INTRODUÇÃO
O Espírito Santo é a terceira Pessoa da
Trindade, plenamente divino e coigual ao Pai e ao Filho. Ele
não é uma força impessoal, mas Consolador, Ensinador e Santificador
da Igreja. Nesta lição, estudaremos sua Pessoa, sua divindade e suas
principais obras, confirmando sua atuação indispensável na vida cristã e na
missão da Igreja.
Mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa,
distinta, mas coigual ao Pai e ao Filho
Evidenciar a plena divindade do Espírito Santo
e seus atributos
Ressaltar as principais obras do Espírito
Santo: encarnação, ressurreição e santificação.
Palavras-Chave: ESPÍRITO
SANTO
NOTA: Biblicamente, o Espírito Santo é a
terceira pessoa da Trindade (ao lado do Pai e do Filho), sendo
plenamente Deus, eterno e pessoal.
Há quatro pilares da
sua definição nas Escrituras:
- Em
relação à Sua Natureza, ela é Divina: A Bíblia o identifica como Deus; mentir ao Espírito Santo é
descrito como mentir ao próprio Deus, conforme o relato em Atos
5:3-4.
- Em
relação ao Seu Ser, Ele tem Personalidade: Ele não é uma "força",
pois possui intelecto, vontade e emoções — Ele pode ser entristecido,
Ele ensina, intercede e toma decisões por conta própria.
- Em
relação à Sua obra, Ele age como Consolador (Parakletos): Jesus prometeu enviar "outro Consolador"
como Ele para estar conosco para sempre, alguém que convenceria o mundo do
pecado, da justiça e do juízo, como detalhado no Evangelho de João
16.
- Atuou
na Criação e Inspiração: Ele
pairava sobre as águas no Gênesis e é o autor final das Escrituras,
tendo inspirado os Profetas e Apóstolos a registrarem a vontade divina
NOTA para a natureza do
Espírito Santo para diferentes grupos religiosos
- Judaísmo: O Ruach HaKodesh é
entendido
como o sopro ou o poder divino de Deus que inspira os profetas
e purifica os seres, não sendo uma pessoa
distinta, mas a própria manifestação da
vontade e presença de Deus no mundo.
- Testemunhas
de Jeová: Creem
que o Espírito Santo não é uma pessoa
ou parte de uma trindade, mas sim a força ativa impessoal de Deus,
usada por Ele para realizar Sua vontade.
- Espiritismo: Define o Espírito Santo
como o conjunto
de Espíritos Puros e benfeitores que atuam como o
"Consolador Prometido" para guiar a humanidade, ou como a
própria emanação do pensamento de Deus.
- Unicismo
(Igrejas do Nome de Jesus): Entende que o Espírito Santo é simplesmente o
próprio Pai em ação, pois acreditam que Deus é uma
única pessoa (Jesus) que se manifesta de diferentes formas.
No Hebraico do (Antigo
Testamento) o termo para Espírito Santo é Ruach
HaKodesh.
A palavra Ruach evoca a ideia de uma força
invisível, mas poderosa, como o vento que move as árvores ou o fôlego que mantém alguém
vivo. Embora eu “O” tenha comparado com “força
invisível/vento” não estou dizendo que não seja pessoal!
Aparece nas Escrituras em Gênesis
1:2
"Vehaaretz hayetah tohu vavohu vechoshekh al-pene tehom
veruach Elohim
merachephet al-pene hammayim."
(A terra era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e
o Espírito de
Deus pairava sobre a face das águas.)
- Salmo
51:11
"Al-tashlikheni millephanekha veruach qodshekha al-tiqqach
mimmenni."
(Não me repulses da tua presença, nem retires de mim o teu Santo
Espírito.)
- Ruach
(רוּחַ): Espírito,
sopro ou vento.
- Qodshe-
(קָדְשׁ): Santidade
ou santo.
- -kha
(ךָ): É um
sufixo possessivo que significa "teu" ou "tua".
Aparece também em Isaías
63:11
Vayyizkor yemey-olam Mosheh ammo, ayeh hamma’alem miyyam et
ro’ey tsono, ayeh hassam
beqirbo et-ruach qodsho?
(Então se lembrou dos dias antigos, de Moisés e do seu povo, dizendo: Onde
está aquele que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está o que pôs no meio
deles o seu Espírito Santo?)
No Grego do (Novo Testamento) o termo é Pneuma Hagion, e essa expressão ganha uma identidade pessoal e específica como a terceira pessoa da Trindade.
Aparece nas Escrituras
gregas em Mateus 28:19
"Poreuthentes oun mathēteusate panta ta ethnē,
baptizontes autous eis to onoma tou Patros kai tou Huiou kai tou Hagiou Pneumatos."
(Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.)
Aparece também em João
14:26
"Ho de Paraklētos, to Pneuma to Hagion ho pempsei ho
Patēr en tō onomati mou, ekeinos hymas didaxei panta kai hypomnēsei hymas panta
ha eipon hymin egō."
(Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos
ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.)
E em Atos 1:8
"Alla lēmpsesthe dynamin epelthontos tou Hagiou Pneumatos eph'
hymas, kai esesthe mou martyres en te Ierousalēm kai en pasē tē Ioudaia kai
Samareia kai heōs eschatou tēs gēs."
(Mas recebereis poder, ao sobrevir o Espírito Santo sobre vós; e ser-me-eis
testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos
confins da terra.)
Pra você que gosta de grego decorar a pronúncia:
- Ruach: O "ch" final tem
um som de um "r" forte e raspado na garganta (como no nome
"Bach" ou na palavra "carro").
- Pneuma: O "p" inicial é
pronunciado levemente antes do "n" (p-nê-uma).
- Hagion: O "h" inicial
funciona como um "r" suave, como na palavra inglesa house.
TEXTO ÁUREO
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” (Jo
14.16).
NOTA:
Texto em Grego (Koiné)
κἀγὼ ἐρωτήσω
τὸν πατέρα καὶ ἄλλον
παράκλητον δώσει ὑμῖν, ἵνα μένῃ μεθ' ὑμῶν εἰς τὸν αἰῶνα.
Transliteração
Kagō erōtēsō
ton patera kai allon
paraklēton dōsei hymin, hina menē meth’ hymōn eis ton aiōna.
No grego bíblico temos dois termos para o ato
de pedir ou orar: Erōtēsō e deomai! Ambos e têm sentidos diferentes:
Um paralelo curioso entre Erōtēsō e deomai!
1. Erōtēsō (ἐρωτήσω)
É a forma futura do verbo erōtaō. Significa "pedir", "rogar" ou "interrogar". Esse termo sugere um pedido
feito por alguém que está em uma posição de certa igualdade ou intimidade com
quem recebe o pedido.
O texto áureo mostra um uso famoso onde o termo é usado por Jesus
dizendo: "E eu rogarei (erōtēsō)
ao Pai, e ele vos dará outro Consolador". Aqui, indica a intercessão íntima de Cristo junto
ao Pai.
Diferente de deomai
(δέομαι) que significa "suplicar", "implorar" ou "rogar
urgentemente".
Deomai (δέομαι) carrega um senso de necessidade
profunda ou carência pessoal. É um pedido mais humilde e urgente, frequentemente
traduzido como "implorar" ou "fazer súplicas".
Aparece em Mateus 9:38: "Rogai (deēthēte
- forma de deomai), pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua
seara". O uso
aqui enfatiza a urgência e a dependência total de Deus para enviar
trabalhadores.
Erōtēsō (ἐρωτήσω) na sua etimologia significa “Rogarei / Pedirei”.
No grego bíblico erōtēsō
assume o tom de “pergunta”, “conversa”, é como um pedido feito por alguém em
posição de igualdade ou intimidade.
Diferente de deomai (δέομαι) que significa (suplicar como um carente), Jesus usa um
termo que reflete sua relação direta e familiar com o Pai.
Allon (ἄλλον) “Outro” (da mesma espécie).
O grego tem duas
palavras para "outro": heteros (outro de uma espécie
diferente) e allos (outro da mesma espécie). Ao usar allon, Jesus
enfatiza que o Consolador é exatamente como Ele mesmo em essência e
natureza.
Paraklēton
(παράκλητον) é o
termo grego para Consolador
/ Advogado / Auxiliador.
Paraklēton na sua etimologia é composto por para ("ao lado de") + kaleō ("chamar"). É "aquele que é chamado para estar ao lado". No contexto jurídico da época, era o assistente legal que defendia uma causa em tribunal. Define o Espírito Santo como quem intercede, encoraja e fortalece.
CURIOSIDADE: Paraklētos não é mais usado para advogado. No grego moderno é δικηγόρος (pronuncia-se dikigóros).
Essa palavra deriva de diki (justiça/processo) e ágorevo (falar
em público), significando literalmente aquele que fala em favor da justiça em um tribunal.
O termo é o mesmo para ambos os gêneros (o
dikigóros para homens, i dikigóros para mulheres).
Advogado de defesa: συνήγορος (synígoros).
Advogado de acusação: κατήγορος (katígoros). Veja esse
vídeo: O Diabo – O Acusador https://www.youtube.com/watch?v=EfVybCmKv3g
Aiōna (αἰῶνα) significa sempre / eternidade / uma era.
Deriva de aei ("sempre"). Refere-se a um período de tempo
contínuo ou a uma era. No texto, indica que a presença do Consolador não é
temporária como foi a presença física de Cristo, mas perpétua.
O Apocalipse traz a frase famosa, εἰς τοὺς αἰῶνας τῶν
αἰώνων (is
tous aionas ton aionon), traduzido como "pelos séculos dos
séculos".
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE João
14.25-31
25 — Tenho-vos dito isso, estando convosco.
26 — Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em
meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos
tenho dito.
27 — Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo
a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.
28 — Ouvistes o que eu vos disse: vou e venho para vós. Se me
amásseis, certamente, exultaríeis por ter dito: vou para o Pai, porque o Pai é
maior do que eu.
29 — Eu vo-lo disse, agora, antes que aconteça, para que, quando
acontecer, vós acrediteis.
30 — Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe
deste mundo e nada tem em mim.
31 — Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o
Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.
I. A PESSOA DO ESPÍRITO
SANTO
1. O Espírito Santo é uma Pessoa. O Espírito não é uma força
impessoal, uma energia ou uma influência, mas o
próprio Deus. Ele é a Terceira Pessoa da
Trindade. Ele age com autonomia,
exercendo funções próprias de uma Pessoa.
Ele tem propósito, mente
e consciência, o que comprova sua racionalidade
(Rm 8.27). Ele pode ser entristecido, o que
envolve sensibilidade e emoções (Ef 4.30).
Ele ensina e faz lembrar, o que demonstra inteligência e comunicação consciente
(Jo 14.26). Ele guia os crentes, função que
exige entendimento e relacionamento (Jo
16.13). Ele distribui os dons soberanamente,
o que confirma sua vontade em ação (1Co
12.11). Ele fala com clareza, chama pessoas e designa
tarefas, que são ações de uma Pessoa divina (At 13.2). Negar sua Pessoa
é mutilar a Trindade.
NOTA: O que define uma
pessoa!?
Investigar a "pessoalidade" do Espírito Santo
exige diferenciar o conceito biológico de pessoa do conceito filosófico
e teológico.
Na teologia e na
filosofia, o que define uma "pessoa" não é a
posse de um corpo físico,
mas a presença de personalidade, que se manifesta através de três
faculdades centrais:
1. Elementos que Definem uma Pessoa são: Intelecto (Mente), Volição (Vontade), Emoção (Sentimento).
O Intelecto (Mente) é a capacidade de processar informações, raciocinar
e possuir conhecimento. A Volição (Vontade) é a capacidade de tomar
decisões deliberadas, escolher e agir com propósito. E a emoção (Sentimento)
é a capacidade de responder afetivamente a situações ou
relacionamentos.
E o Espírito Santo como Pessoa tem Intelecto: Ele ensina, faz lembrar (João 14:26) e "sonda as profundezas de Deus" (1 Coríntios 2:10-11). Ele tem Vontade: Ele distribui dons "conforme lhe apraz" (1 Coríntios 12:11) e toma decisões administrativas, como impedir ou guiar viagens missionárias (Atos 16:6-7). Ele tem Emoções: A Bíblia afirma explicitamente que o Espírito pode ser entristecido (Efésios 4:30) e que Ele tem amor (Romanos 15:30).
13Mas, quando vier aquele/ekeinos
Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque
não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que
há de vir. 14Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu
e vo-lo há de anunciar. (João 16:13-14)
João 16:13-14 em grego bíblico (Koiné) transliterado:
13 hotan de elthē aquele/ekeinos,
to Pneuma tēs alētheias, hodēgēsei hymas en tē alētheia pasē; ou gar lalēsei
aph’ heautou, all’ hosa akousei lalēsei, kai ta erchomena anangelei hymin.
14 ekeinos eme doxasei, hoti ek tou emou lēmpsetai kai anangelei
hymin.
Ele também se
Relaciona: O
uso do pronome masculino "Ele"
(em grego, ekeinos)
por Jesus para se referir ao Espírito (que é um substantivo neutro no
grego, pneuma) reforça sua identidade pessoal.
Essa é uma das
evidências gramaticais mais fascinantes para a pessoalidade do Espírito Santo
no Novo Testamento. E só é possível notar na gramática inglesa
e grega, onde existe a concordância de gênero: se uma palavra
é neutra, o pronome que a substitui deve ser neutro.
No entanto, no Evangelho
de João, Jesus quebra essa regra gramatical para enfatizar que o Espírito não é
uma "coisa" (it), mas uma "pessoa" (He).
Na KJV (King James Version), que traduz com precisão
essa intenção, vemos isso claramente em João 16:13-14:
O Texto na KJV (João 16:13-14)
Howbeit when he, the Spirit of truth, is come,
Mas, quando vier aquele Espírito da
verdade,
he
will guide you into all truth:
ele vos guiará em toda a verdade
for he shall not speak of himself; but whatsoever he
shall hear, that shall he speak:
porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o
que tiver ouvido
and he will shew you things to come.
e vos anunciará o que há de vir.
He
shall glorify me: for he shall receive of mine, and shall shew it unto
you."
Ele me glorificará, porque há de receber do que
é meu e vo-lo há de anunciar.
A Análise Técnica (O Grego
por trás da KJV)
O Substantivo Neutro: A palavra grega para Espírito é Pneuma,
que é do gênero neutro. Pela regra, o pronome deveria ser ekeino
= “aquilo / isso” (Gênero Neutro). E não ekeinos = aquele / Ele (Gênero
Masculino).
Essa "anomalia
gramatical" é proposital. Ao usar um pronome pessoal
masculino para se referir a um substantivo neutro, o texto está afirmando que a
natureza pessoal do Espírito se sobrepõe ao gênero gramatical da
palavra.
Por que a KJV é importante
aqui?
Diferente de algumas traduções modernas que tentam suavizar a
linguagem, a KJV mantém o uso rígido do "He" (Ele) e "Himself"
(Si mesmo), preservando a distinção de que o Espírito Santo possui:
- Voz
própria:
"...shall he speak" ele falará
- Audição: "...whatsoever he
shall hear" mas tudo o que ele ouvir
- Vontade
e Função:
"...he will guide you" ele vos guiará
Outro exemplo na KJV: João
14:26
"But the Comforter, which is the Holy Ghost, whom the Father will send in
my name, he
shall teach you all things..."
Aqui, o título Parakletos (Consolador) já é masculino no grego, mas a KJV faz questão de
reforçar a personalidade com o pronome "he", tratando o "Holy Ghost" não como uma
influência, mas como um Mestre/Instrutor.
2. Pessoa distinta na
Trindade. A doutrina da Trindade afirma que Deus é um só em
essência, mas
subsiste em três Pessoas distintas conforme vemos no prefácio e saudação da
1Pe 1.2.
1Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos
no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, 2eleitos segundo a
presciência de Deus
Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz
vos sejam multiplicadas.
Embora o Espírito Santo compartilhe da mesma
natureza divina do Pai e do Filho, sendo plenamente Deus, Ele é uma Pessoa
distinta dentro da unidade da Trindade (Tt 3.5). Essa distinção do Espírito Santo é essencial para
refutar heresias, como o modalismo
que ensina que Pai, Filho
e Espírito são apenas “modos” sucessivos de uma única Pessoa divina.
E o arianismo, que negava a divindade do
Filho e do Espírito; e os pneumatómacos que negavam a deidade.
Porém, as Escrituras
ensinam que o Espírito é enviado pelo Pai e em nome do Filho, evidenciando seu
papel distinto e sua missão específica (Jo 14.26). Em suma, o Espírito
Santo é distinto do Pai e do Filho, mas plenamente Deus (1Co 2.10,11).
NOTA: O termo pneumatómacos (do
grego pneumatomachoi) significa literalmente "combatentes contra o
Espírito".
Este grupo surgido no século IV é um marco
histórico crucial, pois eles representam a principal resistência antiga à ideia
de que o Espírito é uma pessoa divina.
O que eles defendiam?
- O
Espírito Santo não era Deus, mas uma criatura ou um
"servo".
- Ele
era visto como uma energia ou influência enviada por Deus, e não
como uma pessoa coeterna e consubstancial ao Pai e ao Filho.
3. O Consolador prometido. Jesus prometeu aos discípulos um divino
companheiro: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos
dará outro
Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). A palavra “Consolador” é
tradução do grego paráklētos, que significa “aquele que encoraja e
conforta”; e, “Ajudador”, que auxilia na necessidade; e, ainda “Advogado”, que
intercede ou defende alguém perante uma autoridade. O vocábulo paráklētos aparece
cinco vezes nos escritos de João, referindo-se tanto ao Espírito Santo como a
Cristo (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7; 1Jo 2.1). Nesse contexto, o Espírito Santo é
chamado de “outro
Consolador”, isto é, alguém da mesma natureza que Jesus. O Espírito Santo,
portanto, não é inferior ao Filho, mas assume o papel da presença permanente de
Deus na vida dos crentes.
SINOPSE I
O Espírito Santo é uma Pessoa, distinta do Pai e do Filho,
mas plenamente divina.
II. A DIVINDADE DO
ESPÍRITO SANTO
1. O debate “Filioque”. A expressão latina filióqüe significa
“e do Filho”,
foi inserida no Credo Niceno-Constantino-politano para reafirmar o ensino
bíblico que o Espírito procede do Pai e do Filho (mas no sentido de envio, nunca de origem!): “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome” (Jo
15.26 — NAA); “se alguém não tem
o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9); “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu
Filho” (Gl 4.6). Esse debate ocorreu no século IV por causa das heresias
do arianismo e dos pneumatómacos. Em 381, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a
mesma essência divina, a igreja aprovou o Credo que ratificava as Escrituras e
professava a fé: “no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é
adorado e glorificado”.
2. Os atributos divinos do
Espírito. Todos
os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o
Espírito Santo, tais como: Onipotência, o Consolador tem pleno poder sobre todas as
coisas (Lc 1.15; Rm 15.19). Onisciência, não existe nada além de seu conhecimento (At
5.3,4; 1Co 2.10,11). Onipresença,
não há lugar algum onde se possa fugir da sua presença (Sl 139.7-10). Eternidade, Ele não
passou a existir no Pentecostes, pois estava presente no ato da criação (Gn
1.1,2; Hb 9.14). Esses atributos absolutos são
exclusivos da divindade. Essas virtudes são, de modo inequívoco, evidências da deidade do
Espírito Santo. Essas características lhe
são inerentes, não foram agregadas nem conferidas. A Terceira Pessoa da
Trindade possui a mesma essência do Pai e do Filho.
3. Os símbolos do
Espírito. Os
principais símbolos representativos do Espírito Santo são: Fogo, utilizado para retratar o batismo no Espírito
(At 2.3), simboliza pureza,
a presença e o poder de Deus. Água, o Espírito faz
fluir a (flui da Palavra) palavra como
águas vivas que refrigeram o crente e o revestem de poder (Jo 7.37-39). Vento, se refere à natureza invisível do Espírito
(Jo 3.8). No Pentecostes é representado pelo som como de um vento (At 2.2). Óleo, usado para a luz e a unção, simboliza a
consagração do crente para
o serviço, e a iluminação
para o entendimento das Escrituras (2Co 1.21,22; 1Jo 2.20,27). Pomba, o Espírito
desceu sobre Jesus em forma de pomba (Mt 3.16), é símbolo da paz e da mansidão.
Cada símbolo atua como figuras para a compreensão do caráter e da atuação do
Espírito.
SINOPSE II
A divindade do Espírito é confirmada por seus atributos e
símbolos revelados na Bíblia.
III. AS OBRAS DO ESPÍRITO
SANTO
1. O Espírito Santo e a
Encarnação. A
encarnação do Filho de Deus revela o papel do Espírito como o agente divino na
concepção de Jesus: “Descerá sobre ti o Espírito
Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá [...] o Santo, que de ti há de
nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O Espírito Santo, em
união com o poder do Pai, atua de modo sobrenatural no ventre de Maria. Embora
Jesus tenha sido concebido pelo Espírito (Mt 1.18), Ele é Filho do Pai, pois foi gerado na eternidade (Mq 5.2; Jo 1.1). O evento é uma ação trinitária:
o Pai envia o Filho (Gl 4.4); o Filho assume a forma humana (Fp 2.7); e o
Espírito realiza o milagre da concepção (Mt 1.20). A divindade do
Espírito é confirmada por sua participação direta na encarnação do Verbo, uma
obra que somente Deus poderia realizar.
NOTA: Em Miquéias 5:2, o termo "origens//môtsâ’âh" (ou "saídas",
dependendo da tradução) não indica que Jesus teve um começo ou foi criado, mas
sim que Suas atividades e manifestações são anteriores ao tempo
humano.
2. O Espírito Santo e a
Ressurreição. A vida e o poder sobre a morte são atribuições exclusivas
de Deus (Jo 5.21). Nesse sentido, a ressurreição de Cristo é uma obra da
Trindade: o Pai ressuscitou o Filho (At 2.24), o Filho declarou possuir poder
para dar a sua vida e retomá-la, Ele próprio é a ressurreição (Jo 10.18;
11.25); e o Espírito Santo é o agente vivificador: “E,
se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele
que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal,
pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11). Paulo atribui ao Espírito Santo a ação direta na
ressurreição, e afirma que esse mesmo Espírito habita nos crentes,
garantindo-lhes a ressurreição final, uma ação que apenas Deus é capaz de
executar (Ef 1.13,14). A atuação do Espírito nessa obra comprova sua plena
divindade.
NOTA: quem comanda (o Pai) e quem executa a ressurreição (o
Espírito).
3. O Espírito Santo e a
Santificação. O Espírito não apenas nos
convence do pecado (Jo 16.8), mas também promove transformação (2Co 3.18). “18Mas
todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do
Senhor, somos
transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do
Senhor.” (2Co 3.18). Deus
nos escolheu para vivermos em santidade (Ef 1.4; 2Ts 2.13).
A santificação possui duas dimensões: UMA POSICIONAL, no momento da
conversão “mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, “...mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo
Espírito do nosso Deus.” (1Co 6.11), e OUTRA PROGRESSIVA,
como processo contínuo de transformação “14Segui a
paz com todos e a santificação,
sem a qual ninguém verá o Senhor,” (Hb 12.14).
O Espírito Santo
habita no crente desde a regeneração até a glorificação, conduzindo-o em
santidade. Porém, requer
a cooperação do crente. Paulo
exorta: “andai em Espírito” (Gl 5.16), e
adverte: “não entristeçais o Espírito” (Ef 4.30). No entanto, não é
resultado exclusivo do esforço humano, mas uma ação permanente do Espírito (1Pe
1.2). Essa ação atesta a deidade do Espírito, pois apenas Deus pode transformar
o coração humano (Ez 36.26).
SINOPSE III
As obras do Espírito Santo — encarnação, ressurreição e
santificação — revelam seu poder e atuação contínua na vida da Igreja.
VERDADE PRÁTICA
O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Trindade, plenamente
divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.
APLICAÇÃO
O Espírito Santo é plenamente Deus, distinto do
Pai e do Filho, mas coigual em essência, poder e glória. Ele habita em nós como Consolador, guia
nossa vida, transforma nosso caráter e fortalece nossa missão. Devemos abrir espaço para
sua atuação, andando em santidade e vivendo sob sua direção até a volta de
Cristo.
CONCLUSÃO
Compreender a divindade do Espírito Santo fortalece nossa fé
na Trindade. Como Consolador, Ele continua a Obra de Cristo, e habita na vida
dos crentes. Sua presença é viva e transformadora, indispensável na edificação,
ensino, e missão da Igreja. Que todos nós vivamos guiados pelo Espírito, até
que Cristo volte.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. O
Espírito não é uma força impessoal, uma energia ou uma influência, mas o
próprio Deus. Ele é a Terceira Pessoa da Trindade. Cite três características
apresentadas na lição que confirmam essa verdade.
Ele tem mente, vontade e emoções; pode ser entristecido;
guia, ensina e distribui dons.
2. Cite
três dos atributos divinos do Pai e do Filho que podem ser igualmente
relacionados com o Espírito Santo, apresentados na lição.
Onipotência, Onisciência, Onipresença e Eternidade.
3. Quais
os cinco principais símbolos representativos do Espírito Santo mostrados na
lição?
Fogo, Água, Vento, Óleo e Pomba.
4. Paulo
atribui ao Espírito Santo a ação direta em que episódio?
No episódio da ressurreição de Cristo.
5. Quais
são as duas dimensões da santificação?
Santificação posicional (na conversão) e progressiva
(processo contínuo de transformação).