MINHA INTRODUÇÃO - "O Altar no Deserto das Incertezas"
"A gente conhece e
fala muito sobre a promessa de Deus a Abrão, mas o que é muito pouco falado e compreendido
é o peso do silêncio entre
a promessa e a posse da benção! No hebraico, a palavra para semente é Zerá —
algo que precisa ser enterrado, ficar no escuro e 'morrer' para frutificar.
Quando Deus falou com Abrão ele recebeu a semente da promessa: “À tua
semente darei esta
terra.”
Diferente do 'Deus
ausente' do deísmo, que cria o mundo e o abandona à própria sorte, o Deus de
Abrão se revela (Vai-yera) no meio do nada. Ele não entrega a terra pronta; Ele entrega uma palavra.
“E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E
edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” (Gn 12.7).
Vai-yera Yahweh el-Avram... (E apareceu o Senhor a Abrão)
vai-yomer... (e disse)
le-zaracha
eten... (à tua semente darei)
Diante
desse verbo difícil “darei”
(futuro do presente) a resposta de Abrão não foi uma dúvida, foi
um Zavach: um sacrifício. Abrão agiu em contraste com o sentimento humano natural que
seria duvidar.
Diante de uma promessa
humanamente impossível (ele era velho e não tinha filhos), Abrão não parou para
debater a lógica com Deus. Em vez de erguer um
"ponto de interrogação", ele ergueu um Mizbeach (altar).
Zavach (זָבַח) raiz etimológica de Mizbeach (altar) significa "abater" ou
"sacrificar". Construir um altar e oferecer um sacrifício
envolvia custo, sangue e renúncia. Abrão
"matou" sobre o altar de FÉ que construiu sua própria lógica e
segurança para dar lugar à palavra de Deus.
Abrão toma posse da terra e
consagra o lugar através do Zavach/sacrifício. Ele marca o solo com
um sacrifício, dizendo: "Este lugar agora
pertence ao Deus que me apareceu".
DECORE: Enquanto a dúvida paralisa,
o Zavach (sacrifício/altar) movimenta a fé. Abrão respondeu à
visão (Vai-yera) com uma entrega concreta, provando que confiava mais no
"Doador" do que nas circunstâncias.
Hoje vamos aprender que
a fé cristã não é a
ausência de conflitos, mas a
presença de um Altar. Abrão edificou um memorial onde nada ainda havia florescido.
Se a sua fé está sendo testada hoje, entenda: Deus não está ausente como no Deísmo; Ele está forjando
em você a resistência da Zerá (semente) para que você
suporte a glória da possessão da benção. Preparem
seus corações, pois uma fé que não é provada, não pode ser aprovada!"
OBJETIVOS
DA LIÇÃO
Apresentar
o retorno de Abrão
do Egito para Canaã
Enfatizar
as consequências das
nossas escolhas
Mostrar
os altares erguidos
por Abrão a Deus.
NOTA: Depois de se
separarem, Deus prometeu a Abrão que sua semente seria como o pó da terra e que
lhe daria todo aquele lugar por herança. Na aula passada eu apresentei
uma metáfora para Ló, mostrando que
ele era a representação da dúvida de Abrão. Agora que Abrão deixa a dúvida (Ló), ele recebe a promessa que está
no texto áureo:
“E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E
edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” (Gn 12.7).
Vai-yera Yahweh el-Avram... (E apareceu o Senhor a Abrão)
vai-yomer... (e disse)
le-zaracha
eten... (à tua semente darei)
et-ha-aretz
ha-zot... (esta terra)
CONSIDEREM
ISSO!!!
Porque estudamos a Bíblia com base nos originais (hebraico, grego e latim) aqui no nosso Canal? É porque
isso permite um contato direto com as fontes primárias, eliminando a
"distância" que as traduções inevitavelmente criam. (Pr. Luiz
Antonio).
Estudar
a Bíblia nos idiomas originais é como trocar uma TV
de tubo por uma 4K! Isso permite que nuances profundas e
jogos de palavras, muitas vezes perdidos na tradução, se tornem nítidos. Esse
contato direto garante maior fidelidade exegética, evitando interpretações errôneas ao analisar o texto
dentro de sua própria estrutura gramatical, além de proporcionar uma imersão
real na cosmovisão e cultura dos
autores bíblicos.
Usando o hebraico e o
grego você ganha autonomia
intelectual para chegar às suas próprias
conclusões teológicas sem depender de terceiros, transformando o conhecimento
original em uma ferramenta poderosa que enriquece o ensino e traz muito mais
precisão à sua exposição das Escrituras.
Embora as traduções em português sejam de alta qualidade e suficientes para a compreensão do Evangelho, o estudo das línguas originais nos dão profundidade e precisão no entendimento das Escrituras.
Palavra-Chave:
PROMESSAS
No hebraico
bíblico, não temos uma palavra específica que signifique apenas
"promessa" (como um substantivo abstrato) do jeito que temos no português.
No lugar de “Promessa” encontramos
muitas vezes o hebraico “Davar/Palavra”, Berit (Aliança) e Omer (Dito).
O
termo Davar está ligado à ação de prometer. Quando a Bíblia diz que Deus
"prometeu", ela usa o verbo Davar (falar/declarar). No pensamento hebraico, se Deus falou, o compromisso
está selado. A palavra dita é o próprio contrato.
Olha texto de 1 Reis 8:56:
Almeida Revista e Corrigida (ARC):
"Bendito seja o SENHOR, que deu
repouso ao seu povo Israel, segundo tudo o que disse; nem uma só palavra caiu de todas as suas boas promessas que falou
pelo ministério de Moisés, seu servo."
No Hebraico: Baruk Adonai asher natan menuchah
leammo Yisrael kekol asher dibber lo nafal davar echad
mikkol debaro hattov asher dibber beyad Mosheh avdo
Vamos
traduzir palavra por palavra pra entender melhor!?
Baruk Adonai (Bendito seja o Senhor)
asher natan menuchah (que deu
repouso)
leammo Yisrael (ao seu povo Israel)
kekol asher dibber (segundo tudo o
que disse)
lo
nafal davar echad (nem uma só
palavra caiu)
mikkol debaro hattov (de todas as suas boas promessas)
asher dibber (que falou)
beyad Mosheh avdo (pelo ministério de
Moisés, seu servo)
OBs:
No original, a promessa não é apenas uma intenção, mas a própria Palavra
(Davar) de Deus empenhada que não cai por terra.
Note que no final do versículo de 1
Reis 8:56, onde a ARC traduz como "boas
promessas", o hebraico usa debaro
hattov (literalmente: "suas
palavras boas"). Isso reforça que, para o pensamento bíblico,
a promessa de Deus não é um conceito abstrato, mas a sua
própria palavra empenhada e em execução.
No hebraico, uma "palavra" não é apenas som, é um evento. Quando Deus "fala" (Davar), a promessa passa a ter existência real. Assista esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=yF7UM4O88rI
Outros termos relacionados são:
Berit
(Aliança): Muitas
vezes a "promessa" de Deus é formalizada como uma Berit (aliança),
que é o compromisso jurídico e espiritual entre Ele e Abrão.
Omer
(Dito): Também
usado para "o que foi dito" por Deus.
"No
hebraico, Deus não 'faz uma promessa' como se fosse um plano futuro;
Ele Davar (fala), e Sua palavra é tão poderosa que o que foi dito já
é considerado fato."
Davar (דָּבָר) é a Palavra
Emisora, é o ato de Deus falar e declarar a promessa. É a garantia verbal que
cria a realidade. No
hebraico, Davar é palavra e acontecimento ao mesmo tempo.
Enquanto
a promessa (Davar) é o que Deus diz, a aliança (Berit) é o
vínculo inquebrável que Ele estabelece com Abrão para garantir que essa palavra
se cumpra. "Davar é
a Palavra que sai da boca de Deus, e Berit é o nó que Ele dá nessa
palavra para que ela nunca se solte da história de Abrão."
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TEXTO
ÁUREO
“E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E
edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” (Gn 12.7).
Vai-yera Yahweh el-Avram... (E apareceu o Senhor a Abrão)
vai-yomer... (e disse)
le-zaracha
eten... (à tua semente darei)
et-ha-aretz ha-zot... (esta terra)
vai-yiven sham mizbeach la-Yahweh... (e edificou ali um altar ao
Senhor)
ha-nir-eh elav. (que lhe aparecera).
Olha
que forte isso: Deus aparece, fala e faz promessa!
Nosso Deus é presente,
não é como no Deísmo (um deus ausente), que não se envolve na vida de
seus servos!
Vídeos da nossa Série Conceitos
Teológicos e Filosóficos sobre Deísmo, Teísmo, Pandeísmo.
https://www.youtube.com/watch?v=WoWcsga9FTU
https://www.youtube.com/watch?v=u81qEJClD9w
https://www.youtube.com/watch?v=IC1g00W5BoQ
NOTA: No Deísmo, deus é chamado de
"ausente" porque, embora seja o criador, ele é visto
como Impessoal:
Um deus que como um Relojoeiro
criou o universo como um relógio perfeito, deu a "corda" (leis da
física) e se retirou, deixando-o funcionar sozinho. E o deus do deísmo não faz Intervenção, ele
não faz milagres, não envia profetas e não responde a orações. No deísmo a natureza
segue seu curso imutável.
Nessa corrente filosófica deus é conhecido
pela razão. Diferente de Abrão (que ouviu
a voz de Deus), o deísta só conhece a Deus observando a lógica e a ordem da
criação, sem qualquer relacionamento pessoal.
Se eu fosse resumir a ideia central do
deísmo em uma frase, diria que: “Deus fez a máquina (Universo) e foi embora, deixando a
humanidade governada apenas pela razão e pelas leis naturais.”
DECORE: Enquanto o deus do deísmo é o arquiteto que se retira e deixa a criação funcionar sozinha, o Deus de Abrão é o Pai que se revela e caminha junto com a sua semente.
NOTA: Como sempre fazemos aqui no Canal, vou deixar aqui pra
vocês a análise etimológica dos termos centrais de Gênesis 12.7: A Manifestação - A Semente - O Altar
No hebraico bíblico, esse versículo marca o momento em que a promessa de Deus deixa de ser apenas falada e se torna uma aliança visual e territorial.
“E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E
edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” (Gn 12.7).
"Vai-yera Yahweh el-Avram, vai-yomer: le-zaracha eten et-ha-aretz ha-zot;
vai-yiven sham mizbeach la-Yahweh ha-nir-eh elav."
1.
A Manifestação: Wayyēra’ (וַיֵּרָא)
Vai-yera Yahweh el-Avram... (E apareceu o Senhor a Abrão)
Na sua etimologia Wayyēra’ (וַיֵּרָא) vem da raiz Ra-ah (רָאָה),
que significa "ver".
Wayyēra’ (וַיֵּרָא) está no grau Niphal. Niphal é o modo (passivo/reflexivo - quando o
sujeito recebe a ação), traduz-se como "deixou-se ser visto" ou "tornou-se
visível".
Significa que Deus se
tornou visível ou perceptível a Abrão.
Significado
Teológico: Não foi apenas um sentimento; foi uma teofania.
Deus iniciou o contato, tornando-se perceptível aos sentidos de Abrão.
2.
A Semente: Zera‘ (זֶרַע)
le-zaracha
eten... (à tua semente darei)
Na sua etimologia le-zaracha Deriva de zāra‘, que
significa "semear"
ou "espalhar
sementes".
O significado teológico: No hebraico, zera‘ refere-se
tanto ao grão agrícola (semente que se planta na terra) quanto à descendência biológica. A promessa foca
na continuidade genética e espiritual que ocuparia a
terra. (Israel/genética
Igreja/espiritual).
le-zaracha eten... Eten (אֶתֵּן): "Darei". Vem de Natan (dar/entregar/presentear). É uma promessa de transferência de posse.
3.
O Altar: Mizbēaḥ (מִזְבֵּחַ)
Vai-yiven sham mizbeach la-Yahweh... (e edificou ali um altar ao Senhor)
Na sua etimologia a palavra mizbeach vem da raiz Zavach (זָבַח), que
significa “sacrifício”,
"abater" ou "sacrificar".
Nota: No
hebraico, essa palavra carrega a ideia de um abate ritual.
Enquanto no Deísmo Deus está distante, o termo Zavach em
Gênesis mostra que o homem pode "tocar"
o divino através de um sacrifício em um lugar específico.
Significado Teológico: Literalmente,
um mizbēacḥ é um "lugar de sacrifício".
Ao construir um altar,
Abrão "consagra" a terra prometida, reconhecendo que ela pertence ao
Senhor por meio de um ato de adoração e rendição.
Resumo
Teológico DECORE: Abrão
responde à visão (ra’ah) com uma edificação (banah).
O altar é o marco
geográfico da sua fé na palavra de Deus sobre o futuro da sua descendência.
Curiosidade: Note que o nome de Deus (Yahweh)
aparece duas vezes: primeiro Ele toma a iniciativa de aparecer, e depois Abrão
responde dedicando o altar a Ele.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 13.7-18.
7 — E houve contenda entre os pastores do gado de
Abrão e os pastores do gado de Ló; e os cananeus e os ferezeus habitavam,
então, na terra.
8 — E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda
entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos
somos.
9 — Não está toda a terra diante de ti? Eia,
pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a
direita escolheres, eu irei para a esquerda.
10 — E levantou Ló os seus olhos
e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem-regada, antes de o Senhor ter
destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do
Egito, quando se entra em Zoar.
11 — Então, Ló escolheu para si
toda a campina do Jordão e partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do
outro.
12 — Habitou Abrão na terra de
Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma.
13 — Ora, eram maus os varões de
Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR.
14 — E disse o Senhor a Abrão,
depois que Ló se apartou dele: Levanta, agora, os teus olhos e olha desde o
lugar onde estás, para a banda do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente;
15 — porque toda esta terra que
vês te hei de dar a ti e à tua semente, para sempre.
16 — E farei a tua semente como o
pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, também a tua
semente será contada.
17 — Levanta-te, percorre essa
terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei.
18 — E Abrão armou as suas
tendas, e veio, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e
edificou ali um altar ao SENHOR.
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I.
ABRÃO VOLTA DO EGITO PARA CANAÃ
1. Contenda entre os pastores. Devido à riqueza de Abrão e Ló, no retorno para Canaã, a terra onde estavam acampados não comportava suas famílias: “[...] porque sua fazenda era muita; de maneira que não podiam habitar juntos” (Gn 13.6). É importante ressaltar que Deus já havia alertado a Abrão que ele deveria sair de sua terra e da sua parentela (Gn 12.1). Longe da família e dos seus conhecidos, Abrão teria a sua fé lapidada por Deus.
NOTA:
O Conflito da Prosperidade
O problema não era a falta, mas a abundância (“a fazenda era muita”). A contenda entre os pastores serviu como um catalisador para que Abrão finalmente cumprisse a ordem original de Deus: separar-se da sua parentela (Gn 12:1). Enquanto Ló escolheu pela aparência (as campinas do Jordão), Abrão escolheu pela confiança/Fé, permitindo que o sobrinho decidisse primeiro, demonstrando que sua segurança estava na promessa de Deus, e não na melhor terra.
A
Diferença entre "Ver" e "Levantar os Olhos" - Contraste visual no capítulo 13:
A visão humana (Ló): "Levantou
Ló os olhos e viu toda a campina..." (Gn 13:10).
Ló olhou com cobiça e critérios puramente humanos, o que o levou a armar suas
tendas até Sodoma.
A visão espiritual (Abrão): Somente depois que
Ló se separou, Deus disse a Abrão: "Levanta os olhos e
olha... toda esta terra que vês, eu a darei a ti" (Gn
13:14-15).
Obs: Levantar os olhos por ordem
de Deus equivale a olhar pra cima/pra Deus/pras coisas de Deus, diferente de Ló
que "Levantou Ló os olhos (por si mesmo) e viu toda a
campina..."
Olha
Isso! Deus só revela a plenitude da herança
para Abrão quando ele se separa daquilo que o impedia de obedecer totalmente. A
paz e a promessa muitas vezes dependem de uma separação necessária.
Aplicação prática baseada na postura
de Abrão (Gn 13:8-9)
Abrão dá "Prioridade à Paz"
em vez do "Direito de Ter Razão". DECORE: "Muitas
vezes perdemos a paz tentando ganhar uma discussão. Abrão ganhou a promessa
porque estava disposto a 'perder' a escolha da terra."
2.
Abrão e Ló se separam. Abrão deve ter se entristecido ao constatar que seus pastores e os
de Ló estavam brigando por pastagens. Percebendo o problema, o patriarca chamou seu sobrinho e
propôs uma solução generosa: que Ló escolhesse primeiro a direção para onde
queria ir — se ele optasse pela esquerda, Abrão seguiria para a direita; e, se
escolhesse a direita, ele tomaria o caminho oposto. Dessa forma, o patriarca demonstrou que preferia manter a
comunhão do que insistir em seus próprios direitos, confiando que Deus cuidaria
de sua porção na terra (Gn 13.8,9). Temos que seguir seu exemplo, pois a
Palavra de Deus nos exorta a “se for possível, quanto estiver em vós, tende paz
com todos os homens” (Rm 12.18). Agir de maneira pacífica não significa
fraqueza ou covardia, mas demonstra o caráter de quem tem uma fé alicerçada em
Deus.
Nota:
Lições
pra nós hoje: No conflito entre os pastores, Abrão, sendo o mais velho e o detentor da
promessa, tinha todo o direito hierárquico de escolher
primeiro. No entanto, ele abre mão do seu direito em favor da paz familiar.
Abrão teve a iniciativa de
conciliação. Ele não esperou o
problema piorar. Ele disse: "Não haja contenda entre mim e
ti". No
Reino de Deus, o mais maduro espiritualmente é quem costuma dar o primeiro
passo para resolver o conflito.
Abrão demonstrou generosidade como
fruto da Fé. Quem confia que
Deus é o seu provedor não precisa brigar por "comida". Abrão foi generoso porque sabia
que sua herança não dependia da terra que Ló escolhesse, mas da Promessa que
Deus mantinha.
Uma
coisa que eu aprendi! Distância nem sempre é falta de amor. Às vezes, para preservar o
relacionamento e a paz, a separação física ou de negócios é a solução mais
sábia e espiritual.
3.
As escolhas de cada um. Ló não buscou a direção de Deus em sua
escolha e nem respeitou seu tio. Escolheu somente pela aparência, vendo a
beleza da fertilidade da campina do Jordão (Gn 13.10,11). Abrão, homem
de fé, temente a Deus, preferiu escolher a terra prometida por Deus, a terra de
Canaã: “Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló
habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram
maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o SENHOR” (Gn 13.12,13).
O lugar escolhido por Abrão
não era tão aprazível quanto o que Ló escolheu. Contudo, ele teve a bênção de
Deus. Isso nos mostra que não devemos decidir nada sem a direção de
Deus, nem nos deixar levar pelas aparências. Escolhas sem a orientação divina
quase sempre resultam nas piores consequências.
SINOPSE I
Abrão retornou do Egito para Canaã
crendo na promessa de Deus.
II.
AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS
1.
Resultados da escolha de Abrão. Nossas escolhas são
opcionais, mas as consequências são inevitáveis e quase sempre imprevisíveis.
O texto bíblico nos mostra que Deus aprovou a escolha de Abrão (Gn 13.14). Ele estava na direção de Deus e agindo de maneira
correta. O Senhor o orientou sobre o futuro daquela terra, bem como
sobre as consequências de sua submissão à vontade dEle. Em breve, Abrão iria
colher os frutos de suas escolhas, “porque tudo que o homem semear, isso também
ceifará” (Gl 6.7).
NOTA:
Sobre as boas escolhas de Abrão.
"Quem escolhe pela fé não abre
mão do futuro, mas entrega o presente nas mãos Daquele que é dono de
tudo." Isso (enfatiza que a boa escolha de Abrão foi
baseada na confiança em Deus, e não na autossuficiência).
"Abrão não escolheu a melhor
terra, ele escolheu a melhor Companhia (Deus); por isso, qualquer lugar onde
ele pisasse seria abençoado." Isso (destaca que a presença de
Deus é o que realmente valida e prospera uma decisão).
"A renúncia de Abrão ao seu
direito de escolha provou que sua herança não estava no chão que ele pisava,
mas na Promessa que o sustentava." Isso mostra que (as boas
escolhas espirituais muitas vezes envolvem abrir mão de vantagens temporárias).
2.
Resultados da escolha de Ló. Tempos depois, a terra que
Ló escolhera foi invadida por quatro reis, que o levaram cativo com sua família
(Gn 14.12). Já imaginou o arrependimento dele por ter escolhido aquela
terra? Sua escolha não teve a direção de Deus. Agora Ló estava colhendo aquilo
que tinha semeado.
2.
Resultados da escolha de Ló. Quando Abrão tomou conhecimento do que havia acontecido com seu
sobrinho, saíram ele e todos os seus empregados em defesa de Ló. A atitude do patriarca demostrou que ele não tinha nenhum
tipo de ressentimento quanto à escolha de Ló. Abrão
pelejou em favor de seu sobrinho e o libertou e a todos que foram
levados cativos (Gn 14.14-16). O “pai da fé” confiava em Deus e sabia o momento
certo de agir. Precisamos orar, confiar no Senhor, mas também agir no momento
certo. “Fé/dependência não é passividade!!!”
(Pastor Luiz Antonio).
SINOPSE II
As escolhas trazem consequências,
boas ou ruins.
III.
OS ALTARES ERGUIDOS POR ABRÃO
1.
Abrão, um construtor de altares. Além
de ser um homem de fé e obediência, Abrão era um adorador. Ele levantou
altares, quando passava pelos lugares em consagração e adoração ao Senhor.
A
Bíblia registra a construção de quatro altares por Abrão. O Altar de Siquém (Altar da Promessa), o altar de Betel (altar da invocação), o altar de Hebrom (altar da comunhão), o altar do Monte Moriá (altar da entrega total).
Abrão construiu o primeiro altar em Siquém, que significa “ombro”. O
Altar de Siquém é o (Altar da Promessa), construído logo após sua chegada a Canaã. Deus lhe apareceu e
prometeu dar aquela terra à sua descendência (Gn 12:6-7).
Siquém era uma das cidades de
refúgio. O altar em Siquém foi erguido em gratidão a Deus pelas bênçãos e
promessas que recebeu. Ali Deus apareceu a Abrão e lhe prometeu que daria
aquela terra à sua descendência (Gn 12.7).
NOTA: Abrão responde à visão (ra’ah)
com uma edificação (banah). O altar é o marco geográfico da sua fé na palavra
de Deus sobre o futuro da sua descendência.
Para Abraão, construir um altar não era apenas uma
formalidade religiosa, mas um ato de consagração e reconhecimento
público da presença e das promessas de Deus em sua vida.
O
altar representa quatro coisas:
- Comunhão: Um
lugar de encontro e diálogo do homem com Deus a quem buscava.
- Testemunho: Ao
erguer um altar em terras pagãs, Abraão declarava sua fé no único Deus
verdadeiro.
- Memória
Espiritual: Cada altar marcava um momento onde Deus
se revelou ou renovou uma promessa.
- Sacrifício: O
lugar de entrega total, onde o adorador reconhece que tudo o que possui
pertence ao Senhor.
2.
Mais um altar. Abrão também construiu um altar em Betel (que significa Casa de Deus) e ali invocou o nome do
Senhor (Gn 12.8).
Obs: O
Altar de Betel é o (Altar da Invocação): Erguido entre Betel e Ai. Ali, Abraão armou sua tenda e "invocou o nome do Senhor",
estabelecendo um hábito de oração e dependência (Gn 12:8).
Ele sabia o que era estar na “Casa de Deus”. Não era
só um homem de fé, mas um adorador por excelência. Hoje, há muitos crentes que
não dão valor à Casa de Deus, ao lugar escolhido e consagrado para adorá-lo. Mas congregar é um dever de todo cristão fiel (Hb 10.25).
Hebreus
10:25 diz: "Não deixemos de
congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e
tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima".
NOTA: Congregar é um Dever de (responsabilidade coletiva), de
amor
No original
grego, o texto tem um tom de exortação mútua. O autor de Hebreus apresenta o congregar não como uma
opção social, mas como uma necessidade de sobrevivência espiritual.
O Contexto: Os crentes estavam sofrendo
perseguição e tentados a abandonar a fé, por isso Paulo diz: "Não deixemos de congregar-nos, como é costume de
alguns...” pra não
perder a fé na perseguição! O "costume de alguns" mencionado no verso
mostra que o desânimo espiritual começa justamente pelo isolamento.
O Objetivo: O dever aqui não é "bater
cartão" na igreja, mas sim zelar uns pelos outros. O texto diz para "admoestar"
(encorajar/advertir). Se você não está lá, não pode apoiar ninguém nem ser
apoiado. É o dever da preservação do Corpo de Cristo.
3.
O altar em Hebrom e Moriá.
NOTA: O Altar de Hebrom (Altar da
Comunhão): Levantado após a separação de Ló.
Em Hebrom (que significa
"comunhão" ou "aliança"), Abraão reafirmou sua
amizade com Deus e recebeu a confirmação da extensão de sua herança (Gn 13:18).
É interessante que Abrão foi para
Hebrom, que significa “união”, depois que seu sobrinho Ló separou-se dele. Esse
fato nos lembra que, em nossa jornada, devemos viver em união: “Oh!, quão bom e
quão suave é, que os irmãos vivam em união [...]” (Sl 133.1). Precisamos
permanecer no amor fraternal (Hb 13.1).
O Altar do Monte Moriá é o (Altar da
Entrega): O altar mais significativo, onde Abraão
foi provado ao oferecer seu filho Isaque. Representa o ápice da adoração: a obediência completa e o reconhecimento de Deus
como o Provedor (Jeová
Jiré) (Gn 22:9).
Deus provou a fé de seu amigo. Não
foi fácil para o patriarca ouvir aquela determinação. Imagine o coração do pai
quando o filho perguntou: “Meu pai! E ele disse:
Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o
cordeiro para o holocausto?” (Gn 22.6,7). A resposta do patriarca
demostrou toda a sua confiança em Deus. Ele afirmou: “[...]
Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho [...]” (Gn 22.8).
Esse acontecimento não foi uma encenação. Foi uma prova real que revelou a
obediência e a fé do patriarca. Ali, Abraão, diante de Isaque, inocente,
edificou um altar, chamou o seu filho e o amarrou sobre a lenha. Isaque poderia
ter protestado, mas submeteu-se resignadamente, demonstrando a sua confiança no
Deus de seu pai e seu. Depois de provado, o anjo
mostrou a Abrão um cordeiro para o sacrifício.
SINOPSE III
Abrão em um gesto de fé e adoração ergueu altares ao Senhor.
VERDADE
PRÁTICA
Quando Deus faz uma promessa incondicional, Ele a cumpre plenamente.
APLICAÇÃO
Não tome decisões sem consultar a Deus como fez Ló, pois toda escolha traz consequências. Siga o exemplo de Abrão que escolheu o caminho da fé, da obediência e da adoração, e o Senhor o honrou com promessas extraordinárias.
CONCLUSÃO
A
FÉ de Abrão era baseada em relacionamento com Deus. E
em cada fase de sua jornada, boa ou difícil, ele sempre construía um altar de
adoração ao Senhor.
Abrão nos ensina a respeito da fé e da adoração genuína a Deus. Que assim como
fez Abrão, venhamos erguer altares ao nosso Pai em gratidão e adoração por tudo
que Ele é e tem feito por nós.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Segundo a lição, qual o motivo que levou Ló e
Abrão a se separarem?
Por causa da riqueza de Abrão e de
Ló, no retorno a Canaã, a terra não comportava as famílias do tio e do
sobrinho, e os pastores brigavam por pastagens.
2. Como agiu Abrão diante da contenda dos pastores?
Abrão agiu como um pacificador.
3. De acordo com a lição, o que demonstra o agir de
maneira pacífica?
Agir de maneira pacífica não
significa ser fraco ou covarde, mas demonstra o caráter de quem tem uma fé
alicerçada em Deus.
4. O que fez Abrão ao tomar conhecimento do que
havia acontecido com Ló?
Quando Abrão toma conhecimento do que
havia acontecido com seu sobrinho, saíram ele e todos os seus empregados em
defesa de Ló.
5. Qual o nome da cidade onde Abrão ergueu o
primeiro altar?
Abrão construiu o primeiro altar em
Siquém.
