterno e honra ao Deus invisível.
- Texto
Transliterado:
“To de Basilei ton aionon, aphtharto, aorato, mono theo, time kai doxa eis tous aonas ton aonon. Amen.” - Tradução:
“Ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, honra (valor/estima) e glória para todo o sempre. Amém.”
Em Relação aos Homens (1
Pedro 2:17)
Aqui, o termo aparece na forma verbal imperativa timesate,
ordenando que se atribua o devido valor e respeito a todas as pessoas.
- Texto
Transliterado:
“Pantas timesate, ten adelphoteta agapate, ton theon phobeisthe, ton basilea timate.” - Tradução:
“Honrai (valorizai) a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai (valorizai) ao rei.”
Contexto Teológico
Na teologia bíblica,
a honra funciona de forma vertical (em direção a Deus) e horizontal (em direção
ao próximo).
A Honra a Deus: Deus é a
fonte máxima de toda a honra e glória (Kavod). Honrá-lo significa
reconhecer sua soberania, santidade e poder através da adoração, da obediência
e da entrega do nosso melhor (Provérbios 3:9).
A Honra aos Pais: É o primeiro mandamento com promessa (Êxodo 20:12).
Honrar os pais vai além do
sentimento; exige cuidado prático, provisão financeira e respeito à
autoridade delegada por Deus.
A Honra Mútua: O Novo
Testamento manda os cristãos honrarem uns aos outros , a liderança da
igreja, os cônjuges e as autoridades civis.
“. 17Honrai a todos. Amai a fraternidade.
Temei a Deus. Honrai o rei.” (1 Pedro 2:17).
Contexto Cultural
O mundo bíblico operava sob uma
dinâmica social conhecida pelos sociólogos como a cultura de honra e
vergonha:
Identidade Coletiva:
Diferente do individualismo ocidental moderno, a identidade de uma pessoa
dependia da honra de sua família e de sua comunidade.
Honra Atribuída vs. Adquirida: A honra podia ser herdada pelo nascimento
(atribuída) ou conquistada através de feitos
públicos, sabedoria e retidão (adquirida).
O Sangue e o Nome: Manter o nome limpo era mais valioso do que as riquezas
materiais. A quebra de um pacto ou a rebeldia pública traziam vergonha
extrema sobre toda a linhagem familiar.
1Mais digno de
ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do
que a riqueza e o ouro. (Provérbios 22:1)
Nota: Em Provérbios 22:1, "graça" (Chen hb.) não se refere à salvação espiritual, mas ao favor, estima,
benevolência e boa aceitação social que alguém recebe dos outros
por causa de sua integridade e boa reputação, valendo mais do que ouro ou
prata.
No Antigo Testamento (Hebraico): Chen (merecimento)
No Novo Testamento (Grego): Charis tou Theou (não merecimento)
TEXTO ÁUREO
“Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.” (Gn 32.28).
Em hebraico transliterado:
Vayomer, lo Yaakov yeamer od shimcha, ki im Yisrael ki sarita im Elohim, veim anashim vatuchal.
Este episódio de Gênesis 32.28 marca o ápice da transformação espiritual de Jacó, que deixa de ser um "suplantador" para se tornar o patriarca de uma nova nação sob o nome de Israel. Esse momento ocorre no vau de Jaboque, na véspera do reencontro com seu irmão Esaú, onde Jacó luta a noite inteira com um homem (revelado como o próprio Deus ou o Anjo do Senhor).
Etimologia das
Palavras-Chave
O texto bíblico original foi escrito em hebraico. Abaixo estou
deixando o significado das palavras-chave no contexto original:
Jacó (יַעֲקֹב - Ya'akov): Significa "aquele
que segura o calcanhar" ou "suplantador/enganador".
Deriva da raiz 'akav (calcanhar). O nome reflete seu nascimento
(segurando o calcanhar de Esaú seu irmão) e seu comportamento inicial de passar
os outros para trás.
Nesse vídeo rápido explico em detalhes a origem e semântica do significado do nome: https://www.youtube.com/watch?v=MGAg76aWCOM&t=29s
Israel (יִשְׂרָאֵל - Yisra'el): Significa "Deus luta" ou "aquele que luta com Deus". Composto por sarah (lutar/persistir) e El (Deus). O nome muda o foco do caráter de Jacó: de alguém que dependia de seus próprios esquemas para alguém que depende do agir de Deus.
Príncipe (שָׂרִיתָ - Sarita / Sar): A tradução "como príncipe lutaste" vem da raiz sarah. No hebraico original, a expressão funciona mais como um verbo: "governar", "ter poder" ou "exercer domínio". Significa que Jacó agiu com a dignidade e a força de um governante ao persistir na luta. (Estava lutando pela benção/vida de sua família e sua própria).
Lutar (שָׂרָה - Sarah): Significa "persistir",
"combater" ou "esforçar-se continuamente". Não
indica uma rebeldia destrutiva, mas um engajamento físico e espiritual intenso,
uma busca obstinada pela bênção.
Prevalecer (יָכֹל - Yakhol): Significa "ser capaz", "vencer", "suportar" ou "ter capacidade para". Jacó não derrotou Deus no sentido físico (tanto que sua coxa foi deslocada), mas prevaleceu porque não desistiu até receber a bênção divina.
CURIOSIDADE: O nome Sara (שָׂרָה) e o verbo "lutar" ou "persistir" (שָׂרָה) no hebraico é um caso de homonímia (palavras com a mesma grafia, mas significados e origens diferentes).
Duas palavras diferentes
com a mesma grafia
Como substantivo
feminino Sarah (שָׂרָה) significa (Princesa/Governante) e deriva
da raiz que significa "governar",
"reinar" ou "ter autoridade".
O masculino é Sar (שַׂר - príncipe/chefe).
Como verbo Sarah (שָׂרָה)
significa (Lutar/Persistir) e na escrita é idêntico ao nome de Sarah (שָׂרָה).
O nome Israel
une o verbo sarah (lutar) com o sufixo El (Deus), significando
"Aquele que luta com Deus" ou "Deus luta".
Resumo Visual
- שָׂרָה
Sarah (Substantivo):
Princesa (Raiz: governar).
- שָׂרָה
sarah (Verbo): Lutar
/ Persistir (Raiz: combater).
- יִשְׂרָאֵל Yisrael (Israel): Junção de "Lutar" + "Deus".
Pra você entender isso em português:
Palavras (Iguais na grafia e som):
- O
Caminho (substantivo) / Eu caminho (verbo).
- Manga (fruta) / Manga (da camisa).
Do Ponto de Vista
Teológico A Luta de Jacó com o Anjo tem Três pontos:
A Necessidade do Quebrantamento:
Deus toca na articulação da coxa de Jacó (o músculo mais forte do corpo).
Teologicamente, isso
mostra que para "vencer" com Deus, o homem precisa ser esvaziado de
sua própria força carnal. Jacó venceu sendo manco; sua vitória veio pela
fraqueza e dependência.
Mudança de Identidade e Conversão: No Antigo Testamento, o nome definia o caráter e o destino da pessoa.
Vayomer elav: ma shmecha? Vayomer: Ya'akov.
"E o anjo disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele respondeu: Jacó."
Ao perguntar: "Qual é o teu nome?", Deus força Jacó a
confessar quem ele era: "Sou
o suplantador/enganador".
Ao mudá-lo para Israel,
Deus apaga o passado de fraudes e inaugura uma nova história baseada na
promessa e na graça.
Teofania e Graça: Esse episódio é uma Teofania (manifestação visível de Deus). O fato de Jacó ter visto a Deus "face a face" (poderia ter lhe causado a morte) e ter sua vida poupada revela o conceito da Graça Divina.
Ponto de Vista Cultural
A Importância da Bênção do Patriarca: Na cultura do Antigo Oriente, a
bênção verbal e a herança espiritual eram garantias de sobrevivência,
fertilidade e proteção para toda a linhagem familiar. Jacó sabia que enfrentar Esaú sem a aprovação e proteção
divina seria o fim de sua descendência.
Ritos de Passagem e Fronteiras: O rio
Jaboque funcionava como uma fronteira geográfica e cultural. Cruzar o rio significava deixar
a terra de Labão (exílio) e entrar na Terra Prometida. Passar a noite
sozinho na fronteira é um clássico elemento cultural de "rito de
passagem", onde o herói precisa enfrentar seus medos antes de assumir sua
nova posição de liderança.
Origem de um Tabu Alimentar: O texto de Gênesis menciona que, por causa do toque na coxa de Jacó, os israelitas até hoje não comem o nervo ciático dos animais. Isso demonstra o impacto cultural profundo que o evento gerou na identidade gastronômica e religiosa do povo judeu.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
- GÊNESIS 32.22-31.
22 — E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as
suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o
vau de Jaboque.
23 — E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez
passar tudo o que tinha.
24 — Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um
varão, até que a alva subia.
25 — E, vendo que não prevalecia contra ele, tocou
a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com
ele.
26 — E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu.
Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares.
27 — E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse:
Jacó.
28 — Então, disse: Não se chamará mais o teu nome
Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e
prevaleceste.
29 — E Jacó lhe perguntou e disse: Dá-me, peço-te,
a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.
30 — E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel,
porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva.
31 — E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.
I. A FAMÍLIA DE JACÓ
1. Um encontro especial. Jacó encontrou Raquel, filha de Labão, quando ela tentava
dar de beber aos rebanhos de seu pai, pois era pastora de ovelhas (Gn 29.10).
Ela era a filha mais nova de Labão e tornou-se o grande amor de Jacó. Porém, ele chegou à casa de seu tio sem dinheiro algum.
Naquele tempo, era
necessário dar ao pais da noiva um dote antes do casamento. Sem recursos
financeiros, Jacó fez um acordo com seu tio: Ele
trabalharia sem receber nada em troca durante sete anos para ter Raquel como
esposa. O acordo de sete anos foi firmado entre o tio e o sobrinho. Jacó trabalhou duro e cumpriu
seu acordo, mas Labão o enganou. Depois de dar um banquete pelo suposto
casamento com Raquel, na noite de núpcias, em lugar de entregar Raquel ao
genro, pôs Leia ao lado dele (Gn 29.23).
NOTA:
Três razões objetivas para Jacó não ter percebido que não era Raquel na
noite de núpcias:
- Escuridão
total: As tendas e quartos nupciais
na antiguidade não tinham iluminação artificial; a noite era completamente
escura.
- O véu
nupcial: Lia usava um véu pesado que
cobria totalmente o seu rosto e o seu corpo, uma tradição cultural
rigorosa da época.
- Silêncio
deliberado: Lia permaneceu em
silêncio ou sussurrou para não revelar a sua voz, cumprindo o plano de
engano de seu pai, Labão.
2. O enganador é enganado. Jacó colheu aquilo que ele semeou: mentira e engano. Deus
nos perdoa, mas também nos disciplina. O princípio espiritual do Senhor
permanece o mesmo: “Não erreis [...] tudo o que o
homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7; Pv 22.8). Talvez, esse triste
acontecimento — ser ludibriado pelo próprio tio — tenha feito Jacó refletir a
respeito de seus atos e do mal que causara quando enganou seu pai e seu irmão
(cf. cap. 27). Leia era a filha mais velha
de Labão, e ele não teve escrúpulos em usá-la para enganar Jacó. O amor
de Jacó por Raquel era grande, e seu trabalho era lucrativo para Labão. Jacó não desistiu de sua amada e trabalhou pesado por
mais sete anos por ela. Aprendemos que o amor não desiste com
facilidade.
3. Muitos filhos. Este triste episódio na vida de Jacó nos mostra que a
poligamia era algo comum naquele tempo; no entanto, contrariava e continua
contrariando o propósito de Deus para o ser humano — o casamento monogâmico e
hétero, um homem e uma mulher (Gn 2.24). Na Nova Aliança, a monogamia é
a única forma legítima de casamento (Mt 19.4-6; Mc 10.4-9).
A poligamia trouxe consequências terríveis para as famílias,
em especial a família de Jacó. Porém, Deus honrou a Jacó e lhe concedeu muitos
filhos. Os filhos sempre foram e são “heranças do Senhor”, ou seja, são uma
recompensa que Ele nos dá (Sl 127.3).
Jacó teve filhos com Leia e com a serva dela. Também teve
filhos com Raquel e sua serva. Com Leia, Jacó teve os seguintes filhos: Rúben,
Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom (Gn 29.32-35; 30.17-20), totalizando seis
filhos e mais uma filha, a quem deu o nome de Diná (Gn 30.21). Com a serva de
Leia, Zilpa, teve dois filhos, Gade e Aser (Gn 30.9-13).
Com sua amada esposa teve dois filhos. São eles: José e Benjamim (Gn 30.22-24; 35.16-19). Com Bila, serva de Raquel, teve mais dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8). Apesar de seus erros, Jacó foi honrado pelo Senhor, e seus filhos tornaram-se os líderes das doze tribos de Israel.
NOTA: Poligamia ou
Concubinato?
O caso de Jacó ao receber Lia no lugar de Raquel deve ser encarado como poligamia, e não como concubinato.
Diferenças no Status
de Lia e Raquel
Lia e Raquel eram esposas
legítimas: Do ponto
de vista legal e cultural da época, tanto Lia quanto Raquel
tinham o status oficial e idêntico de esposas principais. A primeira
união com Lia foi validada pela cerimônia pública e pela consumação física. Uma
semana depois, Jacó casou-se formalmente com Raquel.
Onde entra o concubinato
na história? O concubinato aconteceu mais tarde, quando as servas Bila
(dada por Raquel) e Zilpa (dada por Lia) foram entregues a Jacó para
gerar filhos. Na estrutura familiar do Antigo Oriente, Bila e Zilpa eram as concubinas,
que possuíam direitos e status social inferiores aos de Lia e Raquel.
Embora a primeira união tenha ocorrido por meio de um engano arquitetado por Labão, o direito antigo validou o casamento com Lia. Portanto, a configuração familiar de Jacó com as duas irmãs configurou um casamento poligâmico.
II. JACÓ DESEJA RETORNAR À
SUA TERRA
1. Jacó almeja retornar
para sua casa. Depois de trabalhar vários
anos para seu tio, Labão, Jacó sentiu o desejo de retornar à sua terra logo
após Raquel dar à luz a José. Ele pediu que seu tio o liberasse,
juntamente com suas esposas e seus filhos, pelas quais ele trabalhou durante
anos (Gn 30.25-27). Mas o trabalho de Jacó era
lucrativo para Labão, e a saída de Jacó de sua casa não seria tão fácil.
Labão pede que Jacó o continue servindo e faz uma nova proposta ao genro, pois
estava vendo seus bens aumentarem com a bênção de Deus sobre o trabalho de Jacó
(v.27).
NOTA:
Este tópico retrata o momento em que Jacó decide focar no futuro de sua própria família após cumprir 14 anos de trabalho por suas esposas. O nascimento de José é o gatilho para ele buscar a independência e retornar à terra de seus pais.
Três pontos centrais dessa passagem:
- Justiça
vs. Exploração: Jacó pede apenas o que
é seu por direito (sua família), pois seu foco agora estava no seu
futuro: Ele deixa de pensar como um trabalhador dependente e passa a
focar no legado e no sustento de sua própria descendência. Mas Labão tenta retê-lo por
puro interesse financeiro.
- Bênção
Divina Visível: Labão enriqueceu e
reconhece abertamente que a prosperidade de seus bens é fruto da presença
de Deus na vida de Jacó.
- Transição de Ciclo: A proposta de salário feita por Labão inicia uma nova fase, onde Deus intervirá diretamente para prosperar Jacó antes de sua partida definitiva.
2. O acordo entre Labão e Jacó. Labão não concordou com o pedido de Jacó de ir para a sua terra. Ele pediu que Jacó ficasse ali, pois reconheceu que o Senhor estava abençoando sua vida e sua casa por amor de Jacó (Gn 30.27). Para que Jacó não deixasse sua casa, Labão fez a seguinte proposta: “Determina-me o teu salário, que to darei” (Gn 30.28). Jacó deseja trabalhar para o bem de sua família, e não mais para o enriquecimento de seu tio. Então, ele propôs que todos os animais “salpicados e malhados”, e “todos os morenos entre os cordeiros”, e o que era “malhado e salpicado entre as cabras”, seriam dele. Então, Labão aceita a proposta dizendo: “que seja conforme a tua palavra” (Gn 30.34).
Para entender O Mistério das Varas de Jacó
leia esse artigo: https://omanadehoje.blogspot.com/2026/06/o-misterio-das-varas-de-jaco-magia.html
Certo dia, quando o sogro se afastou para tosquiar ovelhas,
Jacó fugiu de Labão, com suas mulheres e seus filhos. Depois de três dias da
fuga, Labão tomou conhecimento de que Jacó fugira com sua família. Revoltado,
saiu em perseguição a Jacó e o encontrou na montanha de Gileade (Gn 31.22,23). A intenção de Labão era de represália a Jacó, mas Deus
interveio mais uma vez em favor do patriarca e impediu Labão de fazer o mal (Gn
31.24-29).
Quando encontrou Jacó Labão questionou o desaparecimento de
seus deuses. Então, Jacó disse a Labão: “Com quem
achares os teus deuses, esse não viva” (Gn 31.32). Jacó não imagina que Raquel, a
esposa amada, tinha-os furtado (Gn 31.33-35). Labão
era idólatra e tinha vários ídolos em sua casa, e sua filha Raquel seguiu o
exemplo do pai. Na fuga com Jacó, ela furtou os deuses de Labão.
Não encontrando os
deuses Labão se foi, e Jacó prosseguiu sua caminhada em direção à casa de seus
pais e enviou um presente para seu irmão, Esaú. Então, Esaú deslocou-se em
direção a Jacó; este ficou tão temeroso de uma possível vingança que clamou a
Deus dizendo: “Deus de meu
pai Isaque, ó Senhor, que me disse: Torna à tua terra e à tua parentela,
livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú” (Gn 32.9-11). Em
seguida, enviou um grande presente para Esaú (Gn 32.14,15).
3. Deus manda Jacó
retornar à casa de seus pais.
Os pontos centrais
desse tópico:
- Inveja
e Hostilidade: Os filhos de Labão acusam Jacó falsamente de
roubo, e o próprio Labão muda o tratamento com ele devido ao crescimento
dos rebanhos.
- Ordem
Divina: Deus intervém no ambiente hostil e ordena que Jacó
retorne à terra de seus pais, prometendo estar com ele.
- A Fuga
e o Furto: Jacó foge em segredo enquanto Labão tosquia
ovelhas; sem o conhecimento de Jacó, Raquel furta os ídolos (deuses do
lar) de seu pai.
- Perseguição
e Livramento: Labão persegue e alcança Jacó em Gileade após
três dias, mas Deus aparece a Labão em sonho e o proíbe de fazer mal a
Jacó.
- Busca
Fracassada: Labão revista as tendas atrás de seus deuses,
mas não os encontra porque Raquel os esconde sob a sela do camelo e se
recusa a levantar.
- O Medo de Esaú: Ao seguir viagem para Canaã, Jacó descobre que Esaú vem ao seu encontro com 400 homens, teme, e clama a Deus por livramento e envia presentes para aplacar o irmão.
SINOPSE II
Deus colocou no coração de Jacó o desejo de retornar à sua terra.
III. JACÓ NO VAU DO
JABOQUE
1. A angústia e o medo de
Jacó. Aquele foi um momento muito significativo na vida de
Jacó. Obedecendo a voz de Deus, ele estava retornando para a sua terra com toda
a sua família. No entanto, estava muito temeroso com a reação de seu irmão
Esaú. Como seria o encontro entre eles? Ninguém poderia imaginar. Jacó decide
enviar, por intermédio de seus servos, um presente ao seu irmão.
Jacó teve medo e ficou angustiado ao saber que seu irmão
vinha ao seu encontro com 400 homens, um pequeno exército (Gn 32.6). Em meio às
situações adversas que enfrentamos, precisamos fazer como Jacó: buscar o
socorro divino elevar os olhos aos céus (Sl 121.1,2). Elevar os olhos aos céus
é a atitude de quem ora a Deus e confia no seu livramento.
Em meio a aflição, Jacó elabora um plano: Dividir suas esposas e filhos e os que estavam com ele em dois grupos, como também os animais. Se Esaú atacasse um grupo, o outro teria a possibilidade de escapar. Vemos aqui a preocupação de Jacó em proteger sua família. Cabe ao homem, o sacerdote do lar, proteger e cuidar da segurança de sua esposa e filhos. Protegê-los com suas orações e jejuns para que Deus os livre de todo o mal. Como anda a proteção de sua família?
Os pontos centrais desse item 1:
- O Medo
da Reação de Esaú: Jacó enfrenta extrema
angústia e incerteza sobre como será o reencontro com seu irmão após anos
de separação.
- A
Ameaça dos 400 Homens: O temor de Jacó
aumenta drasticamente ao receber a notícia de que Esaú vem ao seu encontro
com um pequeno exército.
- Busca
por Socorro Divino: Diante da crise, a
primeira atitude de Jacó é orar, confiar no livramento de Deus.
- Plano
Estratégico de Emergência:
Jacó divide sua família, servos e rebanhos em dois grupos separados,
garantindo que, se um fosse atacado, o outro poderia escapar.
- O
Papel de Protetor do Lar: A
atitude de Jacó destaca a responsabilidade do homem em zelar pela
segurança e proteção física e espiritual de sua esposa e filhos.
2. Jacó ficou só e lutou
com o anjo. Naquela noite, após sua família passar adiante, ele
ficou só; certamente para orar a Deus e buscar seu socorro. Então lhe apareceu um homem (um anjo) que lutou com ele
até o romper do dia. A luta de Jacó com o anjo durou toda a noite (Gn
32.22,23). Há momentos em que uma oração sincera
basta para que Deus responda (Jr 33.3). Mas há situações que exigem
perseverança: orar, interceder e jejuar, mesmo sem resposta imediata.
Nessas horas, devemos agir como Jacó, que lutou em fé e declarou: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26). Vemos aqui perseverança, constância.
Os pontos centrais do
item 3:
- Momento
de Solidão: Jacó envia toda a sua família adiante e fica
sozinho à noite para buscar o socorro de Deus.
- O
Confronto Noturno: Um homem (o Anjo do Senhor) aparece e luta corporalmente
com Jacó durante toda a noite, até o amanhecer.
Jacó, porém, ficou
só; e lutou com ele um varão,
até que a alva subia. (Gn. 32.24).
"Vayivater Ya'akov levado,
vayye'avek ISH
'imo 'ad 'alot hashachar."
Tradução literal termo a termo pros
irmãos que gostam:
Vayivater: E ficou
Ya'akov: Jacó
levado: só, sozinho
vayye'avek: e lutou
ish: um homem
'imo: com ele
'ad: até
'alot: o subir de / o romper de
hashachar: a alva / o amanhecer
Veja
esse vídeo pra entender os termos hebraicos que provam como foi a luta:
https://www.youtube.com/watch?v=WKvbmZfxglE
- Perseverança
na Oração: Enquanto algumas respostas divinas são
imediatas, outras situações exigem insistência através de clamor, jejum e
intercessão persistente.
- Determinação
da Fé: Jacó demonstra constância e fé inabalável ao segurar o
Anjo e declarar que não o soltaria até receber a bênção.
A luta no vau do Jaboque marca a morte do "Velho
Jacó" e o nascimento de "Israel".
- Uma
Luta contra o Próprio Eu: Mais
do que um combate físico, aquela noite foi um confronto espiritual.
Jacó passou a vida inteira tentando conseguir as coisas por meio de
trapaças, mentiras e força própria (com Labão, Isaque e Esaú). No Jaboque, Deus o encurrala para mostrar que as
promessas divinas não seriam alcançadas por esperteza humana, mas por
rendição.
Assista esse vídeo e VEJA OUTRA
PERSPECTIVA sobre a LUTA DE JACÓ:
https://www.youtube.com/watch?v=6EvZ1mvS4kU&t=179s
- A
Manifestação de Cristo (Teofania): O texto diz que Jacó lutou
com um "homem/ish
hb", mas depois o próprio Jacó confessa: "Vi a Deus face a
face"
(Gn 32.30). O profeta Oséias 12.4
confirma que ele lutou com o Anjo. Teólogos concordam que essa foi
uma teofania (ou cristofania): a manifestação do próprio Jesus
Cristo em forma humana antes de sua encarnação.
- O
Toque na Coxa (A Quebra do Orgulho): O Anjo toca na articulação da coxa de Jacó,
deslocando-a. A coxa e o quadril representam a base da força física de um
homem. Ao
mancar, Jacó perde a capacidade de lutar com o Anjo ou de fugir de Esaú.
Deus o enfraquece fisicamente para que ele se torne forte espiritualmente,
dependendo exclusivamente da graça divina.
- A Mudança de Nome e Identidade: Antes de abençoá-lo, o Anjo pergunta: "Qual é o teu nome?". Dizer "Jacó" significava confessar: "Eu sou o suplantador, o enganador". Ao assumir quem era, Deus muda seu nome para Israel ("aquele que luta com Deus e prevalece"). Ele venceu não porque derrotou a Deus, mas porque persistiu até ser transformado por Ele.
3. Jacó é transformado. Depois daquele encontro entre Jacó e o anjo, ele não foi mais o mesmo homem. Aprendemos aqui que quem tem um encontro real com Deus não é mais o mesmo. Não podemos sair da presença do Senhor da mesma maneira. Ele nos modela, nos transforma, assim como o barro na mão do oleiro (Jr 18.1-6). Muitos dizem conhecer a Deus e serem cheios do Espírito Santo, mas os anos passam, e nunca vemos mudança em seu caráter e temperamento; logo, podemos dizer que esses ainda não experimentaram um relacionamento verdadeiro com o Eterno, pois não se deixaram transformar por sua presença.
SINOPSE III
Jacó ergue uma coluna em Betel e faz um voto ao Senhor.
VERDADE PRÁTICA
Somente Deus pode transformar o caráter e a vida do ser humano.
APLICAÇÃO
Depois de fazer a exposição dos tópicos, aplique as verdades estudadas, mostrando que, na Nova Aliança, somente a ação do Espírito Santo pode transformar o nosso velho homem.
CONCLUSÃO
Jacó teve muitos momentos difíceis em sua vida; no entanto,
um dos piores momentos foi quando ele enganou seu pai. Esaú prometeu matá-lo, e
ele teve que fugir, indo morar com seu tio, Labão. Na casa de seu tio,
trabalhou muito, foi enganado e invejado. Então, o Senhor colocou em seu
coração o desejo de retornar à sua terra. Mas a saída da casa de seu tio não
foi nada fácil, nem foi fácil o reencontro com seu irmão Esaú.
Em seu retorno para casa, ele lutou com o anjo e teve seu nome mudado. Jacó, em Peniel, declarou: “Vi Deus face a face”. Seu encontro com o Senhor salvou-lhe a vida e trouxe uma grande transformação de dentro para fora.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Qual o local do primeiro encontro entre Jacó e
Raquel?
Jacó encontrou Raquel, filha de Labão, seu tio, quando ela
tentava dar de beber aos rebanhos de seu pai, pois era pastora de ovelhas (Gn
29.10).
2. Qual o nome da filha de Labão que ele usou para
enganar Jacó no dia do casamento?
Leia.
3. Quantos anos Jacó trabalhou por Leia e Raquel,
respectivamente?
Ele trabalhou sete anos.
4. Quais os nomes dos filhos de Jacó com Leia e sua
serva Zilpa?
Com Leia, Jacó teve os seguintes filhos: Rúben, Simeão, Levi,
Judá, Issacar e Zebulom, totalizando seis filhos, e mais uma filha, a quem deu
o nome de Diná. Com a serva de Leia, Zilpa, teve dois filhos, Gade e Aser.
5. Quais os nomes dos filhos de Jacó com Raquel e
sua serva Bila?
Com sua amada esposa, teve dois filhos. São eles: José e
Benjamim. Com Bila, serva de Raquel, teve mais dois filhos: Dã e Naftali.