INTRODUÇÃO
"Onde o homem tenta fabricar um
milagre por atalho, ele acaba produzindo um estigma de
desprezo que rouba o peso da paz."
Abrão é chamado de “pai da fé” e “amigo
de Deus” porque deixou sua terra rumo ao desconhecido, tornando-se figura
central para judeus e gentios. Contudo, o Senhor usou o tempo para moldar seu caráter. Deus fez a
promessa a Abrão, mas o tempo passou, e parecia que ela jamais seria cumprida.
Abrão já estava com 85 anos, sua esposa também já era idosa e a promessa divina
parecia distante, as circunstâncias não se alinhavam e Sarai,
vencida pela impaciência, decidiu agir por conta própria entregando sua serva a
Abrão para ter filhos por ela. Ambos tinham fé, mas não guardaram na memória o que Deus
lhes dissera. Paciência
é o segredo para não sucumbirmos na espera e não agirmos por impulso, como
fizeram Abrão e Sarai.
OBJETIVOS
DA LIÇÃO
Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a
Deus.
Explicar as consequências de agir por conta
própria.
Encorajar vocês a permanecerem firmes no Deus
que conduz a história.
PALAVRA-CHAVE: IMPACIÊNCIA
NOTA para Tiago
1: 2-4 da (ARC)
2 Meus irmãos, tende grande gozo
quando cairdes em várias tentações,
3 sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.
4 Tenha,
porém, a paciência a sua obra perfeita,
para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em
coisa alguma.
No original grego de Tiago
1:4, a palavra traduzida como "perfeito" na versão ARC é "teleios" (τέλειος).
i vi ypomoní érgon téleion erreto,
ína íte téleii kaí olókliri, en mivení lipómeni.
"hē de hypomonē ergon teleion echetō, hina ēte teleioi kai holoklēroi,
en mēdeni leipomenoi."
- Hypomonē
(Paciência/Perseverança): É a capacidade de "ficar sob" a pressão
sem recuar.
- Teleion
/ Teleioi (Perfeita/Perfeitos): refere-se à maturidade e ao objetivo alcançado.
- Holoklēroi
(Íntegros): Significa "inteiros"
ou "completos em
todas as partes". É a ideia de um sacrifício que não tem
defeito nenhum.
- Leipomenoi
(Deficientes/Faltosos): significa "ficar para trás" ou "faltar
algo".
DECORE: A impaciência nos
torna leipomenoi (deficientes/com falhas), mas a hypomonē (paciência)
nos leva a ser teleioi (maduros) e holoklēroi (inteiros).
OBs: Não pense que o versículo exige "perfeição moral sem pecado" (o que
seria impossível para o ser humano). No contexto bíblico, teleios significa:
1. Maturidade Plena: Imagine um fruto que amadureceu
no pé até o ponto certo. Ele está "teleios". A paciência nos faz
crentes maduros, não "verdes" ou infantis na fé. Veja esse vídeo explicando
especificamente o termo "teleios" (τέλειος) https://www.youtube.com/watch?v=uMlmnzV0FeM
2. Integridade/Completude: Alguém que alcançou o seu
objetivo ou propósito. A ideia é de algo que não está mais em pedaços ou
incompleto, mas que chegou à sua forma final pretendida por Deus.
3. Finalidade Alcançada: A palavra vem
de telos (fim/alvo). Uma pessoa "perfeita" no sentido de
Tiago é aquela que permitiu que o processo de Deus chegasse ao fim, sem ser
interrompido pela impaciência.
Ser "perfeito" aqui não é não cometer erros, mas ser um
cristão adulto, equilibrado e completo, que não se desespera nas
provas porque confia no "telos" (o objetivo final) de Deus.
Do
ponto de vista teológico e prático a Impaciência é
uma tentativa de interromper o processo de Deus em nossas vidas. Ela
surge quando a nossa vontade imediata entra em conflito com o tempo soberano do
Senhor.
A impaciência é prejudicial porque interrompe a
"Obra Perfeita". O texto diz que a paciência tem uma "obra" a realizar.
A impaciência é o
"atalho" perigoso. Quando somos impacientes, agimos por conta
própria e impedimos que Deus conclua o trabalho de moldar nosso caráter. Se a paciência não completar sua obra, o resultado será
uma vida espiritual inacabada.
O alvo da paciência é a maturidade,
tornar-se (perfeitos e íntegros). Ser "perfeito"
aqui não significa ausência de pecado, mas maturidade plena.
A impaciência é uma marca de imaturidade
espiritual; ela foca no que nos falta agora, enquanto a paciência foca no que Deus está
construindo para a eternidade.
O versículo mostra a cura para a
deficiência espiritual.
A ARC usa a expressão " faltar em coisa
alguma/em nada deficientes". Tg 1, 4 Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.
Isso mostra que a
impaciência nos torna crentes "incompletos" ou com falhas de caráter
(como a murmuração e a ansiedade). Vencer a impaciência é o caminho para
não sermos deficientes na fé, mas sim cristãos robustos e constantes.
Paciência é resistência: No original, a paciência (hupomone) é a
capacidade de permanecer firme sob pressão. A impaciência é o desejo de fugir da prova; a
paciência é a decisão de crescer dentro dela.
DECORE: A impaciência é a falta de
confiança na soberania de Deus. Para sermos íntegros e maduros, precisamos
permitir que a paciência termine o seu trabalho(nos aperfeiçoar), sem tentar
apressar o relógio do Céu.
O Rei Saul foi um exemplo de impaciência
que custou um Reino (1 Samuel 13)
Saul deveria esperar o profeta Samuel
por sete dias
para oferecer o sacrifício antes da batalha contra os filisteus.
- O Erro: Ao ver o povo se
dispersando e Samuel demorando, Saul ficou impaciente e
ofereceu o sacrifício por conta própria (invadindo a função de sacerdote).
- A
Consequência: Ele
tentou apressar a "obra" e acabou sendo reprovado. Samuel lhe
disse: "O teu reino não subsistirá".
- Lição pra nós: A
impaciência nos faz tomar o lugar de Deus e desobedecer Suas ordens claras
sob a desculpa da "urgência".
O outro exemplo clássico é o de Abraão
e Sara: A Impaciência que gerou Conflitos (Gênesis 16)
- O Erro: Cansados de esperar, Sarai
sugeriu que Abraão tivesse um filho com a serva Agar. Eles foram impacientes com
o tempo da promessa e tentaram "ajudar" Deus.
- A
Consequência: Nasceu
Ismael, o que gerou conflitos familiares que perduram por gerações até
hoje.
- Lição pra
nós: Quando
somos impacientes, criamos "Ismaéis" — soluções humanas para
problemas que só Deus pode resolver no Seu tempo perfeito(kairós).
- Saul foi impaciente por medo das
circunstâncias.
- Abraão e Sarai foram impacientes por duvidarem da demora de Deus.
TEXTO
ÁUREO (Aqui já estarei comentando o TÓPICO I - 1. O plano para
“ajudar” a Deus).
“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela.
E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Gn 16.2).
Este versículo é revela a tensão entre a promessa divina e a
tentativa humana de "ajudar" a Deus. E no hebraico é assim:
Vayomer Saray el Avram
(E disse Sarai a Abrão)
Hine na atsaraniy Adonay miledet
(Eis que agora o Senhor me impediu de gerar)
Bo na el shifchatiy
(Entra agora à minha serva)
Ulay ivaneh mimena
(Talvez eu seja edificada por meio dela)
Vayishma Avram leqol Saray
(E ouviu Abrão a voz de Sarai)
NOTA:
A palavra ’ibbaneh (אִבָּנֶה) é a chave
gramatical e teológica para entender a intenção de
Sarai em Gênesis 16:2.
A raiz de ’ibbaneh é o verbo (בָּנָה - banah),
que significa "construir",
"edificar" ou "estabelecer".
Saray queria edificar a família e garantir a herança e a continuidade do nome de
Abrão tendo filhos.
Banah (Verbo): Construir/Edificar.
Ben (Substantivo): Filho (que deriva da mesma
ideia de "construção" da linhagem).
Ao usar ’ibbaneh, Sarai não está apenas
dizendo que "terá filhos", mas que ela será "construída
como uma casa" ou "restaurada" através
do filho da serva. Na
cultura bíblica, uma mulher sem filhos era vista como uma "casa em
ruínas"; o nascimento de um herdeiro era o que "edificava" sua
honra e existência social.
“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela.
E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Gn 16.2).
A expressão de Sarai “porventura,
terei filhos dela” pode
ser traduzida como: "Talvez eu seja edificada/restaurada
por meio dela". Sarai espera que essa construção/edificação/restauração
aconteça nela (em seu status e família), mesmo que o esforço
biológico seja de Agar. Ela está tentando garantir por meios legais e linguísticos o que Deus
havia prometido por meios milagrosos.
No contexto
do antigo oriente próximo, era um direito legal e uma
obrigação social da esposa estéril fornecer uma serva ao marido para
garantir a descendência.
Essa
prática era regulamentada por códigos jurídicos da época, como o Código de Hamurabi e
as Tábuas de Nuzi. O objetivo era:
- Proteger o
Casamento: A esterilidade era uma causa aceitável para o
divórcio. Ao
oferecer Agar, Sarai estava exercendo um direito que visava proteger seu
próprio status como esposa principal, evitando que Abrão a deixasse
para se casar com outra mulher.
- Fornecer Maternidade
Legal: Pela lei da época, o filho
nascido da serva pertencia legalmente à esposa legítima. Isso explica a frase de Sarai:
"terei filhos dela" (Gn 16:2).
- Controlar
a Linhagem: Era dever da esposa garantir que a "casa"
(família) do marido não se extinguisse. Em alguns contratos de
casamento de Nuzi (cidade da antiga Mesopotâmia), havia cláusulas específicas que obrigavam a esposa a
fornecer uma serva se ela não engravidasse após um certo período
(geralmente sete ou dez anos).
- Garantir o
Direito de Propriedade: Como a serva era propriedade pessoal
da esposa (muitas vezes parte do seu dote), a esposa tinha autoridade
total sobre ela e sobre a decisão de entregá-la ao marido.
OBs: Portanto, Sarai não estava agindo de
forma estranha para sua cultura; ela estava seguindo uma norma jurídica
estabelecida para resolver um problema que, na época, era visto como
uma falha dela e uma ameaça à sobrevivência da família.
NO
CONTEXTO CULTURAL
da
Mesopotâmia antiga (de onde Abrão veio), A "Adoção" do Ventre era
um ato legal, e o filho nascido da serva era considerado filho da esposa
legítima. Ao dizer
"terei filhos dela", Sarai está invocando esse direito jurídico de
ser edificada (estabelecida como uma casa/família) por meio de Agar".
Isso mostra que, na mentalidade semítica, uma
mulher sem filhos era como uma casa em ruínas ou inacabada.
O
Status de Agar: Agar não se torna uma "segunda esposa" com
direitos iguais, mas uma concubina com o propósito específico de procriação.
NO
CONTEXTO ETIMOLÓGICO
a expressão hebraica para "terei filhos dela" é ’ibbaneh
(vem de banah), que significa literalmente "ser edificado".
No versículo temos um [1]trocadilho
linguístico: em hebraico, "filho" é ben e "casa" é beit. Ambos derivam da
ideia de construir/edificar.
CONTEXTO
TEOLÓGICO: FÉ VS. PRAGMATISMO
Teologicamente, esse versículo foca na falta
de paciência e na substituição da fé pelo pragmatismo.
Aqui nós temos um paralelo com a
Queda no Éden: O
texto diz que "ouviu Abrão a voz de
Sarai". Isso espelha Gênesis 3, quando Adão ouve a voz de Eva. Em ambos os casos, a sugestão
humana prevalece sobre a instrução divina, gerando consequências dolorosas
(o conflito entre Ismael e Isaque).
A Promessa foi distorcida pela ação
do casal. Deus havia
prometido uma descendência a Abrão, e Sarai tenta apressar o cumprimento da promessa
através de um método puramente humano e cultural, esquecendo que o plano de Deus dependia de um
milagre, não de uma norma jurídica.
Resumo da afirmação:
Quando Sarai
diz "entra à minha serva", ela está propondo uma estratégia
de sobrevivência social. Ela aceita abrir mão da exclusividade
conjugal para remover o estigma da esterilidade e garantir que a linhagem de
Abrão não morra, usando Agar como um "instrumento" legal para
construir sua própria casa (’ibbaneh).
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 16.1-16.
1 — Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava
filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.
2 — E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me
tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos
dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.
3 — Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar,
egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos
que Abrão habitara na terra de Canaã.
4 — E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo
ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.
5 — Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja
sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou
menosprezada aos seus olhos. O SENHOR julgue entre mim e ti.
6 — E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está
na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu
de sua face.
7 — E o Anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte
de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.
8 — E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e
para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora.
9 — Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te
para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos.
10 — Disse-lhe mais o Anjo do
SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por
numerosa que será.
11 — Disse-lhe também o Anjo do
SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael,
porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.
12 — E ele será homem bravo; e a
sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará diante da
face de todos os seus irmãos.
13 — E ela chamou o nome do
SENHOR, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu
também para aquele que me vê?
14 — Por isso, se chama aquele
poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede.
15 — E Agar deu um filho a Abrão;
e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael.
16 — E era Abrão da idade de
oitenta e seis anos, quando Agar deu Ismael a Abrão.
I.
O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS
1.
O plano para “ajudar” a Deus. Quando Abrão questionou ao Senhor, dizendo que seu
herdeiro provavelmente seria o damasceno Eliézer, seu mordomo, o Senhor lhe
assegurou que isso não aconteceria. O herdeiro
seria um filho seu, de suas “entranhas”, ou seja, um filho natural, nascido do
ventre de Sarai (Gn 15.2-4). Mas o tempo passava e a promessa não se
cumpria. Então, sua esposa, observando as
circunstâncias desfavoráveis — a idade avançada do esposo e dela e a sua
esterilidade — pensou em uma solução humana, na verdade, um atalho para ver a
promessa de Deus sendo cumprida. Assim, Sarai sugeriu que Abrão se unisse a Agar, sua serva
egípcia, para que dela viesse um filho (Gn 16.1,2). A impaciência de Abrão e Sarai tornou-se maior que a fé.
O que eles não perceberam é que muitas vezes o Senhor usa o tempo e a espera, para forjar o nosso
caráter.
NOTA: Esse ITEM foi explicado no TEXTO
ÁUREO
2.
Abrão aceita o plano de Sarai. Abrão estava sendo
pressionado. Era a coação da esposa e do tempo, e acabou aceitando a tentativa
de Sarai em querer “ajudar” ao Senhor. Quando deixamos que a ansiedade e
a impaciência tomem o primeiro lugar em nosso coração, a nossa fé sucumbe e
acabamos cometendo muitos erros. Temos de seguir o conselho do salmista, que
afirma que esperou com paciência no Senhor (Sl 40.1).
NOTA: NO CONTEXTO CULTURAL da
Mesopotâmia antiga (de onde Abrão veio), A "Adoção" do Ventre era
um ato legal, e o filho nascido da serva era considerado filho da esposa
legítima. Ao dizer "terei filhos dela", Sarai está invocando
esse direito jurídico de ser edificada (estabelecida como uma
casa/família) por meio de Agar". Isso mostra
que, na mentalidade semítica, uma mulher sem filhos era como uma casa em ruínas
ou inacabada.
3.
Agar zomba de Sarai. Agar aceitou prontamente a
proposta de Sarai e certamente se sentiu muito honrada. Então, Abrão tomou sua serva, e ela engravidou. Parecia,
naquele momento, que o plano era perfeito e tudo ficaria bem. Porém, não demorou muito para Agar se
levantar contra sua senhora, zombando dela e menosprezando-a (Gn 16.4,5).
O erro de Sarai trouxe para o seu lar o desprezo, a zombaria e, certamente, a
tristeza e a dor.
NOTA: A Inversão de Valores e o Olhar de Desprezo de Agar
Ao engravidar, Agar mudou sua
perspectiva sobre Sarai.
O texto diz que sua senhora foi "desprezada aos seus olhos" (Gn
16:4 ARC). No hebraico, o termo usado é qalal (qālal), que significa
literalmente "tornar
leve" ou
"fazer parecer insignificante". Agar retirou o "peso" (a honra)
de Sarai, tratando a matriarca como alguém sem valor por ser estéril.
Qalal é frequentemente o termo usado
para maldição (em oposição a barak, bendizer).
- Em Gênesis 12:3,
Deus diz a Abrão: "amaldiçoarei os que te amaldiçoarem" (ARC). O verbo
usado para "amaldiçoar" ali também é uma forma de qalal.
Vea-varachah mevarecheicha, umqallecha aor; venivrechu
vecha kol mishpechot haadamah.
- Vea-varachah: "E
abençoarei..."
- mevarecheicha: "...os que te
abençoarem,"
- umqallecha: "...e aquele que te
amaldiçoar" (a raiz qalal aparece aqui, na
forma meqallel).
- aor: "...amaldiçoarei;"
- venivrechu
vecha: "e
em ti serão benditas"
- kol
mishpechot haadamah: "todas as famílias da terra."
- Portanto, a atitude de Agar não foi apenas
uma "fofoca" ou zombaria comum; foi um ato de maldição
prática. Ao desprezar a esposa da promessa, Agar estava,
tecnicamente, se colocando sob a sentença de Gênesis 12:3, atraindo para
si o julgamento divino que viria a seguir.
A Substituição da Honra pela Dor
O que começou como uma proposta de
honra para a serva terminou em tristeza e feridas emocionais. O estigma da
esterilidade de Sarai foi usado por Agar como arma de humilhação.
A reação de Sarai no versículo 5 — "Meu agravo seja sobre
ti" (ARC)
— mostra que o desprezo visual e moral de Agar (o ato de qalal)
transformou a expectativa do herdeiro em um ambiente de profunda dor familiar.
SINOPSE I
Abrão e Sarai tentaram ajudar a Deus,
pois se deixaram vencer pela ansiedade.
II.
AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA
1.
Conflito familiar. Não
tardou para as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestarem. As primeiras foram a competição e a soberba. Agar, a serva egípcia, comportou-se como uma competidora
fria e ingrata. Em sua altivez, ela passou a desprezar sua senhora,
causando-lhe mal-estar e trazendo confusão para o clã (Gn 16.4-6).
NOTA: O Fruto
do Atalho Humano
O conflito é a
consequência de tentar apressar as promessas de Deus por meios puramente
humanos. Sarai, ao propor
que Abrão tivesse um herdeiro por Agar, agiu conforme os costumes jurídicos da
época, mas fora da vontade divina. O
resultado imediato não foi a paz, mas a introdução do "desprezo" e da
"zombaria" no lar. A expressão bíblica "Eia, o Senhor julgue entre
mim e ti" (Gn
16:5 ARC) revela que o erro de Sarai gerou uma crise de
responsabilidade, onde ela transfere a culpa da situação para Abrão após o plano
fracassar emocionalmente.
A "honra" inicial de Agar rapidamente se transformou em
rebeldia. O ambiente familiar, que deveria ser de
expectativa pelo herdeiro, tornou-se um cenário de "tristeza e dor". Na cultura bíblica, a
esterilidade era um estigma (uma marca de vergonha), e a
atitude de Agar de menosprezar Sarai feriu o ponto mais sensível da matriarca.
Isso mostra que um benefício físico (o filho) não compensou a perda da harmonia
e do respeito espiritual dentro da tenda de Abrão.
2.
A fuga de Agar. Agar não se considerava mais serva de Sarai, mas
tornou-se sua adversária. Diante da confusão, Sarai cobra de Abrão uma
resposta imediata. Então, o patriarca responde: “E
disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é
aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face” (Gn 16.6).
Agar e Sarai agiram erradamente e sem nenhum sentimento uma pela outra.
3.
Deus entra em ação. Deus
é justo, fiel e amoroso. Ele ouve, vê e responde ao aflito. O Senhor ama a
justiça e aborrece a iniquidade (Sl 45.7). Depois que Sarai afligiu Agar, ela fugiu e foi encontrada pelo
Anjo do Senhor no deserto, junto a uma fonte. E Ele lhe perguntou: “Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais?
E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha
senhora” (Gn 16.7,8). Então,
o anjo lhe falou: “Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas
mãos” (v.9). Às vezes, é preciso retornar ao lugar de onde saímos,
nos humilhar, pedir perdão e esperar que Deus venha agir em nosso favor. O Senhor não
desamparou a serva, que estava em uma situação de vulnerabilidade. O
Eterno e justo não age como os homens. Havia também uma promessa para Agar, mas
ela precisaria retornar e humilhar-se perante sua senhora (Gn 16.10-12).
SINOPSE II
O agir por conta própria tem
consequências ruins; por isso, espere em Deus.
III.
O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA
1.
O Deus que ouve e vê. Na
solene promessa a Agar, o anjo declarou que o menino deveria ter o nome de Ismael, nome dado por Deus. Que privilégio! O significado do nome Ismael é “Deus ouviu”. Agar
parecia abandonada e perdida (Gn 16.7-11). Mas Deus se fez presente no deserto, viu e ouviu a sua
dor. O Eterno agiu em seu favor, e não só em favor de Sarai e Abrão. O Todo-Poderoso honrou aquele filho, que não era o “da
promessa”, mas era filho do amigo de Deus e pai da fé.
2.
Tudo conforme a sua soberana vontade. Nos tempos de Abrão, era comum os homens serem pai
mesmo em idade avançada. Ele teve o seu primeiro
filho com Agar quando já tinha 86 anos de idade (Gn 16.16). Para ele
deve ter sido uma experiência muito impactante. E, em obediência ao que lhe
dissera o anjo, deu-lhe o nome de Ismael. Mas Ismael não era o filho que Deus lhe prometera. Ismael era o resultado
de um plano traçado entre Sarai e Abrão e que envolvia sua serva egípcia, Agar.
No entanto, nada foge aos cuidados de Deus.
Conforme o anjo falou para Agar, Deus
fez de Ismael uma grande nação. Aprendemos com isso que Deus governa a
história, pois Ele é soberano, e os eventos acontecem da maneira como Ele
permite.
E, Ele intervém diretamente para realizar os seus
propósitos, como fez com Agar. O Senhor já havia
determinado o momento em que o filho da promessa, Isaque, viria ao mundo. Abrão
e Sarai não poderiam fazer nada em relação a isso, mas somente aguardar o
momento certo de Deus em suas vidas.
3.
O cuidado de Deus em todo o tempo.
Veja esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=zKqmnj-Vhz4&pp=0gcJCdoKAYcqIYzv
Quando Sarai tratou severamente Agar,
esta fugiu pelo deserto (Gn 16.6). A cena desperta compaixão: quem ajudaria uma serva
estrangeira e sozinha? Contudo, Deus se revelou a
Agar, mostrando que nenhum coração aflito passa despercebido aos seus olhos e
que o Senhor vela pelos que sofrem. Ele responde e cuida de nós em
tempos difíceis e nas aflições quando ninguém mais vê o que nos aflige.
Nos momentos difíceis precisamos orar e
confiar em Deus, experimentando da sua paz (Fp 4.6,7), obtendo da sua força (Ef
3.16; Fp 4.13) e recebendo a sua misericórdia, graça e ajuda. O Deus soberano, em seu infinito
amor, há de nos acolher!
SINOPSE III
Deus é soberano e Ele conduz a
história.
VERDADE
PRÁTICA
A impaciência é contrária à fé, não
devemos ser dominados por ela. Deus é fiel e cumpre suas promessas no tempo certo.
APLICAÇÃO
Não devemos andar ansiosos nem tentar
“ajudar” a Deus criando atalhos, como fez Sarai. Espere o tempo
do Senhor, confiando que Ele trabalha mesmo quando não vemos. Mantenha viva a esperança, lembrando
que aquEle que prometeu é fiel e cumpre sua Palavra/Davar no momento certo.
CONCLUSÃO
NOTA: "A imprudência de um
momento no quarto de Abrão gerou uma guerra de gerações que o tempo jamais
conseguiu apagar."
No contexto
bíblico, a impaciência não é apenas "ter pressa". Ela é uma manifestação
de falta de confiança no tempo e na soberania de Deus. Quando
somos impacientes, tentamos "atropelar" os processos divinos, o que
geralmente nos leva a decisões erradas e falta de paz.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Segundo a lição, o que Deus usa para forjar o
nosso caráter?
O Senhor usa o tempo, a espera, para forjar o nosso
caráter.
2. O que acontece quando deixamos a impaciência
tomar o nosso coração?
Quando deixamos que a ansiedade e a impaciência tomem
o primeiro lugar em nosso coração, a nossa fé sucumbe e acabamos cometendo
muitos erros.
3. Segundo o Salmo 40.1, como devemos esperar?
Devemos esperar com paciência no Senhor.
4. Quais foram as primeiras consequências do erro
de Sarai?
As primeiras consequências foram a competição e a
soberba.
5. Como deveria se chamar o filho de Abrão com
Agar? Qual o significado do seu nome?
Ismael. O significado do nome Ismael é “Deus ouviu”.