googlefc.controlledMessagingFunction Lição 8: O Deus Espírito Santo - Data: 22 de fevereiro de 2026

Lição 8: O Deus Espírito Santo - Data: 22 de fevereiro de 2026

 

INTRODUÇÃO 

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino e coigual ao Pai e ao Filho. Ele não é uma força impessoal, mas Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja. Nesta lição, estudaremos sua Pessoa, sua divindade e suas principais obras, confirmando sua atuação indispensável na vida cristã e na missão da Igreja.


 OBJETIVOS DA LIÇÃO

Mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, distinta, mas coigual ao Pai e ao Filho

Evidenciar a plena divindade do Espírito Santo e seus atributos

Ressaltar as principais obras do Espírito Santo: encarnação, ressurreição e santificação.


Palavras-Chave: ESPÍRITO SANTO

NOTA: Biblicamente, o Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade (ao lado do Pai e do Filho), sendo plenamente Deus, eterno e pessoal.

Há quatro pilares da sua definição nas Escrituras:

  • Em relação à Sua Natureza, ela é Divina: A Bíblia o identifica como Deus; mentir ao Espírito Santo é descrito como mentir ao próprio Deus, conforme o relato em Atos 5:3-4.
  • Em relação ao Seu Ser, Ele tem Personalidade: Ele não é uma "força", pois possui intelecto, vontade e emoções — Ele pode ser entristecido, Ele ensina, intercede e toma decisões por conta própria.
  • Em relação à Sua obra, Ele age como Consolador (Parakletos): Jesus prometeu enviar "outro Consolador" como Ele para estar conosco para sempre, alguém que convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo, como detalhado no Evangelho de João 16.
  • Atuou na Criação e Inspiração: Ele pairava sobre as águas no Gênesis e é o autor final das Escrituras, tendo inspirado os Profetas e Apóstolos a registrarem a vontade divina

 

NOTA para a natureza do Espírito Santo para diferentes grupos religiosos

  • Judaísmo: O Ruach HaKodesh é entendido como o sopro ou o poder divino de Deus que inspira os profetas e purifica os seres, não sendo uma pessoa distinta, mas a própria manifestação da vontade e presença de Deus no mundo.
  • Testemunhas de Jeová: Creem que o Espírito Santo não é uma pessoa ou parte de uma trindade, mas sim a força ativa impessoal de Deus, usada por Ele para realizar Sua vontade.
  • Espiritismo: Define o Espírito Santo como o conjunto de Espíritos Puros e benfeitores que atuam como o "Consolador Prometido" para guiar a humanidade, ou como a própria emanação do pensamento de Deus.
  • Unicismo (Igrejas do Nome de Jesus): Entende que o Espírito Santo é simplesmente o próprio Pai em ação, pois acreditam que Deus é uma única pessoa (Jesus) que se manifesta de diferentes formas.

 

No Hebraico do (Antigo Testamento) o termo para Espírito Santo é Ruach HaKodesh.             

A palavra Ruach evoca a ideia de uma força invisível, mas poderosa, como o vento que move as árvores ou o fôlego que mantém alguém vivo. Embora eu “O” tenha comparado com “força invisível/vento” não estou dizendo que não seja pessoal!

Aparece nas Escrituras em Gênesis 1:2

"Vehaaretz hayetah tohu vavohu vechoshekh al-pene tehom veruach Elohim merachephet al-pene hammayim."
(A terra era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.)

  • Salmo 51:11

"Al-tashlikheni millephanekha veruach qodshekha al-tiqqach mimmenni."
(Não me repulses da tua presença, nem retires de mim o teu Santo Espírito.)

  • Ruach (רוּחַ): Espírito, sopro ou vento.
  • Qodshe- (קָדְשׁ): Santidade ou santo.
  • -kha (ךָ): É um sufixo possessivo que significa "teu" ou "tua".

 

Aparece também em Isaías 63:11

Vayyizkor yemey-olam Mosheh ammo, ayeh hamma’alem miyyam et ro’ey tsono, ayeh hassam beqirbo et-ruach qodsho?
(Então se lembrou dos dias antigos, de Moisés e do seu povo, dizendo: Onde está aquele que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está o que pôs no meio deles o seu Espírito Santo?)


No Grego do (Novo Testamento) o termo é Pneuma Hagion, e essa expressão ganha uma identidade pessoal e específica como a terceira pessoa da Trindade.

Aparece nas Escrituras gregas em Mateus 28:19

"Poreuthentes oun mathēteusate panta ta ethnē, baptizontes autous eis to onoma tou Patros kai tou Huiou kai tou Hagiou Pneumatos."
(Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.)

Aparece também em João 14:26

"Ho de Paraklētos, to Pneuma to Hagion ho pempsei ho Patēr en tō onomati mou, ekeinos hymas didaxei panta kai hypomnēsei hymas panta ha eipon hymin egō."
(Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.)

E em Atos 1:8

"Alla lēmpsesthe dynamin epelthontos tou Hagiou Pneumatos eph' hymas, kai esesthe mou martyres en te Ierousalēm kai en pasē tē Ioudaia kai Samareia kai heōs eschatou tēs gēs."
(Mas recebereis poder, ao sobrevir o Espírito Santo sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.)


Pra você que gosta de grego decorar a pronúncia:

  • Ruach: O "ch" final tem um som de um "r" forte e raspado na garganta (como no nome "Bach" ou na palavra "carro").
  • Pneuma: O "p" inicial é pronunciado levemente antes do "n" (p-nê-uma).
  • Hagion: O "h" inicial funciona como um "r" suave, como na palavra inglesa house.


TEXTO ÁUREO 

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (Jo 14.16).

NOTA:

Texto em Grego (Koiné)

κἀγὼ ἐρωτήσω τὸν πατέρα καὶ ἄλλον παράκλητον δώσει ὑμῖν, ἵνα μένῃ μεθ' ὑμῶν εἰς τὸν αἰῶνα.

Transliteração

Kagō erōtēsō ton patera kai allon paraklēton dōsei hymin, hina menē meth’ hymōn eis ton aiōna.

 

No grego bíblico temos dois termos para o ato de pedir ou orar: Erōtēsō e deomai! Ambos e têm sentidos diferentes:

Um paralelo curioso entre Erōtēsō e deomai!

1. Erōtēsō (ἐρωτήσω)

É a forma futura do verbo erōtaō. Significa "pedir""rogar" ou "interrogar"Esse termo sugere um pedido feito por alguém que está em uma posição de certa igualdade ou intimidade com quem recebe o pedido.

O texto áureo mostra um uso famoso onde o termo é usado por Jesus dizendo: "E eu rogarei (erōtēsō) ao Pai, e ele vos dará outro Consolador". Aqui, indica a intercessão íntima de Cristo junto ao Pai. 

Diferente de deomai (δέομαι) que significa "suplicar""implorar" ou "rogar urgentemente".

Deomai (δέομαι) carrega um senso de necessidade profunda ou carência pessoal. É um pedido mais humilde e urgente, frequentemente traduzido como "implorar" ou "fazer súplicas".

Aparece em Mateus 9:38"Rogai (deēthēte - forma de deomai), pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara". O uso aqui enfatiza a urgência e a dependência total de Deus para enviar trabalhadores.

 

Erōtēsō (ἐρωτήσω) na sua etimologia significa “Rogarei / Pedirei”.

No grego bíblico erōtēsō assume o tom de “pergunta”, “conversa”, é como um pedido feito por alguém em posição de igualdade ou intimidade.

Diferente de deomai (δέομαι) que significa (suplicar como um carente), Jesus usa um termo que reflete sua relação direta e familiar com o Pai.

Allon (ἄλλον) “Outro” (da mesma espécie).

O grego tem duas palavras para "outro": heteros (outro de uma espécie diferente) e allos (outro da mesma espécie). Ao usar allon, Jesus enfatiza que o Consolador é exatamente como Ele mesmo em essência e natureza.

Paraklēton (παράκλητον) é o termo grego para Consolador / Advogado / Auxiliador.

Paraklēton na sua etimologia é composto por para ("ao lado de") + kaleō ("chamar"). É "aquele que é chamado para estar ao lado". No contexto jurídico da época, era o assistente legal que defendia uma causa em tribunal. Define o Espírito Santo como quem intercede, encoraja e fortalece.

CURIOSIDADE: Paraklētos não é mais usado para advogado. No grego moderno é δικηγόρος (pronuncia-se dikigóros). 

Essa palavra deriva de diki (justiça/processo) e ágorevo (falar em público), significando literalmente aquele que fala em favor da justiça em um tribunal

O termo é o mesmo para ambos os gêneros (o dikigóros para homens, i dikigóros para mulheres).

Advogado de defesa: συνήγορος (synígoros).

Advogado de acusação: κατήγορος (katígoros). Veja esse vídeo: O Diabo – O Acusador https://www.youtube.com/watch?v=EfVybCmKv3g

 

Aiōna (αἰῶνα) significa sempre / eternidade / uma era.

Deriva de aei ("sempre"). Refere-se a um período de tempo contínuo ou a uma era. No texto, indica que a presença do Consolador não é temporária como foi a presença física de Cristo, mas perpétua.

O Apocalipse traz a frase famosa, εἰς τοὺς αἰῶνας τῶν αἰώνων (is tous aionas ton aionon), traduzido como "pelos séculos dos séculos"


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE João 14.25-31 

25 — Tenho-vos dito isso, estando convosco.

26 — Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

27 — Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

28 — Ouvistes o que eu vos disse: vou e venho para vós. Se me amásseis, certamente, exultaríeis por ter dito: vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.

29 — Eu vo-lo disse, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

30 — Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo e nada tem em mim.

31 — Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.

 

I. A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO 

1. O Espírito Santo é uma Pessoa. O Espírito não é uma força impessoal, uma energia ou uma influência, mas o próprio Deus. Ele é a Terceira Pessoa da Trindade. Ele age com autonomia, exercendo funções próprias de uma Pessoa. Ele tem propósito, mente e consciência, o que comprova sua racionalidade (Rm 8.27). Ele pode ser entristecido, o que envolve sensibilidade e emoções (Ef 4.30). Ele ensina e faz lembrar, o que demonstra inteligência e comunicação consciente (Jo 14.26). Ele guia os crentes, função que exige entendimento e relacionamento (Jo 16.13). Ele distribui os dons soberanamente, o que confirma sua vontade em ação (1Co 12.11). Ele fala com clareza, chama pessoas e designa tarefas, que são ações de uma Pessoa divina (At 13.2). Negar sua Pessoa é mutilar a Trindade.

NOTA: O que define uma pessoa!?

Investigar a "pessoalidade" do Espírito Santo exige diferenciar o conceito biológico de pessoa do conceito filosófico e teológico.

Na teologia e na filosofia, o que define uma "pessoa" não é a posse de um corpo físico, mas a presença de personalidade, que se manifesta através de três faculdades centrais: 

1. Elementos que Definem uma Pessoa são: Intelecto (Mente), Volição (Vontade), Emoção (Sentimento).

 

O Intelecto (Mente) é a capacidade de processar informações, raciocinar e possuir conhecimento. A Volição (Vontade) é a capacidade de tomar decisões deliberadas, escolher e agir com propósito. E a emoção (Sentimento) é a capacidade de responder afetivamente a situações ou relacionamentos. 

E o Espírito Santo como Pessoa tem Intelecto: Ele ensina, faz lembrar (João 14:26) e "sonda as profundezas de Deus" (1 Coríntios 2:10-11). Ele tem Vontade: Ele distribui dons "conforme lhe apraz" (1 Coríntios 12:11) e toma decisões administrativas, como impedir ou guiar viagens missionárias (Atos 16:6-7). Ele tem Emoções: A Bíblia afirma explicitamente que o Espírito pode ser entristecido (Efésios 4:30) e que Ele tem amor (Romanos 15:30).

13Mas, quando vier aquele/ekeinos Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir. 14Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. (João 16:13-14)

João 16:13-14 em grego bíblico (Koiné) transliterado:

13 hotan de elthē aquele/ekeinos, to Pneuma tēs alētheias, hodēgēsei hymas en tē alētheia pasē; ou gar lalēsei aph’ heautou, all’ hosa akousei lalēsei, kai ta erchomena anangelei hymin. 14 ekeinos eme doxasei, hoti ek tou emou lēmpsetai kai anangelei hymin.

 

Ele também se Relaciona: O uso do pronome masculino "Ele" (em grego, ekeinos) por Jesus para se referir ao Espírito (que é um substantivo neutro no grego, pneuma) reforça sua identidade pessoal. 

Essa é uma das evidências gramaticais mais fascinantes para a pessoalidade do Espírito Santo no Novo Testamento. E só é possível notar na gramática inglesa e grega, onde existe a concordância de gênero: se uma palavra é neutra, o pronome que a substitui deve ser neutro. 

No entanto, no Evangelho de João, Jesus quebra essa regra gramatical para enfatizar que o Espírito não é uma "coisa" (it), mas uma "pessoa" (He). 

Na KJV (King James Version), que traduz com precisão essa intenção, vemos isso claramente em João 16:13-14


O Texto na KJV (João 16:13-14) 

Howbeit when he, the Spirit of truth, is come,

Mas, quando vier aquele Espírito da verdade,

he will guide you into all truth:  

ele vos guiará em toda a verdade

for he shall not speak of himself; but whatsoever he shall hear, that shall he speak:

porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido

and he will shew you things to come.

e vos anunciará o que há de vir. 

He shall glorify me: for he shall receive of mine, and shall shew it unto you." 

Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. 

 

A Análise Técnica (O Grego por trás da KJV) 

O Substantivo Neutro: A palavra grega para Espírito é Pneuma, que é do gênero neutro. Pela regra, o pronome deveria ser ekeino = “aquilo / isso” (Gênero Neutro). E não ekeinos = aquele / Ele (Gênero Masculino).

Essa "anomalia gramatical" é proposital. Ao usar um pronome pessoal masculino para se referir a um substantivo neutro, o texto está afirmando que a natureza pessoal do Espírito se sobrepõe ao gênero gramatical da palavra. 

 

Por que a KJV é importante aqui? 

Diferente de algumas traduções modernas que tentam suavizar a linguagem, a KJV mantém o uso rígido do "He" (Ele) e "Himself" (Si mesmo), preservando a distinção de que o Espírito Santo possui: 

  • Voz própria: "...shall he speak"  ele falará
  • Audição: "...whatsoever he shall hear" mas tudo o que ele ouvir
  • Vontade e Função: "...he will guide you" ele vos guiará 

Outro exemplo na KJV: João 14:26 

"But the Comforter, which is the Holy Ghost, whom the Father will send in my name, he shall teach you all things..." 

Aqui, o título Parakletos (Consolador) já é masculino no grego, mas a KJV faz questão de reforçar a personalidade com o pronome "he", tratando o "Holy Ghost" não como uma influência, mas como um Mestre/Instrutor.

 

2. Pessoa distinta na Trindade. A doutrina da Trindade afirma que Deus é um só em essência, mas subsiste em três Pessoas distintas conforme vemos no prefácio e saudação da 1Pe 1.2.

1Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, 2eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas.

Embora o Espírito Santo compartilhe da mesma natureza divina do Pai e do Filho, sendo plenamente Deus, Ele é uma Pessoa distinta dentro da unidade da Trindade (Tt 3.5). Essa distinção do Espírito Santo é essencial para refutar heresias, como o modalismo que ensina que Pai, Filho e Espírito são apenas “modos” sucessivos de uma única Pessoa divina. E o arianismo, que negava a divindade do Filho e do Espírito; e os pneumatómacos que negavam a deidade. Porém, as Escrituras ensinam que o Espírito é enviado pelo Pai e em nome do Filho, evidenciando seu papel distinto e sua missão específica (Jo 14.26). Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho, mas plenamente Deus (1Co 2.10,11).

NOTA: O termo pneumatómacos (do grego pneumatomachoi) significa literalmente "combatentes contra o Espírito"

Este grupo surgido no século IV é um marco histórico crucial, pois eles representam a principal resistência antiga à ideia de que o Espírito é uma pessoa divina. 

O que eles defendiam?

  • O Espírito Santo não era Deus, mas uma criatura ou um "servo".
  • Ele era visto como uma energia ou influência enviada por Deus, e não como uma pessoa coeterna e consubstancial ao Pai e ao Filho. 

 

3. O Consolador prometido. Jesus prometeu aos discípulos um divino companheiro: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). A palavra “Consolador” é tradução do grego paráklētos, que significa “aquele que encoraja e conforta”; e, “Ajudador”, que auxilia na necessidade; e, ainda “Advogado”, que intercede ou defende alguém perante uma autoridade. O vocábulo paráklētos aparece cinco vezes nos escritos de João, referindo-se tanto ao Espírito Santo como a Cristo (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7; 1Jo 2.1). Nesse contexto, o Espírito Santo é chamado de outro Consolador”, isto é, alguém da mesma natureza que Jesus. O Espírito Santo, portanto, não é inferior ao Filho, mas assume o papel da presença permanente de Deus na vida dos crentes.  

SINOPSE I

O Espírito Santo é uma Pessoa, distinta do Pai e do Filho, mas plenamente divina. 

 

II. A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO 

1. O debate “Filioque”. A expressão latina filióqüe significa “e do Filho”, foi inserida no Credo Niceno-Constantino-politano para reafirmar o ensino bíblico que o Espírito procede do Pai e do Filho (mas no sentido de envio, nunca de origem!): “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome” (Jo 15.26 — NAA); “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9); “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.6). Esse debate ocorreu no século IV por causa das heresias do arianismo e dos pneumatómacos. Em 381, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma essência divina, a igreja aprovou o Credo que ratificava as Escrituras e professava a fé: “no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

 

2. Os atributos divinos do Espírito. Todos os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo, tais como: Onipotência, o Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Lc 1.15; Rm 15.19). Onisciência, não existe nada além de seu conhecimento (At 5.3,4; 1Co 2.10,11). Onipresença, não há lugar algum onde se possa fugir da sua presença (Sl 139.7-10). Eternidade, Ele não passou a existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn 1.1,2; Hb 9.14). Esses atributos absolutos são exclusivos da divindade. Essas virtudes são, de modo inequívoco, evidências da deidade do Espírito Santo. Essas características lhe são inerentes, não foram agregadas nem conferidas. A Terceira Pessoa da Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.

 

3. Os símbolos do Espírito. Os principais símbolos representativos do Espírito Santo são: Fogo, utilizado para retratar o batismo no Espírito (At 2.3), simboliza pureza, a presença e o poder de Deus. Água, o Espírito faz fluir a (flui da Palavra) palavra como águas vivas que refrigeram o crente e o revestem de poder (Jo 7.37-39). Vento, se refere à natureza invisível do Espírito (Jo 3.8). No Pentecostes é representado pelo som como de um vento (At 2.2). Óleo, usado para a luz e a unção, simboliza a consagração do crente para o serviço, e a iluminação para o entendimento das Escrituras (2Co 1.21,22; 1Jo 2.20,27). Pomba, o Espírito desceu sobre Jesus em forma de pomba (Mt 3.16), é símbolo da paz e da mansidão. Cada símbolo atua como figuras para a compreensão do caráter e da atuação do Espírito.  

SINOPSE II

A divindade do Espírito é confirmada por seus atributos e símbolos revelados na Bíblia.  

 

III. AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO 

1. O Espírito Santo e a Encarnação. A encarnação do Filho de Deus revela o papel do Espírito como o agente divino na concepção de Jesus: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá [...] o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O Espírito Santo, em união com o poder do Pai, atua de modo sobrenatural no ventre de Maria. Embora Jesus tenha sido concebido pelo Espírito (Mt 1.18), Ele é Filho do Pai, pois foi gerado na eternidade (Mq 5.2; Jo 1.1). O evento é uma ação trinitária: o Pai envia o Filho (Gl 4.4); o Filho assume a forma humana (Fp 2.7); e o Espírito realiza o milagre da concepção (Mt 1.20). A divindade do Espírito é confirmada por sua participação direta na encarnação do Verbo, uma obra que somente Deus poderia realizar.

NOTA: Em Miquéias 5:2, o termo "origens//môtsâ’âh" (ou "saídas", dependendo da tradução) não indica que Jesus teve um começo ou foi criado, mas sim que Suas atividades e manifestações são anteriores ao tempo humano. 

 

2. O Espírito Santo e a Ressurreição. A vida e o poder sobre a morte são atribuições exclusivas de Deus (Jo 5.21). Nesse sentido, a ressurreição de Cristo é uma obra da Trindade: o Pai ressuscitou o Filho (At 2.24), o Filho declarou possuir poder para dar a sua vida e retomá-la, Ele próprio é a ressurreição (Jo 10.18; 11.25); e o Espírito Santo é o agente vivificador: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11). Paulo atribui ao Espírito Santo a ação direta na ressurreição, e afirma que esse mesmo Espírito habita nos crentes, garantindo-lhes a ressurreição final, uma ação que apenas Deus é capaz de executar (Ef 1.13,14). A atuação do Espírito nessa obra comprova sua plena divindade.

NOTA: quem comanda (o Pai) e quem executa a ressurreição (o Espírito).

 

3. O Espírito Santo e a Santificação. O Espírito não apenas nos convence do pecado (Jo 16.8), mas também promove transformação (2Co 3.18). “18Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. (2Co 3.18). Deus nos escolheu para vivermos em santidade (Ef 1.4; 2Ts 2.13).

A santificação possui duas dimensões: UMA POSICIONAL, no momento da conversão “mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, “...mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus.” (1Co 6.11), e OUTRA PROGRESSIVA, como processo contínuo de transformação “14Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,” (Hb 12.14).

O Espírito Santo habita no crente desde a regeneração até a glorificação, conduzindo-o em santidade. Porém, requer a cooperação do crente. Paulo exorta: “andai em Espírito” (Gl 5.16), e adverte: “não entristeçais o Espírito” (Ef 4.30). No entanto, não é resultado exclusivo do esforço humano, mas uma ação permanente do Espírito (1Pe 1.2). Essa ação atesta a deidade do Espírito, pois apenas Deus pode transformar o coração humano (Ez 36.26).  

SINOPSE III

As obras do Espírito Santo — encarnação, ressurreição e santificação — revelam seu poder e atuação contínua na vida da Igreja.

VERDADE PRÁTICA 

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.

 

APLICAÇÃO

O Espírito Santo é plenamente Deus, distinto do Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Ele habita em nós como Consolador, guia nossa vida, transforma nosso caráter e fortalece nossa missão. Devemos abrir espaço para sua atuação, andando em santidade e vivendo sob sua direção até a volta de Cristo.

 

CONCLUSÃO 

Compreender a divindade do Espírito Santo fortalece nossa fé na Trindade. Como Consolador, Ele continua a Obra de Cristo, e habita na vida dos crentes. Sua presença é viva e transformadora, indispensável na edificação, ensino, e missão da Igreja. Que todos nós vivamos guiados pelo Espírito, até que Cristo volte.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. O Espírito não é uma força impessoal, uma energia ou uma influência, mas o próprio Deus. Ele é a Terceira Pessoa da Trindade. Cite três características apresentadas na lição que confirmam essa verdade.

Ele tem mente, vontade e emoções; pode ser entristecido; guia, ensina e distribui dons.

 

2. Cite três dos atributos divinos do Pai e do Filho que podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo, apresentados na lição.

Onipotência, Onisciência, Onipresença e Eternidade.

 

3. Quais os cinco principais símbolos representativos do Espírito Santo mostrados na lição?

Fogo, Água, Vento, Óleo e Pomba.

 

4. Paulo atribui ao Espírito Santo a ação direta em que episódio?

No episódio da ressurreição de Cristo.

 

5. Quais são as duas dimensões da santificação?

Santificação posicional (na conversão) e progressiva (processo contínuo de transformação).

 

 


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