"O Espírito Santo não te regenerou apenas para o céu, Ele te capacitou com poder para manifestar o Reino de Deus agora na terra." (Pastor Luiz Antonio Me. Th.M)
INTRODUÇÃO
A promessa do derramamento do Espírito Santo
cumpriu-se no Pentecostes e permanece válida para todos os que
creem. A atuação do Espírito Santo vai
além da obra da Regeneração. Ele também é o capacitador do crente para o
serviço no Reino de Deus. Nesta lição, veremos que o Espírito distribui dons e
conduz a Igreja com manifestações sobrenaturais, promovendo unidade, santidade
e testemunho eficaz no mundo.
Objetivos da Lição
Mostrar que o derramamento do Espírito Santo
é uma promessa universal e atual
Explicar que o Espírito Santo concede poder
para testemunhar de Cristo
Destacar que o Espírito distribui dons
espirituais com propósito para edificação da Igreja.
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PALAVRA-CHAVE: PODER
NOTA: O termo grego que
define a palavra-chave PODER é Dunamis (δύναμις) e dele se derivam palavras como "dinamite"
e "dinâmico". Outro termo diferente para poder/autoridade é exousia (que
significa autoridade delegada ou direito legal). Dunamis é a capacidade (o
motor), Exousia é o direito (a chave).
Vou comentar a palavra-chave no Tópico II item 1. O
Espírito Santo veio com o poder do Alto.
TEXTO ÁUREO
“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne.” (Jl 2.28a).
“Ve-hayah acharei-chen, eshpoch
et-ruchi al kol-basar.”
Nota: A maioria das transliterações que eu uso aqui tem base no texto hebraico do Códice de Leningrado, que serve de base para a Bíblia Hebraica Stuttgartensia (BHS).
Joel 2:28 anuncia a
democratização do acesso ao Espírito de Deus. A partir de agora não está
mais restrito aos Kohanin, mas será derramado sobre toda a carne!
"Depois" (Acharei-chen)
literalmente significa "depois disso".
No contexto de Joel, refere-se ao período após o
arrependimento do povo e a restauração material prometida nos versículos
anteriores (chuva, colheita, remoção do exército do norte). Profeticamente, aponta para os "últimos dias",
como interpretado pelo apóstolo Pedro em Pentecostes.
"Toda a carne" (Kol-basar): Kol (todo,
totalidade) e basar (carne, corpo, criatura).
No hebraico, basar fala da
fragilidade e da natureza física do ser humano. A
expressão "toda a carne" indica a humanidade em sua
totalidade, quebrando barreiras de idade (velhos e jovens), gênero (filhos e
filhas) e classe social (servos e servas). É a promessa de que o
Espírito não seria mais restrito a cargos específicos (reis ou profetas), mas
disponível a todos.
O Verbo
"Derramar" (Shapach) raiz do termo eshpoch, que significa "derramar copiosamente", como água. O uso do verbo (Shapach) reforça
a ideia de uma abundância generosa e incontrolável, como a uma chuva
espiritual.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Joel 2.28,29; Atos 2.1-4; 8.14-17; 1 Coríntios 12.4-7.
Joel 2
28 — E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a
carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão
sonhos, os vossos jovens terão visões.
29 — E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias,
derramarei o meu Espírito.
Atos 2
1 — Cumprindo-se
o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;
2 — e,
de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu
toda a casa em que estavam assentados.
3 — E
foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram
sobre cada um deles.
4 — E
todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas,
conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
Atos 8
14 — Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que
Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João,
15 — os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o
Espírito Santo.
16 — (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram
batizados em nome do Senhor Jesus.)
17 — Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.
1 Coríntios 12
4 — Ora,
há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
5 — E
há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
6 — E
há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
7 — Mas
a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.
I. A PROMESSA DO
DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
1. Uma promessa de
abrangência universal. Na Antiga
Aliança, o Espírito atuava de modo pontual sobre pessoas específicas e para
tarefas determinadas (1Sm 19.20; 2Cr 15.1; Ez 37.1). Porém, cerca de 800
anos antes de Cristo, Joel
profetizou uma nova dispensação: “E há de
ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2.28a).
Na Nova Aliança, essa
promessa foi registrada em todos os Evangelhos (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo
1.32,33).
Na profecia, a expressão “sobre
toda a carne” aponta para a abrangência
universal do Espírito — não a todos de modo indiscriminado, mas a todos que invocam o nome do Senhor (Jl 2.32).
Essa linguagem quebra
paradigmas, e, assim a ação do Espírito ultrapassa fronteiras e alcança jovens
e velhos, homens e mulheres, livres e servos (Jl 2.28,29).
NOTA: O
cumprimento de Joel 2:28 está em Atos 2:16, durante a festa de Pentecostes
em Jerusalém.
A multidão viu os discípulos falando em outras línguas e os
acusou de embriaguez, Pedro em defesa deles usou a expressão grega touto estin ("isto é o
que"), conectando diretamente o evento de Atos à profecia de
Joel:
“16Mas isto
é o que foi dito pelo profeta Joel:” Atos 2:16
"alla
touto estin to eirēmenon dia tou prophētou Iōēl".
A Mudança Temporal: Joel disse "depois disso" (acharei-chen).
Pedro, sob inspiração, traduz para "nos últimos dias"
(Atos 2:17). 17E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do
meu Espírito derramarei sobre toda a carne;
"kai estai en tais eschatais hēmerais legei ho theos ekcheō apo tou pneumatos mou epi pasan sarka"
O derramamento do Espírito
inaugurou uma nova era na história da salvação trazendo a:
1. A Universalidade: Em Atos, estavam presentes
judeus de "todas as nações debaixo do céu" (Atos 2:5). O "toda a carne" começou a se
cumprir ali, unindo diferentes etnias e línguas sob um mesmo Espírito.
2. A Democratização: o dom não era apenas para os
doze apóstolos, mas para "vossos filhos",
"todos os que estão longe" e "tantos quantos o Senhor nosso Deus
chamar" (Atos 2:39).
A descida do Espírito Santo não era mais um privilégio
temporário de líderes (como foi para os Juízes no Antigo Testamento), mas
uma habitação permanente em cada crente.
A profecia de Joel
serviu como a "certidão de nascimento" da Igreja, onde o sagrado
sanifica o comum.
2. Uma promessa com ação sobrenatural. O derramamento do Espírito vem acompanhado de manifestações visíveis e sobrenaturais: “vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Jl 2.28b). As profecias (1Co 14.3), sonhos (Mt 1.20) e visões (At 16.9) revelam a atuação do Deus vivo entre o seu povo. São experiências extraordinárias que servem de edificação espiritual (1Co 14.26). Elas indicam que a vida cheia do Espírito é ativa, dinâmica e sensível à voz de Deus (Rm 8.14). Onde o Espírito Santo é bem-vindo, o agir de Deus se manifesta com propósito e poder (2Co 3.17). Todo crente deve cultivar uma vida de comunhão e santidade, a fim de ser um canal sensível para as manifestações dos dons do Espírito (1Co 12.4-7).
ESSA NOTA EXPANDE O TEXTO
ÁUREO
Primeira parte:
“E há de ser que, depois, derramarei o
meu Espírito sobre toda a carne...
Ve-hayah acharei-chen, eshpoch et-ruchi
al kol-basar...
Segunda parte:
...e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos
velhos terão sonhos, os
vossos jovens terão visões.” Joel
2:28
...ve-nib'u benechem u-benotechem; (vossos
filhos e vossas filhas profetizarão)
ziqneichem chalomot yachalomun; (vossos velhos terão sonhos)
bachureichem chezyonot yir'u (vossos jovens terão visões.) Joel 2:28
Temos três
manifestações citadas por Joel — profecias,
sonhos e visões que descrevem a restauração da comunicação direta
entre o Divino e o humano.
Vossos filhos e
vossas filhas profetizarão
"Profetizarão" (v’nib’u) vem de nava (נבא) profetizar, falar sob a influência de um espírito,
nesse caso, o de Deus. O agente da ação - nava (נבא) profetizar,
falar – é o profeta (navi),
aquele que comunica a vontade de Deus.
Podemos destacar aqui a inclusão de gênero: "vossos filhos e vossas filhas". A profecia deixa de ser um ofício específico do Profeta e passa a ser uma expressão da presença de Deus.
Os vossos velhos terão
sonhos
"Sonharão" (chalomot
yachalomun) vem de chalam (חלם),
que significa "sonhar".
Joel associa os sonhos aos velhos (ziqneichem). Na cultura
bíblica, os anciãos eram
os guardiões da tradição. O derramamento do
Espírito traz algo novo para quem já viveu muito: a capacidade de ainda ter
esperança e receber revelações sobre o futuro, em vez de apenas olhar
para o passado.
NOTA: Velhos (ziqneichem) é plural de Zaqen (זָקֵן) que significa velho, idoso ou ancião.
- Curiosidade: a palavra zaqen
está ligada à palavra (zaqan - barba). No mundo bíblico, a
barba era o símbolo da maturidade e da sabedoria acumulada. Assim, o zaqen é
aquele que "deixou a barba crescer", ou seja, alcançou
a plenitude da vida.
Os vossos jovens terão
visões.
"Terão visões" (chezyonot
yir'u): Chezyonot vem
de chazah que significa (ver, contemplar com a
mente/espírito). Não é apenas a visão física, mas
uma percepção espiritual profunda.
A faculdade da VISÃO ESPIRITUAL é dada aos jovens (bachureichem).
Bachureichem (בַּחוּרֵיכֶם) é traduzido como "vossos
jovens" ou "vossos escolhidos". O jovem já tem naturalmente vigor físico, agora o Espírito de Deus lhe concede o "vigor
espiritual" para enxergar além das
aparências e discernir os propósitos divinos no mundo.
Outra coisa muito
importante que Joel profetiza é a Quebra de Hierarquias
O ponto central de Joel 2:28 não é apenas o fenômeno sobrenatural, mas a Quebra de Hierarquias no gênero: Filhos e filhas, na idade: Velhos e jovens e no status social. No versículo seguinte (Jl 2:29), ele inclui até os escravos (avadim), o que era revolucionário para a época.
3. Uma promessa para os
últimos dias. A
palavra profética aponta para um tempo específico: “naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Jl
2.29b). Na terminologia da Antiga Aliança, essas
expressões referem-se à chegada do Messias e ao início dos eventos
escatológicos (Is 2.2; Mq 4.1). Pedro identifica o Pentecostes como o cumprimento inicial
desses “últimos dias” (At 2.17). Eles começaram com a vinda do Messias,
que, juntamente com o Pai, enviou o Espírito Santo (Jo 15.26). A descida do Espírito inaugurou a Igreja e prossegue sua
atuação contínua na vida do crente até o arrebatamento dos salvos (Ef 1.13).
A profecia de Joel não se
esgotou no Pentecostes, permanece vigente durante toda a dispensação da graça. A promessa é válida para todos os
que crerem em todos os tempos
NOTA: "O Pentecostes não foi um evento isolado no passado, ele é o combustível que mantém a Igreja viva, capacitada e sobrenatural até hoje!" (Pastor Luiz Antonio Me. Th.M)
Esse versículo faz
parte do primeiro sermão de Pedro, logo após o Pentecostes, e é uma
declaração sobre a universalidade da salvação.
No contexto bíblico e histórico, temos nesse
versículo três grupos que representam três camadas de alcance:
1. "A vós": Os judeus ali presentes que
ouviam a pregação.
2. "A vossos filhos": As gerações futuras do povo de
Israel. (sem limite de tempo/não cessa)
3. "A todos os que estão
longe": Refere-se
especificamente aos gentios (não judeus).
Quem são "os que estão longe"?
Na teologia bíblica estar "longe" não é apenas uma
distância geográfica, mas espiritual.
- Distância
da Aliança: Refere-se aos povos que não faziam parte das
promessas de Israel. O apóstolo Paulo usa a mesma linguagem
em Efésios 2.13-17, explicando que os
gentios estavam "longe", mas foram aproximados pelo sangue de
Cristo.
- Inclusão Universal: Pedro está rompendo a ideia de
que a promessa do Espírito Santo era exclusiva para um grupo restrito. Ele afirma que
o convite se estende a todas as nações e etnias. Se havia um etnocentrismo, foi
quebrado aqui!
Sobre Etnocentrismo:
https://www.youtube.com/watch?v=_CqHefvEt04
https://www.youtube.com/watch?v=6dZeQputo-o
- O
Chamado Divino: O
versículo termina com uma condição: "a
tantos quantos Deus chamar". Isso indica que a promessa é para
todos, mas se torna eficaz naqueles que
respondem ao chamado de Deus.
Em resumo, "os que estão longe" somos nós hoje — pessoas de todas as partes do mundo que, através da fé, são incluídas na mesma promessa feita aos primeiros discípulos.
NOTA: 3. Uma promessa para
os últimos dias. Em relação aos dons temos três entendimentos: Grupos Cessacionistas,
Continuístas, Continuístas Cautelosos
Deixe um comentário dizendo com qual grupo você se
identifica!
Os cessacionistas são
aqueles que sustentam a visão teológica de que os dons
"sinalizadores" ou miraculosos (como profecia, línguas e curas
instantâneas) cessaram após a morte dos últimos apóstolos e o fechamento do
cânon bíblico. Eles acreditam que o propósito desses dons era validar a
mensagem do Evangelho e a autoridade apostólica enquanto as Escrituras ainda
estavam sendo escritas.
Cessacionismo não
significa negação completa da ação do Espírito Santo,
mas uma distinção entre Seus dons de edificação (ensino,
administração, misericórdia) e os dons de sinais (como profecia, línguas e curas instantâneas).
Principais grupos
que historicamente defendem a visão cessacionista:
- Igreja
Presbiteriana (IPB): Por definição teológica e adesão à Confissão de Fé de
Westminster, a IPB é considerada cessacionista. Ela ensina que os modos antigos de Deus revelar Sua vontade
cessaram, embora ainda creia no poder de Deus para operar milagres
e curas conforme Sua vontade soberana, mas não
por meio de "portadores" de dons apostólicos.
- Calvinistas
Clássicos (Igrejas Reformadas): Muitas igrejas
de tradição reformada que seguem
estritamente os ensinos de João Calvino
adotam essa postura, enfatizando a
suficiência das Escrituras.
- Batistas
Reformados / Tradicionais: Grupos que seguem uma linha teológica
fundamentalista ou reformada (como os influenciados pelo ministério de
teólogos como John MacArthur ou, no Brasil, em partes da convenção batista
tradicional) frequentemente defendem o
cessacionismo.
- Luteranos Confessionais: A linhagem clássica do luteranismo tende a focar na Palavra e nos Sacramentos como os meios de graça, sendo cética em relação à continuidade dos dons carismáticos.
Os principais
argumentos bíblicos utilizados pelos cessacionistas focam na função
temporária dos dons miraculosos e no fechamento do cânon bíblico.
- Fundamento
dos Apóstolos (“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e
dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;” Efésios 2:20): O texto afirma que a Igreja foi edificada sobre o
"fundamento dos apóstolos e dos profetas". Para os
cessacionistas, um fundamento é lançado apenas uma vez, no início da
construção. Logo, após a era apostólica, não
haveria mais necessidade de novos apóstolos ou de dons que serviam para
autenticar seu ministério.
- Aprovação
da Mensagem (3como escaparemos nós, se não atentarmos
para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada
pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram; 4testificando
também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas,
e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade? Hebreus 2:3-4): Os cessacionistas
argumentam que milagres e prodígios eram sinais específicos para confirmar
a palavra pregada pelos que ouviram o Senhor diretamente. Uma vez que o Evangelho foi confirmado e registrado
nas Escrituras, o "selo de autenticidade" (os dons de sinais)
não seria mais necessário.
- Suficiência
das Escrituras: Baseado
na Confissão de Fé de Westminster, defendem que a Bíblia contém tudo
o que é necessário para a fé e a vida. Aceitar novas profecias ou
revelações hoje poderia, na visão deles, comprometer a autoridade única e
final da Palavra de Deus.
- Evidência
Histórica: Observam
que, após a morte dos apóstolos, os relatos de dons miraculosos diminuíram
drasticamente na história da Igreja Primitiva, sugerindo que o Espírito Santo mudou Sua forma de operar para
meios "ordinários" (pregação, ensino e sacramentos).
A
Visão Continuísta
Os
cessacionistas não negam que Deus possa fazer
milagres hoje; eles apenas acreditam que Deus não concede mais o dom (como
habilidade permanente) de operar milagres ou trazer novas revelações a
indivíduos específicos.
Os continuístas (pentecostais e
carismáticos) defendem que o Espírito Santo não mudou Sua forma de agir. Para
eles, a ausência de uma proibição bíblica explícita em relação ao uso dos dons
e a ordem de buscar os dons são provas de que eles permanecem ativos.
Ordens Bíblicas Diretas: Textos como “procurai
com zelo os dons espirituais” (1 Coríntios 14:1) e “não
proibais o falar em línguas” (1 Coríntios 14:39) são vistos como
mandamentos permanentes para a Igreja, e não instruções com data de validade.
O Propósito de Edificação: Se o propósito dos dons é
a edificação do corpo de Cristo (1 Coríntios 14:12), os
continuístas questionam por que Deus retiraria ferramentas de crescimento se a
Igreja ainda está em construção e enfrenta os mesmos desafios da era
apostólica.
Continuidade Histórica: Eles apontam que, embora menos
frequentes, relatos de curas, profecias e línguas aparecem em escritos de pais
da igreja como Irineu de Lyon e Justino Mártir,
indicando que os dons não desapareceram subitamente com a morte dos apóstolos.
Essa visão é o pilar de denominações como
a Assembleia de Deus, a Igreja Quadrangular e comunidades
da Renovação Carismática Católica, etc.
O Continuísmo Cauteloso (ou "Terceira Onda") é o meio-termo entre o fervor pentecostal e a rigidez cessacionista.
A lógica deles funciona assim:
- São
Abertos, mas Céticos: Eles não negam a existência dos
dons (estão "abertos"), mas não saem buscando manifestações a
qualquer custo (são "cautelosos"). O lema costuma ser: "Não
apagueis o Espírito, mas provai todas as coisas" (1
Tessalonicenses 5:19-21).
- Dão
Prioridade à Exposição Bíblica: Ao contrário de alguns
movimentos neopentecostais, o foco não é o espetáculo ou o milagre, mas a
pregação da Palavra. Os dons são vistos como acessórios que podem
ou não ocorrer, conforme a soberania de Deus.
- Fazem
Diferenciação de Profecia: Não creem que a
"profecia" atual tenha o mesmo peso de autoridade que a Bíblia. Para
eles, uma profecia hoje é apenas uma
"percepção" espiritual que deve ser julgado pela congregação e
nunca contradizer as Escrituras.
- Primam
pela Decência e Ordem: São extremamente rigorosos com o ensino de Paulo em 1
Coríntios 14. Se alguém falar em línguas e não
houver intérprete, deve ficar calado. Não aceitam "barulho por
barulho" ou perda de controle emocional.
- Tem
Foco no Caráter: A
ênfase recai mais no Fruto do Espírito (caráter) do que
nos Dons do Espírito (poder), acreditando que o poder sem
santidade é perigoso.
SINOPSE I
A promessa do Espírito Santo é universal, atual e se cumpre
em todos os que invocam o nome do Senhor.
II. O CUMPRIMENTO: PODER
PARA TESTEMUNHAR
1. O Espírito Santo veio com o poder do Alto. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, e seu derramamento no Pentecostes cumpre a promessa do Pai e a mediação do Filho. Antes de sua ascensão, Jesus assegurou aos discípulos que eles seriam revestidos de poder: “eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). Esse “revestimento” (gr. endýō) significa “vestir-se como uma armadura” e aponta para uma capacitação sobrenatural e indispensável para testemunhar de Cristo (At 1.8). Esse poder (gr. dýnamis) não é apenas força para resistir ao pecado (Rm 8.13), mas também ousadia para proclamar o Evangelho (At 4.31), autoridade para operar milagres (At 6.8) e sabedoria para edificar a Igreja (1Co 12.7).
NOTA: O termo grego que
define a palavra-chave PODER é Dunamis (δύναμις)
e dele se deriva palavras como "dinamite" e "dinâmico".
Dunamis é o Poder para Testemunhar
O versículo clássico da promessa do Dunamis do Espírito
Santo está em (Atos 1:8):
- "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o
Espírito Santo..." Atos 1:8)
- “Alla lēmpsesthe DUNAMIN epelthontos tou hagiou pneumatos eph’ hymas... Atos 1:8)
Dunamis é o Poder do Evangelho
Paulo define a natureza da mensagem cristã não como teoria,
mas como força viva.
- "Porque
não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de
Deus para salvação..." (Romanos 1:16)
- “Ou gar epaischynomai to euangelion to
Christou, DUNAMIS gar theou estin eis sōtērian...” - Romans 1:16
Dunamis é o Poder na Fraqueza
A resposta de Deus a Paulo revela que o poder divino
se manifesta plenamente quando reconhecemos nossas limitações.
- "A
minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza." (2 Coríntios 12:9)
- "Arkei soi hē charis mou; hē gar dynamis en
astheneia teleitai."
Em resumo pra você decorar:
- O
Termo Grego Dunamis é
o singular de Dynameis muitas vezes traduzido como
"Milagres". Significa uma capacidade explosiva, força em movimento.É o braço forte
de Deus agindo na Igreja.
Diferente de Exousia (que significa
autoridade delegada ou direito legal), Dunamis se refere à uma
força inerente, capacidade e o poder milagroso de Deus em ação.
Dunamis é a capacidade (o motor), Exousia é
o direito (a chave).
1. Dunamis (δύναμις) – É o Poder, a Capacidade de realizar algo. No
contexto bíblico é o
poder
"explosivo" da ação do Espírito Santo para realizar algo,
especialmente milagres. Exemplo: O
poder que operou a ressurreição de Cristo ou que cura dos enfermos.
Outro termo grego para poder é Exousia (ἐξουσία) – O Poder da
Autoridade
É o poder
"delegado" ou legal. Refere-se ao direito, privilégio ou
jurisdição para agir em nome de uma autoridade superior.
- "Mas,
a todos quantos o receberam, deu-lhes o PODER (EXOUSIAN)
de serem feitos filhos de Deus..." (João 1:12).
- “Hosoi
de elabon auton, edōken autois EXOUSIAN tekna theou
genesthai...” (João
1:12).
Em Lucas 10:19,
Jesus usa os dois termos para mostrar que a autoridade do crente é superior à
força do adversário.
Eis que vos dou PODER/exousia para pisar
serpentes, e escorpiões, e toda a FORÇA/dunamis do Inimigo, e
nada vos fará dano algum.
"Idou dedōka hymin tēn EXOUSIAN tou
patein epanō opheōn kai skorpiōn, kai epi pasan tēn DUNAMIN tou
echthrou, kai ouden hymas ou mē adikēsē." Lucas 10:19
DECORE: Aqui no contexto de Lucas 10:19
EXOUSIAN (ἐξουσίαν) é a AUTORIDADE ou direito legal
que Jesus deu aos discípulos. É a "procuração" espiritual para
agir em Seu nome. Enquanto DUNAMIN (δύναμιν) se refere ao PODER ou
força inerente do inimigo.
2. Os sinais da descida do
Espírito Santo. Atos registra dois sinais
sobrenaturais que marcaram o advento do Espírito Santo: o “SOM, como de um vento veemente
e impetuoso” (At 2.2) e as “LÍNGUAS REPARTIDAS, como que de fogo” (At 2.3).
O “vento” e
o “fogo” nessa passagem não são reais, são representações: como de um vento
como que de fogo; e enfatizam a grandeza da ocasião sendo sinais
audíveis e visíveis da chegada do Espírito.
O som, como de um
vento, simboliza a presença criadora de Deus (Ez 37.9).
As línguas, como que
de fogo, são sinal de purificação e consagração (Êx 19.18; Mt 3.11).
Esses sinais particulares não se repetiram
posteriormente nos batismos no Espírito Santo que continuaram a acontecer, pois
se tratava de um evento solene e único. Ali, no
Pentecostes, a Igreja, revelada como Corpo de Cristo (Ef 1.22,23; 3.2-5), foi
inaugurada e marcada com esses sinais de forma visível e poderosa (At 2.1-4).
NOTA: o que significa
literalmente as “línguas repartidas, como que de fogo” (At 2.3).
Temos aqui uma descrição visual precisa: “línguas repartidas, como que de fogo” (glossai diamerizomenai hosei pyros) que
traz significados específicos no original grego:
1. Etimologia e Termos Gregos
- O
termo Línguas (Glossai) aqui é o plural de glossa.
“línguas
repartidas, como que de fogo” (At 2.3). Essas
línguas aqui não são o dom de falar, mas uma metáfora visual para a forma do
fenômeno visto (labaredas pontiagudas que lembram línguas).
O argumento de lógica se sustenta pelo fato de “línguas faladas serem
abstratas, invisíveis! E
o texto aqui diz: “E foram vistas por
eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um
deles.” (At 2.3).
- O
termo Repartidas (Diamerizomenai), do grego diamerizo,
significa "dividir",
"separar" ou "distribuir". O texto indica
que uma fonte
única de fogo apareceu e se fragmentou, distribuindo-se
individualmente sobre cada um dos presentes. Isso simboliza que o Espírito Santo, embora um só,
habitaria em cada crente individualmente.
- Como que de fogo (Hosei pyros): O uso da partícula
comparativa hosei ("como", "como se
fosse") é crucial para o real entendimento. Lucas não afirma que era fogo químico real,
mas algo que tinha
a aparência e o brilho do fogo.
2. O Significado Simbólico Literário
Na Bíblia, o fogo é o símbolo máximo da presença
e purificação de Deus e aparece com três conotações:
- Como Teofania nos lembra a sarça ardente de
Moisés e à coluna
de fogo no deserto.
- Como Purificação, assim como o fogo refina o
ouro, a presença do
Espírito purifica a "carne" para que ela possa
profetizar.
- Nos transformando no Novo Templo: No Antigo Testamento, o
fogo de Deus descia sobre o Tabernáculo ou Templo. Em Atos, o fogo desce sobre pessoas,
indicando que agora o corpo humano é o templo de Deus.
3. Conexão com o Texto de Joel
Enquanto Joel 2:28
foca no resultado (o falar profético), Atos 2:3 foca no sinal
visual da capacitação. O fogo é o selo que valida que a "carne" mencionada por Joel
foi agora "incendiada" pela presença divina para cumprir sua
missão.
3. A evidência do
revestimento de poder. O revestimento de poder veio com um sinal específico: “falar em outras línguas” (At
2.4). Em Atos, o falar em línguas está
explícito em três registros (At 2.1-4; 10.46; 19.6) e implícito em outras duas
ocasiões (At 8.14-17; 9.17,18). Dessa forma, biblicamente, o falar em
outras línguas é sempre a evidência física inicial do batismo no Espírito
Santo. Essa evidência
difere do dom espiritual de “variedades de línguas”. Este último dom requer interpretação para a edificação da
Igreja, porém, o “falar línguas” como batismo ou renovação não requer
interpretação (1Co 14.27,28). Na experiência da salvação em Cristo, todo crente é “selado” com o
Espírito (Ef 1.13,14); porém, no batismo no Espírito Santo, todo crente é
“revestido” de poder (At 2.2-4).
NOTA: A " variedade de línguas" de
Atos é a Reversão de Babel
- No
grego, glossa é tanto ao órgão físico
(língua) quanto o idioma falado por um povo.
- Em Atos 2: O fenômeno foi de xenoglossia (falar idiomas humanos existentes sem tê-los aprendido). O texto diz que cada um os ouvia falar em sua própria língua materna (Atos 2:8). isso reverte, POR ASSIM DIZER, o evento de babel. A profecia em Joel visava a comunicação de Deus com o Seu povo, as línguas em Atos visam a comunicação de Deus com todas as nações. Foi a reversão teológica da Torre de Babel: lá as línguas dividiram a humanidade; em Pentecostes, as línguas a uniram para entender as "grandezas de Deus".
SINOPSE II
No Pentecostes, o Espírito Santo desceu com poder,
capacitando os crentes para testemunhar com ousadia.
III. A CONTINUIDADE DO
DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
1. A extensão da promessa
do Espírito. Pedro
exorta seus ouvintes ao arrependimento, ao batismo nas águas e lhes assegura: “recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38).
Essa frase precisa ser entendida à luz do seu contexto. O “dom do Espírito” refere-se ao cumprimento da profecia de Joel e à
promessa de Jesus a respeito do revestimento de poder (Jl 2.28; Lc 24.49).
Esse dom não ficou
restrito ao Pentecostes, mas é estendido aos crentes de
todas as épocas: “'Porque a promessa vos diz respeito a vós, (Jl 2.28; At
3.25) a vossos filhos e a (At 10.45; 11.15), todos os que estão longe: a tantos
quantos Deus, nosso Senhor, chamar. (Atos 2:39)
Na casa de Cornélio, a
regeneração ocorreu pela fé em Cristo, e o batismo no Espírito Santo precedeu o
batismo em águas (At 10.44-46). Em Samaria e Éfeso, foi derramado após a
conversão (At 8.15,16; 19.2,6). Esse revestimento de poder é algo
distinto do novo nascimento.
2. O Espírito opera com
diversidade e unidade. Paulo ensina que “há diversidade de
dons, mas o Espírito é o mesmo” (1Co 12.4). O termo “diversidade”
(gr. diaíresis) aponta para a variedade de dons, operações
e ministérios. A Trindade
inteira participa: o Espírito distribui os
dons (1Co 12.4), o Filho dirige os
ministérios (1Co 12.5) e o Pai opera os
resultados (1Co 12.6). Essa pluralidade indica a riqueza da Igreja. Os
salvos recebem dons específicos visando à edificação dos crentes (Rm 12.4-18).
De modo que o falar em
línguas é a evidência inicial do batismo no Espírito, e o “fruto do Espírito”
com “os dons espirituais” são sua evidência contínua (Gl 5.22; 1Co 12.8-10).
Tudo resulta em uma igreja cheia de poder e unidade, ligada a Cristo, o cabeça
da Igreja (Ef 1.22,23).
3. O Espírito distribui
dons com propósito. "Dons
não são troféus de santidade, são ferramentas de serviço: o Espírito Santo nos
capacita no secreto para que o mundo veja o sobrenatural no público."
(Pastor Luiz Antonio Me. Th.M)
Os dons (gr. charísmata) não
são para ostentação pessoal, mas para o serviço do Reino (1Pe 4.10), edificação
da Igreja (1Co 14.12) e glorificação de Cristo (1Co 12.3). O Espírito os distribui com
propósito: “para o que for
útil” (1Co 12.7); e os reparte soberanamente: “a cada um como quer” (1Co 12.11). Os dons
são “graças espirituais”
concedidas e controladas pelo Espírito (Rm 12.6-8). A
finalidade específica dos dons nos protege de dois perigos espirituais: a soberba, que transforma o dom em motivo de vanglória
(Fp 2.3), e a negligência, que enterra o dom e impede seu uso (Mt 25.25).
Portanto, cada crente é chamado a exercitar o dom que recebeu com humildade, e
disponibilidade para servir com amor, zelo e temor ao Senhor (Rm 12.3; Cl
3.23,24).
SINOPSE III
O Espírito distribui dons espirituais com propósito, visando
a edificação da Igreja e a glorificação de Cristo.
VERDADE PRÁTICA
O derramamento do Espírito Santo é uma promessa universal que capacita a Igreja com poder para pregar o Evangelho.
APLICAÇÃO
O Espírito Santo é o capacitador do crente em todas as gerações. Ele nos equipa com dons e poder para cumprir a missão de pregar o Evangelho. A vida cristã deve ser vivida na dependência da plenitude do Espírito.
CONCLUSÃO
O Espírito Santo é o capacitador divino prometido aos que
creem. Ele atua em cada geração com poder, dons espirituais e direção. Desde o
Pentecostes, sua presença é real e contínua. O crente pentecostal vive não
apenas no Espírito, mas pelo Espírito, como testemunha viva do poder de Deus no
mundo. Portanto, cada cristão regenerado é chamado a viver na plenitude do
Espírito.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. O
que significa a expressão “sobre toda a carne” ao referir-se à profecia do
derramamento do Espírito?
Significa que a promessa é para todos os que invocarem o nome
do Senhor (Jl 2.28,32).
2. O
que a palavra profética aponta nestes últimos dias?
Para o tempo messiânico e escatológico, inaugurado no
Pentecostes (At 2.17).
3. Quais
são os sinais da descida do Espírito e o que significam?
O vento simboliza a presença de Deus e o fogo aponta para
purificação e consagração (At 2.2,3).
4. Ao
que se refere a expressão “dom do Espírito” na profecia de Joel?
Ao dom do Espírito Santo como revestimento de poder,
cumprindo a promessa de Joel (At 2.38).
5. Qual
a importância de compreender a finalidade específica dos dons distribuídos pelo
Espírito?
Para evitar a soberba e a negligência, entendendo que os dons
são para servir e edificar (1Co 12.7; 1Pe 4.10).
