googlefc.controlledMessagingFunction Lição 11: O Pai e o Espírito Santo Data: 15 de março de 2026

Lição 11: O Pai e o Espírito Santo Data: 15 de março de 2026

INTRODUÇÃO 

A relação entre o Pai e o Espírito Santo na obra da salvação nos mostra como a Trindade atua em favor do crente. O Espírito Santo não apenas nos livra da escravidão do pecado, mas confirma nossa identidade como filhos adotivos de Deus e nos conduz à herança eterna que o Pai preparou. Estudar essa ação conjunta é compreender que a vida cristã é marcada por libertação, filiação, direção e promessa eterna.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Mostrar que o Espírito Santo nos liberta da escravidão do pecado e confirma nossa filiação em Cristo;

Explicar que o Espírito Santo guia o crente na vontade do Pai;

Destacar que a Trindade nos conduz à herança eterna.


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PALAVRA-CHAVE: FILIAÇÃO

A palavra filiação vem do grego υἱοθεσία (huiothesía) e significa literalmente "colocação como filho" ou "posição de filho". A palavra é composta por dois termos gregos fundamentais que definem seu significado jurídico e teológico: 

υἱός (huiós): "filho". (Vou explicar no texto áureo)

θέσις (thésis): derivado do verbo tithēmi, que significa "colocar""pôr" ou "estabelecer".

Indica um ato deliberado de posicionar algo ou alguém em um novo lugar ou status. 

 

O conceito de filiação (huiothesia) é um dos pilares da teologia de Paulo para descrever nossa nova identidade em Cristo. Ela não se refere apenas a um sentimento, mas a um status jurídico e espiritual definitivo.

No contexto greco-romano da época de Paulo, a adoção era um ato legal onde um indivíduo era retirado de sua  antiga família (e de suas dívidas) e colocado em uma nova, recebendo todos os direitos, o nome e a herança do novo pai

 

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A Bíblia usa este termo para mostrar que não somos filhos de Deus "por natureza" (apenas Jesus é o Filho unigênito), mas somos tornados filhos por uma decisão legal e amorosa de Deus através de Jesus. 

Romanos 8:15: Paulo afirma que não recebemos um espírito de escravidão para ter medo, mas o "Espírito de adoção" (pneuma huiothesias), que nos permite clamar "Aba, Pai". Isso indica intimidade e o fim da condição de órfão ou escravo.

Gálatas 4:4-5: Diz que Jesus veio para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Aqui, a filiação está ligada à liberdade: deixamos de ser escravos das regras para sermos herdeiros de Deus.

Efésios 1:5: Mostra que essa filiação foi planejada antes da fundação do mundo. Deus nos "predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom prazer da sua vontade".

 

TEXTO ÁUREO 

Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” (Rm 8.14).

"hosoi gar pneumati theou agontai, houtoi huioi theou eisin."

 

“Guiados” (agontai / ἄγονται)

O termo “guiados” (agontai / ἄγονται) deriva do verbo agō que em sua essência significa, "guiar""conduzir" ou "trazer".

No grego, o verbo está no presente passivo. Isso significa que não é um evento único, mas uma influência contínua. Ser "guiado" é permitir-se ser conduzido constantemente.

Originalmente, (agontai / ἄγονται) era usado para descrever o ato de conduzir um animal pelo cabresto ou levar alguém pela mão.

No sentido teológico indica que o Espírito Santo é o agente ativo (Ele toma a iniciativa) de guiar, mas requer a docilidade do crente (que se deixa levar). Não é uma coerção, mas uma direção aceita.

 

Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” (Rm 8.14).

 

... esses são filhos de Deus.

A distinção entre Tekna (téknon) e Huioi (huiós)

 

"A nossa natureza nos faz Tekna (filhos gerados), mas a nossa obediência ao Espírito nos revela como Huioi (filhos que manifestam o caráter do Pai)." (Pr. Luiz Antonio Me.)

 

A escolha desses termos por Paulo não é acidental. Ele usa a precisão do grego para descrever estágios diferentes da vida cristã:

Tekna (τέκνα) enfatiza o ato de ser gerado.

É um termo de afeto e que tem foco na origem. Em Romanos 8:16, o Espírito testifica que somos tekna/filhos de Deus (regenerados). Aqui, o foco é a garantia de que pertencemos à família; tekna/filhos é o DNA espiritual.

Tekna (τέκνα) tem foco na infância/aprendizado: Paulo usa essa palavra quando quer falar sobre a necessidade de crescimento ou instrução, como em Efésios 5:1 ("Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos (tekna) amados"). É o filho que olha para o pai e tenta copiar seus passos.

Tekna (τέκνα) é usado num contexto afetivo. É a palavra usada para "filhinhos" em contextos de cuidado pastoral, destacando a fragilidade e a necessidade de proteção.


Huioi (υἱοί): A Dignidade da Herança e Maturidade

O termo huioi (plural de huios) enfatiza a posição legal e o caráter do filho.

Na adoção romana (huiothesia/adoção) um huios era o filho reconhecido legalmente para herdar o patrimônio e o nome do pai.

CURIOSIDADE: Muitas vezes, um escravo poderia ser adotado como huios, ganhando direitos que um teknon (criança biológica) ainda não possuía por ser menor de idade.

Em Gálatas 4:6-7, Paulo explica que deixamos de ser "escravos" para sermos huioi (filho herdeiro). huios tem voz, tem autoridade e tem o Espírito do Filho no coração clamando "Aba, Pai".

6E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. Gálatas 4:6-7

Versículo 6: "Hoti de este huioi, exapesteilen ho Theos to Pneuma tou Huiou autou eis tas kardias hēmōn, krazon: Abba ho Patēr."

Versículo 7: "Hōste ouketi ei doulos alla huios; ei de huios, kai klēronomos dia Theou."

 

Essa passagem mostra que a identidade cristã não é assumida por esforço humano, mas por uma submissão relacional.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE Romanos 8.12-17; Gálatas 4.1-6.

Romanos 8

12 — De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne,

13 — porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.

14 — Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

15 — Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.

16 — O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

17 — E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

 

Gálatas 4

1 — Digo, pois, que, todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo.

2 — Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai.

3 — Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo;

4 — mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

5 — para remir os que estavam debaixo da lei, afim de recebermos a adoção de filhos.

6 — E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

  

I. O ESPÍRITO E AS DÁDIVAS DO PAI 

1. Da escravidão à filiação. A Escritura revela que o salvo não vive sob o domínio do “espírito de escravidão” (Rm 8.15a). Essa expressão (gr. pneûma douleía) aponta para o estado de servidão ao pecado e ao medo da punição que caracterizava a vida antes da conversão (Gl 3.10; 4.3). A Lei, embora santa, não pôde produzir liberdade (Rm 7.12,13), ela revela o pecado, mas não concede poder para vencê-lo (Rm 3.20). Mas, sob a graça divina, o crente recebe o “Espírito de adoção” (Rm 8.15b). Essa frase (gr. pneûma huiothesía) aponta para a nova identidade em Cristo, um vínculo de afeto e de perdão (Gl 4.4,5). Não somos mais escravos, mas filhos (1Jo 3.1). Essa filiação nos livra do medo e do poder do pecado, e nos convida à comunhão com o Pai (Gl 5.1; 1Jo 5.18).


NOTA PARA “ESPÍRITO DE ESCRAVIDÃO”:

Em Romanos 8:15, a palavra "espírito" apesar de ser tradução (do grego pneuma) não está significando “espirito” no sentido de vida, folego de vida, mas quer dizer Mente ou Mentalidade. Refere-se à disposição interior de uma pessoa. O "espírito de escravidão" aqui é interpretado como uma mentalidade de escravo, baseada no medo.

O que temos aqui então é uma polissemia. Quando uma palavra (como o grego pneuma) possui mais de um sentido.

 

2. Da rebeldia a filho legítimo. Antes da regeneração, éramos espiritualmente rebeldes (1Co 12.2). Mas, por meio da graça, fomos transformados, e assim: “O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). Essa declaração refere-se a uma nova posição espiritual e jurídica (Jo 1.12). O Espírito opera a adoção e confirma interiormente essa verdade, dando testemunho direto ao coração do crente (2Co 1.22). Os privilégios dessa dádiva incluem: o direito de chamar a Deus de Pai: “pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15c), em que o aramaico Abba é a forma carinhosa para “papai”, e indica que em Cristo temos íntimo e livre acesso ao Deus Todo-poderoso (Ef 2.18). Outro benefício do filho tornado legítimo é que ele se torna herdeiro de toda a riqueza do seu Pai adotivo (Ef 1.11).

NOTA: “O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

"auto to pneuma symmartyrei tō pneumati hēmōn hoti esmen tekna theou"

O que cada parte significa:

  • Auto to pneuma: O próprio Espírito
  • Symmartyrei: Testifica com / dá testemunho junto com
  • Tō pneumati hēmōn: Ao nosso espírito
  • Hoti esmen: Que somos
  • Tekna theou: Filhos de Deus


NOTA DA KING JAMES VERSION

A King James Version (KJV) traduz Romanos 8:16 da seguinte forma:

"The Spirit itself beareth witness with our spirit, that we are the children of God."

 

A escolha da palavra "children" em vez de "son" na KJV acontece por fidelidade ao termo grego original (Tekna/Children) e o sentido jurídico da época.

O termo grego Tekna deriva de tikto (gerar) e enfatiza a relação biológica/vital, significando "filhos" ou "descendentes" sem distinção de gênero ou idade. Se Paulo quisesse dizer especificamente "filhos homens", ele teria usado huios/son.


Tekna (Children), Huios (Sons) têm uma relação Parentesco vs. Posição

Tekna (Children) foca na natureza, no fato de termos "nascido de novo" e compartilharmos a vida de Deus. Enquanto Huios (Sons) foca na maturidade e no direito legal à herança.

Quando Paulo usa Tekna e KJV usa Children estão enfatizando a inclusividade, e deixando claro que a promessa se estende a todos os crentes (homens e mulheres), reforçando a ideia de família espiritual de Deus.

 

3. Das trevas à plenitude do Espírito. Noutro tempo, vivíamos em trevas espirituais (Ef 5.8). As “trevas” simbolizam pecado e separação de Deus (Cl 1.13). A transição das trevas para a luz é um ato gracioso do Pai (1Pe 2.9). O sinal dessa nova vida é a presença do Espírito: “porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.6). O envio do Espírito é a prova da adoção do crente como filho legítimo (Rm 8.9,14-16). A expressão “Espírito de seu Filho” aponta para a missão do Espírito em continuar a obra de Cristo (Jo 15.26; 16.14; Fp 1.19). E, assim como Jesus orava “Aba, Pai” (Mc 14.36), o crente também. Aquele que andava em trevas e ignorância espiritual, agora vive em plena luz, guiado pelo Espírito (Rm 8.14).  

SINOPSE I

O Espírito Santo nos liberta da escravidão e confirma nossa filiação em Cristo.

 

II. O ESPÍRITO NOS GUIA NA VONTADE DO PAI

1. Os filhos são guiados pelo Espírito. Paulo explica que a marca de um filho de Deus não é a filiação nominal, mas uma vida conduzida pelo Espírito: “porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14). O verbo “guiados” (gr. ágontai) está no tempo presente passivo, indicando que os crentes são continuamente orientados pelo Espírito, como alguém que é levado pela mão (1Jo 2.27). Isso significa que são instruídos pelo Espírito, no caminho do Pai, em todo o curso da vida (Jo 16.13). Essa direção do Espírito se opõe à inclinação da carne (Gl 5.16). Essa orientação não é forçada, mas fruto da habitação do Espírito no coração regenerado (Rm 8.9). Como filhos, não fomos deixados órfãos (Jo 14.18); o Espírito aponta a direção e anda conosco no caminho (1Co 6.19).


NOTA: “Guiados” (agontai / ἄγονται)

O termo “guiados” (agontai / ἄγονται) deriva do verbo agō que significa, "guiar""conduzir" ou "trazer".

No grego, o verbo está no presente passivo. Isso significa que não é um evento único, mas uma influência contínua. Ser "guiado" é permitir-se ser conduzido constantemente.

Originalmente, (agontai / ἄγονται) era usado para descrever o ato de conduzir um animal pelo cabresto ou levar alguém pela mão.

No sentido teológico indica que o Espírito Santo é o agente ativo (Ele toma a iniciativa) de guiar, mas requer a docilidade do crente (que se deixa levar). Não é uma coerção, mas uma direção aceita.

 

2. O Espírito opera a mortificação da carne. A Bíblia apresenta a mortificação da carne como um princípio da vida cristã: “se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8.13b). O termo “mortificardes” (gr. thanatóō) significa fazer morrer, sufocar algo até que perca sua força. Diz respeito a necessidade de o crente subjugar os desejos pecaminosos. O texto afirma que é “pelo Espírito” que essa obra é realizada. Ele é o agente divino que capacita o salvo a vencer a carne. Porém, o papel do crente não é ser passivo. Devemos andar em Espírito (Gl 5.16), despir-se do velho homem (Ef 4.22), crucificar a carne (Gl 5.24), e nos santificar diariamente (Cl 3.5; 1Ts 4.3). A ação do Espírito não apenas mostra o erro, mas transforma a vontade e fortalece o crente contra o pecado (Rm 6.14).

 

3. O Espírito age conforme o plano do Pai. O plano da redenção é uma obra trinitária: “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho [...] para remir os que estavam debaixo da lei [...] a fim de recebermos a adoção de filhos. [...] Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.4-6). Esse texto enfatiza que o Pai enviou o Filho “na plenitude dos tempos”, isto é, no tempo por Deus escolhido (Gl 4.4a); o Filho foi enviado para o resgate dos pecadores (Lc 19.10); e o Espírito para nos transformar em filhos legítimos (Rm 8.16). Desse modo, o Pai é o autor do plano de salvação (1Jo 4.14); o Filho é o executor da redenção (Hb 9.12); e o Espírito é o aplicador da adoção (Ef 1.5). Essa verdade revela a perfeita harmonia na Santíssima Trindade.

SINOPSE II

Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito na vontade do Pai.

 

III. A TRINDADE NOS CONDUZ À HERANÇA ETERNA

1. Herdeiros de Deus por adoção. A doutrina da herança é inseparável da adoção. Paulo apresenta um dos benefícios da filiação: “se nós somos filhos, somos, logo herdeiros [...] herdeiros de Deus” (Rm 8.17a). O termo “herdeiro” (gr. klēronómos) é utilizado no contexto legal para indicar que os adotados passam a ter pleno direito sobre os bens do Pai. Essa herança não é mérito, mas é recebida por adoção graciosa (Ef 1.5).

É uma obra trinitária perfeita: O Pai planeja e garante a herança (Ef 1.11), o Filho a conquista na cruz (1Pe 1.18,19); e o Espírito é a garantia dessa herança (Ef 1.13,14). A herança inclui as bênçãos já recebidas, entre elas, a salvação e a justificação (Rm 5.1; Ef 2.8); e, também as promessas futuras, tais como a vida eterna e a glorificação (Rm 6.23; 8.30).


NOTA: O termo klēronómos (κληρονόμος), é composto por outros dois termos:

  • Klēros: Originalmente significava "lote" ou "seixo" usado para tirar sortes. É a porção designada ou herança.
  • Nemos: "distribuir" ou "possuir".

Klēronómos é aquele que recebe uma posse por sorteio ou por direito de sucessão, no direito romano, o herdeiro não apenas recebia bens; ele passava a representar a própria pessoa do pai. O herdeiro era a continuação da existência jurídica do pai.

Embora a posse seja futura, o klēronómos já possui o título de propriedade. O Espírito Santo é dado como o penhor (entrada/garantia) dessa herança.

DECORE: Ser klēronómos/herdeiro significa que você foi legalmente constituído por Deus como proprietário de Suas promessas, tendo Cristo como o "irmão mais velho" que garante a validade do testamento.


NOTA: Enquanto tekna é de uso afetivo usada para "filhinhos" em contextos de cuidado pastoral, destacando a fragilidade e a necessidade de proteção...

...Huioi (lê-se: ἱί), por sua vez, fala de dignidade, herança e maturidade do filho.

O termo huioi (plural de huios) enfatiza a posição legal e o caráter.

Na Adoção Romana (Huiothesia), um huios era o filho reconhecido legalmente para herdar o patrimônio e o nome do pai.

Curiosidade: Muitas vezes, um escravo poderia ser adotado como huios, ganhando direitos que um teknon (criança biológica) ainda não possuía por ser menor de idade.

Gálatas 4:6-7, explica que deixamos de ser "escravos" para sermos huioi. Como huios temos voz, autoridade e o Espírito do Filho no coração clamando "Aba, Pai".

Em Romanos 8:19, a criação não aguarda a manifestação dos tekna (as crianças), mas a "revelação dos filhos (huioi) de Deus" — aqueles que já amadureceram ao ponto de governar com Cristo. “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.” 

 

Quadro Comparativo Resumido

Característica

Tekna (Crianças/Gerados)

Huioi (Filhos Maduros/Herdeiros)

Ênfase

Relacionamento e Origem

Posição e Autoridade

Condição

Estágio de crescimento

Estágio de reconhecimento

Direito

Cuidado e sustento

Herança e governo

Exemplo

Alguém que nasceu de novo

Alguém que é guiado pelo Espírito

19Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Enquanto todo Huios é um Teknon, nem todo Teknon se comporta ainda como um Huios. A proposta de Romanos 8:14 é justamente o convite para deixar a passividade da infância espiritual e assumir a responsabilidade da filiação madura.

 

2. Coerdeiros de Cristo por filiação. A filiação nos associa ao Filho Primogênito como “coerdeiros de Cristo” (Rm 8.17b). Essa frase significa que compartilhamos com Ele a mesma herança. O Filho reparte com seus irmãos redimidos aquilo que recebeu como herança eterna (Ap 3.21). Essa herança não é de posses materiais, mas é gloriosa, incorruptível e incontaminável (Jo 17.24; 1Pe 1.4). Porém, ser coerdeiro de Cristo, não significa apenas desfrutar da glória, mas também participar de seus sofrimentos (2Tm 2.12). Isso confirma que a vida revela que essas aflições têm propósito eterno (Rm 8.18). A glória futura é certa, mas a cruz precede a coroa. Nosso chamado não é apenas para ser salvo, mas para ser moldado conforme o Filho, e isso inclui as marcas da cruz (Gl 6.17).

NOTA: Paulo também nos chama de co-herdeiros com Cristo (synklēronómos). Paulo usa um prefixo de união (syn) para dizer que nossa herança não é "separada" da de Jesus, mas "com" Ele. O que pertence ao Filho por natureza, pertence ao crente por adoção.

 

3. O Pai administra o tempo da herança. Paulo descreve a condição espiritual do homem antes da plena revelação de Cristo: “todo o tempo que o herdeiro é menino [...] está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai” (Gl 4.1,2). Essa metáfora ilustra o período da Antiga Aliança, em que Israel, apesar das promessas, ainda não havia recebido a herança (Gl 4.3). Indica que o Pai celestial é quem administra o momento do acesso à posse da herança (Gl 4.4). Ele tem o controle do tempo oportuno e exato (gr. kairós) não só para o advento do Messias, mas também para a outorga das promessas e da herança eterna na vida de cada crente (Ec 3.1). Portanto, o crente deve confiar que Deus sabe o tempo certo para conceder cada porção da sua promessa a cada um de seus filhos (Rm 8.28).  

SINOPSE III

A Trindade nos conduz à herança incorruptível e eterna.

 

VERDADE PRÁTICA 

O Espírito Santo nos liberta da escravidão do pecado, confirma nossa filiação em Cristo e nos conduz à herança eterna planejada pelo Pai.

 

APLICAÇÃO

O Espírito Santo é a dádiva do Pai, que nos torna filhos, confirma nossa identidade, guia nossa vida e nos garante a herança eterna em Cristo. A Igreja deve viver na plena consciência dessa filiação, confiando que não somos mais escravos, mas herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo.

 

CONCLUSÃO 

O Espírito Santo é a dádiva do Pai celestial e de seu Filho Jesus Cristo. O Espírito nos torna filhos por adoção, herdeiros com Cristo, habita em nós, orienta e santifica o crente. A Igreja deve viver sob essa consciência: pertencemos ao Pai, guiados pelo Espírito, glorificando ao Filho.

 

REVISANDO O CONTEÚDO 

1. O que significa a expressão “Aba, Pai” e o que ela indica?

O aramaico Abba é a forma carinhosa para “papai”, e indica que em Cristo temos íntimo e livre acesso ao Deus Todo-poderoso (Ef 2.18).

 

2. Como a ação do Espírito opera a mortificação das obras da carne?

Diz respeito a necessidade de o crente subjugar os desejos pecaminosos.

 

3. Explique o papel de cada Pessoa da Trindade no Plano de redenção.

O Pai é o autor do plano de salvação (1Jo 4.14); o Filho é o executor da redenção (Hb 9.12); e o Espírito é o aplicador da adoção (Ef 1.5).

 

4. O que significa o termo “herdeiro” no contexto da filiação espiritual?

O termo “herdeiro” (gr. klēronómos) é utilizado no contexto legal para indicar que os adotados passam a ter pleno direito sobre os bens do Pai.

 

5. Quais são as consequências de ser coerdeiro com Cristo?

Compartilhamos com Ele a mesma herança; recebemos do Filho a herança eterna; essa herança é gloriosa incorruptível e incontaminável (Jo 17.24; 1Pe 1.4).

 

 

 

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