googlefc.controlledMessagingFunction Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus Data: 8 de fevereiro de 2026

Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus Data: 8 de fevereiro de 2026

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Explicar a preexistência e a divindade do Verbo

Mostrar a atuação do Verbo na criação e como fonte de vida e luz

Ressaltar que  o Verbo encarnado é a plena revelação do Pai

 

INTRODUÇÃO 

O prólogo do Evangelho de João apresenta o Verbo eterno como Deus, Criador e Revelador. Ele se fez carne e revelou de forma plena e completa a glória do Pai. O apóstolo João afirma que viu a glória do Deus Unigênito, cheia de graça e de verdade. Nesta lição, veremos que a encarnação de Jesus Cristo é a expressão máxima dessa revelação. É o momento em que o invisível se torna visível, o eterno entra na nossa contagem do tempo e o que era impossível de compreender se manifesta entre nós.

 Aula em grego de João 1, 1-4: https://www.youtube.com/watch?v=lm_3wvk_58g


PALAVRA-CHAVE: VERBO

NOTA: O termo "Verbo" no Evangelho de João é uma tradução do grego Logos (λόγος), um conceito profundo que une a tradição filosófica grega à teologia judaica para descrever a natureza divina de Jesus Cristo. 

 

Logos aparecem no grego bíblico (Koiné) em João 1, 1:

·         Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος, καὶ ὁ λόγος ἦν πρὸς τὸν θεόν, καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος.

  • En archē ēn ho lógos, kai ho lógos ēn pros ton theón, kai theós ēn ho lógos.
  • Tradução ARC: No princípio era o Verbo (Logos), e o Verbo estava com Deus, e Deus era o Verbo.

E Davar aparece no Hebraico em João 1, 1 apesar de o Novo Testamento não ter sido escrito originalmente em hebraico, mas as traduções acadêmicas (como a da Sociedade Bíblica de Israel) utilizam o estilo do hebraico bíblico:
בְּרֵאשִׁית הָיָה הַדָּבָר, וְהַדָּבָר הָיָה אֵצֶל הָאֱלֹהִים, וֵאלֹהִים הָיָה הַדָּבָר׃

  • Bereshit hayah ha-Davar, ve ha-Davar hayah etl ha-Elohim, ve-Elohim hayah ha-Davar.

Observação teológica da qual já falei dezenas de vezes nas nossas aulas: A primeira palavra no Evangelho de João, Bereshit, é a mesma que inicia o livro de Gênesis 1:1, criando um paralelo direto entre a criação e a preexistência de Cristo. O termo usado para Verbo no hebraico é Davar (Palavra). Veja a explicação nesse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=sfPqRWtVGuU

 

1. Etimologia e Significado

  • Origem Grega (Logos): Deriva da raiz leg- (falar, reunir ou contar). Daí vem o termo Légo (falar).
  • Légo foca mais no conteúdo do que é dito (o que se diz). Enquanto Laléo foca mais no exercício da fala ou na emissão da voz (o som, o ato de falar). 
  • No grego moderno, hoje na Grécia "falar" é miláo (μιλάω). (Miláo Helenika/ eu falo grego).

Logos além de "palavra" ou "discurso", carrega também os sentidos de razãológicaordem e proporção.

 

Na Tradução Latina (Vulgata) aparece (Verbum) , termo que deu origem ao português "Verbo".

“In principio erat Verbum et Verbum erat apud Deum et Deus erat Verbum” (Evangelium secundum Ioannem, 1,1)

Na gramática, o verbo é a palavra de ação; na teologia, é a Palavra viva e criadora de Deus. 

 

2. O Logos na Filosofia

Quem usou primeiro foi o filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso (c. 535–475 a.C.) foi o primeiro a dar um sentido técnico ao termo. Para ele, o Logos era a lei cósmica universal que mantinha a ordem e a harmonia entre os opostos no universo.

Depois o Estoicismo se apropria do termo. Viam o Logos como a "Razão Universal" ou o princípio ativo (fogo divino) que permeia e governa toda a matéria.

Vídeos sobre o Verbo na Filosofia Estoica: O Logos de João, O Logos Filosófico e o Logos de João, Os três Pilares do Estoicismo, Estoicismo x Cristianismo, o Triângulo do Estoicismo e em que consiste cada parte, Como o estoicista enxerga a ordem cósmica?

 

https://www.youtube.com/watch?v=cEvqT4QDoj0

https://www.youtube.com/watch?v=qS_OxRpKUrQ

https://www.youtube.com/watch?v=JV3ujJQGY0A&pp=0gcJCYcKAYcqIYzv

https://www.youtube.com/watch?v=jGlS7LaMLfw

https://www.youtube.com/watch?v=qAxT9xOqqeI

https://www.youtube.com/watch?v=GLYa6IYUIhM

 

Filo de Alexandria também é uma figura importante que tem relação com o Logos. Foi um Filósofo judeu que tentou harmonizar a filosofia grega com o Antigo Testamento. Para ele, o Logos era um intermediário entre o Deus transcendente e o mundo criado. 

 

O Logos de Filo e o de João.

  • O Logos de Filo de Alexandria é um conceito intermediário e metafísico. Ele descreve o Logos como a "Mente de Deus", um projeto ou instrumento pelo qual o mundo foi criado, mas nunca como uma pessoa com quem se pode ter um relacionamento. Para Filo, o Logos é uma abstração intelectual, uma ponte necessária porque o Deus transcendente não poderia tocar a matéria diretamente.
  • João: Já o Logos de João é plenamente pessoal. Ele não é apenas um instrumento de criação, mas um Ser que possui vontade e identidade.

A grande ruptura de João com Filo e com a filosofia grega é a Encarnação: João afirma que o Logos "se fez carne e habitou entre nós" (João 1:14) — algo que seria impensável para Filo, que via o Logos como algo puramente espiritual e superior à matéria. 

Em resumo: O Logos de Filo é uma Ideia mediadora; o de João é uma Pessoa divina (Jesus). 

 

4. Paralelo: Logos da Filosofia vs. Logos de João

Característica 

Logos da Filosofia Grega

Logos de João (Cristologia)

Natureza

Impessoal; uma lei ou princípio racional.

Pessoal; possui vontade e identidade (Jesus).

Relação com o Mundo

Uma força que organiza a matéria.

Criador de todas as coisas e a fonte de vida.

Encarnação

Impossível; o divino era puro demais para a matéria.

O Verbo se fez carne; habitou fisicamente entre os homens.

Propósito

Oferecer compreensão intelectual do universo.

Trazer salvação, luz e revelação direta de Deus.

Enquanto o Logos grego era uma ideia abstrata para explicar o mundo, o de João é uma Pessoa que entrou na história para resgatá-lo.

 

TEXTO ÁUREO

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14)

NOTA:

(Grego Bíblico)

“Kai ho Logos sarx egeneto kai eskēnōsen en hēmin, kai etheasametha tēn doxan autou, doxan hōs monogenous para patros, plērēs charitos kai alētheias.”

 

João 1.14 descreve o mistério da Encarnação. Ele afirma que o Logos (o Verbo eterno, que estava com Deus e era Deus) não apenas apareceu ou "pareceu" humano, mas tornou-se carne (sarx), assumindo a natureza humana plena.

O texto estabelece que a glória de Deus não está mais confinada a um templo de pedra, mas reside na pessoa de Jesus Cristo, onde a graça e a verdade se manifestam plenamente à humanidade. 

Pra facilitar pra você na sua aula vou explicar a etimologia de cada termo:

No grego clássico, o Verbo (Logos) significa à razão ou palavra.

No contexto de João é o verbo é uma pessoa divina.

Na Escritura hebraica aparece no lugar de “verbo” o termo “DAVAR” traduzido por palavra.

Nos escritos do Targum (tradução ou interpretação das escrituras judaicas (Tanakh) para o aramaico) o termo é Memra (Palavra criadora de Deus no AT).

Memra representa a expressão máxima do pensamento e da vontade de Deus personificada. (Cristo porta a Palavra de Deus em Si!)

Memra é uma palavra aramaica derivada da raiz amar”, que significa "dizer" ou "falar". Assim como o grego LogosMemra significa "Palavra".

Os judeus pós-exílio tinham um profundo zelo pela transcendência de Deus. Eles evitavam descrever Deus em termos humanos (antropomorfismo). Por isso, quando as Escrituras diziam que "Deus caminhava no jardim" ou "Deus falava", os tradutores dos Targuns substituíam por "A Memra de Adonai".

  • Exemplo: Em vez de dizer "Eles ouviram a voz de Deus", o Targum dizia "Eles ouviram a Memra (Palavra) de Adonai - do Senhor".
  • Memra era uma forma de dizer que era Deus agindo, mas preservando Sua santidade e mistério.

3. A Memra/Palavra tem quatro Funções no Pensamento Judaico

1.   Agente da Criação: No Gênesis, Deus cria o mundo através do "disse" (Sua Palavra). Os judeus entendiam que a Memra era o instrumento pelo qual tudo veio à existência.

2.   Agente da Revelação: Deus se comunicava com os profetas e com o povo através da sua Palavra (Memra).

3.   Agente da Salvação/Aliança: Era a Memra que protegia Israel, que fazia alianças e que operava milagres de libertação (como no Êxodo).

4.   Presença de Deus (Shekinah): A Memra era a personificação da presença divina entre os homens.

 

Em João 1.14 quando João escreve que "o Verbo (Logos) se fez carne", ele está dando um "xeque-mate" teológico tanto em gregos quanto em judeus:

  • Para os Gregos: Ele usa o termo Logos (Razão Universal).
  • Para os Judeus: Ele evoca o conceito da Memra e Davar.

Ao dizer que a Memra se fez carne, João está afirmando que aquele que criou o mundo, que apareceu a Abraão e que guiou Israel pelo deserto, agora assumiu um corpo humano. Jesus não é apenas um mensageiro da Palavra; Ele é a própria Palavra Criadora que se tornou visível e tangível.

 

1.   Habitou (Eskēnōsen): Deriva da palavra skēnē (tenda/tabernáculo). Literalmente significa "armou sua tenda". É uma alusão direta ao Tabernáculo do Êxodo, onde a presença de Deus (Shekinah) habitava no meio do povo. Indica uma habitação temporária e humilde, mas com a presença de Deus.

2.   Glória (Doxa): Na Septuaginta e no NT, passou a traduzir o hebraico Kabod, que significa peso, esplendor e majestade. É a manifestação visível do caráter e do poder de Deus.

3.   Unigênito (Monogenous): Composto por monos (único) e genos (espécie, raça, tipo). Não significa "único nascido" no sentido biológico de procriação, mas "único em sua classe" ou "singular". Define a relação única e incomparável entre o Filho e o Pai.

4.   Graça (Charis): Relacionada ao verbo chairō (regozijar-se). Significa favor imerecido, benevolênciabeleza espiritual. É a iniciativa de Deus de se dar (em Cristo) ao homem sem que haja mérito.

5.   Verdade (Alētheia): Etimologicamente formada por a (prefixo de negação) e lēthō (esquecer/esconder). Significa, portanto, "o que não está oculto" ou "a realidade desvelada". Cristo é a realidade final de Deus exposta aos homens, em contraste com as sombras e figuras do passado. 

 

Frase de impacto para fechar seu comentário:

"Em João 1:14, o Deus que era 'invisível' e 'distante' no Antigo Testamento, decide 'armar sua tenda' na nossa fragilidade humana, transformando a carne (sarx) no novo endereço da glória divina."

  

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 1.1-5,14.

1 — No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 — Ele estava no princípio com Deus.

3 — Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 — Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens;

5 — e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

14 — E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

 

Nesta lição, estudaremos Jesus Cristo como o Verbo eterno de Deus — plenamente divino, Criador e revelador do Pai. Com base no prólogo do Evangelho de João (1.1-18), veremos que Ele é Deus desde a eternidade, agente da criação, fonte de vida e luz dos homens. Destacaremos também a encarnação do Verbo como a suprema revelação de Deus, cheia de graça e de verdade. 

 

I. O VERBO COMO DEUS ETERNO

1. O Verbo preexistente. O prólogo de João (dezoito versículos iniciais) é chamado de “Hino Logos”. Na abertura: “No princípio, era o Verbo” (Jo 1.1a), as palavras “no princípio” lembram o texto introdutório da Bíblia (Gn 1.1) e claramente ensinam que o Verbo sempre existiu. Esta é uma maneira de referir-se ao atributo da Eternidade que só Deus possui. A expressão “Verbo” (gr. lógos) designa Deus, referindo-se à divindade do Filho. Enquanto os gregos pensavam em um princípio impessoal e os gnósticos num ser intermediário, João apresenta o Logos como o próprio Deus Eterno — Jesus Cristo, o Filho Unigênito do Pai (Jo 1.14; 3.16). Antes de tudo o que existe, o Verbo já existia. Jesus não começou a existir em Belém, pois Ele é Eterno, coexistente com o Pai desde o princípio (Cl 1.17).

 

2. O Verbo como pessoa distinta. No texto bíblico, João afirma que “o Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b). A expressão grega pros ton Theon” (com Deus) comunica relacionamento face a face, ou seja, comunhão pessoal e eterna entre o Verbo (Filho) e Deus (Pai). Indica uma distinção de Pessoas dentro da unidade da Trindade (Dt 6.4; 1Jo 5.7). O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são formas sucessivas de aparecimento de uma Pessoa, mas são Pessoas coexistentes desde “o princípio” (Jo 1.2; 17.5).

 

3. O Verbo é da mesma essência do Pai. Ainda no versículo de abertura, João revela “o Verbo era Deus” (Jo 1.1c). Aqui, a palavra grega para Deus (Theós) aparece sem o artigo definido — fato que tem gerado discussões exegéticas. Porém, na estrutura grega, a ausência do artigo não implica indefinição ou inferioridade. Essa construção enfatiza a qualidade ou a natureza do sujeito. A omissão do artigo não significa “um deus”, como sustentam traduções heréticas, mas é um indicativo da natureza do Verbo. Esclarece que o Verbo compartilha da mesma essência divina (Jo 10.30; 14.9). Desse modo, o Verbo é como o Pai: eterno (Jo 1.2) e criador (Jo 1.3). Portanto, a expressão “o Verbo era Deus” ensina que Jesus é da “mesma substância” do Pai, isto é, Deus em sua totalidade (Cl 1.15; 2.9).

SINOPSE I

O Verbo é eterno, distinto do Pai e da mesma essência divina, plenamente Deus.

 

II. O VERBO COMO CRIADOR

 1. O agente da criação. A Bíblia declara que “no princípio, criou Deus” (Gn 1.1a). A expressão “criou” traduz a palavra hebraica ‘bārā’, termo reservado à atividade criadora de Deus (Gn 1.21,27; 2.4; 5.1,2; 6.7). ‘bārā’ indica que o universo foi criado por Deus a partir do nada — do latim ex nihilo (Hb 11.3). A doutrina de Deus como Criador possui fundamentos tanto no Antigo Testamento (Sl 33.6; Is 45.12; Ne 9.6) quanto no Novo Testamento (At 17.24; Rm 1.20; Ap 4.11). Nesse sentido, João apresenta Jesus também como Criador: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Este versículo enfatiza a divindade do Verbo, uma vez que a criação é obra exclusiva de Deus (Cl 1.16,17). Desse modo, o Filho é o agente ativo na criação do universo (Hb 1.2).

 

2. A fonte da vida. O apóstolo João enfatiza com clareza que “nele, estava a vida” (Jo 1.4a), referindo-se ao Verbo eterno — Jesus Cristo. Esta declaração revela que o Verbo é a fonte absoluta e originária de toda forma de vida, tanto física quanto espiritual e eterna (Jo 3.36; 1Jo 5.11,12). A expressão denota a autossuficiência do Verbo, uma característica específica da divindade (At 17.25). Jesus não depende de nada ou ninguém para viver. Ele compartilha da mesma substância divina: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Essa verdade afirma que a vida, eterna e imutável, que está no Pai está igualmente no Filho, apontando para a mesma essência dentre as Pessoas da Trindade (Jo 10.30; 14.9; 17.5).

NOTA para VIDA em João 1, 14

João 1:4 em grego bíblico (Koiné) transliterado é:

"en autō zōē ēn, kai hē zōē ēn to phōs tōn anthrōpōn"
(Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens)

Como a gente vê no texto grego a palavra "Vida" é traduzida do original ζωή (zōē), e se refere-se à vida no sentido absoluto, o princípio vital ou a essência da vida. E ela se origina em Jesus no Verbo Divino.

No Novo Testamento, João usa quase exclusivamente zōē para descrever a vida espiritual, divina e eterna que procede de Deus. É a vida em sua plenitude moral e espiritual, em contraste com a mera existência biológica.

  • Contraste com Bios (βίος): Enquanto zōē é a essência, bios refere-se à vida física, à duração da vida ou aos recursos necessários para sustentar o corpo.
  • Significado Teológico: Em João 1:4, o uso de zōē indica que a vida não é apenas algo que o Logos (Jesus) possui, mas algo que Ele é. A etimologia aponta para uma força vital que é a fonte de toda a existência, tanto física quanto espiritual

 

3. A luz dos homens. O texto bíblico diz que “a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1.4b,5). A metáfora da Luz simboliza o caráter de Deus, porque nEle não há trevas alguma (1Jo 1.5). Nesse contexto, Jesus é apresentado como a Luz verdadeira (Jo 1.9). Ele não apenas possui luz; Ele é a própria Luz (Jo 8.12). Ele dissipa as trevas, ilumina os perdidos e revela o pecado (Mt 4.16; Jo 3.19). A declaração “as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5 — NAA) mostra que as forças do mal não têm poder sobre Cristo. O verbo grego katalambánō pode ser traduzido como “compreender”, “apoderar” ou “dominar”, e nesse caso expressa que as trevas do pecado não podem resistir à Luz do Filho de Deus (Rm 13.12).

NOTA para João 1: 4-5

"en autō zōē ēn, kai hē zōē ēn to phōs tōn anthrōpōn; kai to phōs en tē skotia phainei, kai hē skotia auto ou katelaben."

 

Divisão por termos (para facilitar sua leitura):

  • v. 4: en autō (nele)
  • zōē ēn (a vida estava)
  • kai hē zōē ēn (e a vida era)
  • to phōs (a luz)
  • tōn anthrōpōn (dos homens).
  • v. 5: kai to phōs (e a luz)
  • en tē skotia (nas trevas)
  • phainei (brilha/resplandece)
  • kai hē skotia (e as trevas)
  • auto ou katelaben (não a compreenderam).

 

Phōs (φῶς) é a palavra para "luz", que está intimamente ligada à zōē (vida). Está em contraste com Skotia (σκοτία) - "trevas" ou "escuridão", que pode ser usada tanto no sentido físico quanto moral/espiritual. Aqui é sentido moral/espiritual

Katelaben (κατέλαβεν) é um verbo que pode significar "compreender", "alcançar" ou "vencer/extinguir". João utiliza esse termo para mostrar que a escuridão/trevas não compreenderam a Luz/Cristo manifestado em carne nem conseguiu dominar ou vencer essa luz.

 

SINOPSE II

Como Criador, o Verbo é fonte de vida e luz, e nenhuma força de trevas pode prevalecer contra Ele.

  

III. O VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI

1. A encarnação do Verbo. João também apresenta o Verbo como o supremo meio de autorrevelação do Pai: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14)

“Kai ho Logos sarx egeneto kai eskēnōsen en hēmin, kai etheasametha tēn doxan autou, doxan hōs monogenous para patros, plērēs charitos kai alētheias.”

Esta afirmação marca o ponto culminante da revelação divina: o Verbo se tornou homem sem deixar de ser Deus (Fp 2.6-8). O termo grego eskēnōsen (habitou) significa literalmente “armou sua tenda”.

NOTA: Habitou (Eskēnōsen): Deriva de skēnē (tenda/tabernáculo). Literalmente significa "armou sua tenda".

Essa linguagem faz alusão ao Tabernáculo (Êx 25.8,9), onde a presença de Deus habitava no meio do povo de Israel. O corpo de Cristo é assim comparado a esse tabernáculo: nele, a glória de Deus se manifestou visível entre os homens (Cl 2.9). Ele revela a união hipostática das duas naturezas do Filho: divina e humana. Ele é o Emanuel, o Deus conosco (Mt 1.23) — a plena revelação do Pai (Hb 1.1).


2. A plenitude da graça e da verdade. João, testemunha ocular da encarnação declara ser o Verbo a “glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b).

Grego: “kai etheasametha tēn doxan autou, doxan hōs monogenous para patros, plērēs charitos kai alētheias.

 

A palavra “glória” (gr. dóxa) remete ao conceito da shekinah — a presença gloriosa de Deus entre o seu povo (Êx 40.34,35). Porém, enquanto a glória na Antiga Aliança se manifestava parcialmente, em Cristo ela se mostra plenamente (Jo 2.11; 17.1-5). A frase “cheio de graça e de verdade/plērēs charitos kai alētheias” revela o conteúdo dessa glória.

Diferente da Lei dada por Moisés que mostrava o pecado e julgava o pecador (Jo 1.17a), Cristo encarnou a própria graça salvadora e a verdade eterna. Ele não apenas ensina a verdade — Ele é a verdade (Jo 14.6). E não apenas oferece graça — Ele é a plenitude da graça de Deus, uma provisão contínua que se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2.11).

A palavra grega alētheia (ἀλήθεια), traduzida como "verdade", possui uma etimologia interessante: 

É formada pelo prefixo de negação "a-" ("não" ou "sem") e pela raiz do verbo "lanthanō" (λανθάνω), que significa "esconder", "ocultar" ou "estar esquecido".

Literalmente, alētheia significa "não-ocultamento", "desvelamento" ou "aquilo que não está escondido".

Assista esse vídeo pra entender melhor palavra grega alētheia (ἀλήθεια) https://www.youtube.com/watch?v=gefT2S2kwzU

3. O revelador do Deus invisível. No último versículo de seu prólogo, João afirma: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18). Aqui, o apóstolo enfatiza que Deus é invisível e inacessível (Êx 33.20; 1Tm 6.16). No entanto, o Verbo o revelou de forma plena e perfeita.

A expressão “Deus unigênito” (gr. monogenēs theos) significa literalmente “o Deus único gerado”. Refere-se a Cristo — o Filho da mesma substância (gr. homoousios) do Pai. Essa declaração reafirma a eternidade e a plena divindade do Filho. Cristo é a autorrevelação completa do Pai: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9).

 

SINOPSE III

O Verbo encarnado revela de forma plena o Pai, manifestando graça e verdade.

 

VERDADE PRÁTICA

Jesus Cristo, o Verbo eterno, é a revelação plena e visível de Deus ao mundo, manifestando graça, verdade e a glória do Pai.

 

APLICAÇÃO 

Jesus é o Verbo eterno e Criador que revela plenamente a face de Deus, exigindo nossa total adoração e fidelidade à verdade do Evangelho.

 

CONCLUSÃO

Jesus Cristo é o Deus unigênito que revela o Pai. Nele, a glória, a graça e a verdade de Deus são plenamente manifestas. A encarnação do Verbo não é apenas uma doutrina essencial da fé cristã, mas também um chamado à adoração e proclamação daquEle que é a imagem visível do Deus invisível. O Senhor Jesus é a perfeita revelação do Pai à humanidade. Que cada crente reconheça que conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, e que proclamar essa verdade é tornar a glória do Pai conhecida no mundo.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. Como é chamado o prólogo de João (dezoito versículos iniciais)?

“Hino Logos.”

 

2. O que os gregos pensavam a respeito do Verbo?

Que o Verbo era uma força ou ideia, e não plenamente pessoal e divino.

 

3. Qual é o texto bíblico em que João apresenta Jesus também como Criador?

João 1.3.

 

4. A declaração “nele, estava a vida” (Jo 1.4a), referindo-se a Jesus Cristo, revela o que a respeito do Verbo?

Que Ele é a fonte absoluta e originária de toda forma de vida.

 

5. A expressão “Deus Unigênito” significa literalmente o quê?

“O Deus único gerado” — o Filho da mesma essência do Pai.

 

 

 

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