INTRODUÇÃO
"O Juízo de Deus não é um golpe de
vingança, é o rugido da Justiça restaurando a ordem onde o pecado semeou o caos; e a
intercessão de um justo é a única força capaz de segurar a mão que sustenta
esse peso." (Pastor Luiz Antonio Me. Th.M)
"Meus irmãos, hoje vamos entrar em um cenário
onde o céu e a terra se encontram para decidir o destino de uma civilização. Imaginem
a cena: de um lado, o 'Juiz
de toda a terra', cujos olhos viram um clamor insuportável
de injustiça subir de Sodoma. Do outro,
um homem chamado Abraão, que não se cala diante da tragédia iminente.
Muitos olham para Gênesis 18 e enxergam apenas fogo e enxofre, mas o que
Deus quer nos revelar hoje é o segredo do Mishpat —
o Seu juízo santo que não é arbitrário, mas
cirúrgico.
Vamos descobrir na aula de hoje que Deus prefere a preservação pela
justiça em lugar da destruição pelo pecado.
Se você já se sentiu pequeno demais para mudar sua
cidade ou sua nação, prepare o coração: vamos
aprender com o patriarca Abraão que a “contabilidade
divina” é diferente da nossa.
Para Deus, a presença de uma minoria
de justos tem mais peso do que a multidão dos ímpios.
OBs: Entre o
anúncio de um milagre (Isaque) e a revelação de um juízo (Sodoma), surge o
maior chamado de um cristão: colocar-se na brecha.
A pergunta desta lição não é quão pecadora é a nossa geração, mas onde estão os “DEZ” que
impedirão a sua destruição?"
O termo "CLAMOR" (heb. Tseaqah),
descreve o grito agudo de quem sofre injustiça social ou violência. O juízo de
Deus vem porque Ele ouve o grito dos oprimidos que a sociedade normalizou.
OBJETIVOS DA LIÇÃO
Mostrar que Deus
enviou seus anjos para visitarem a tenda de Abraão
Explicar que Deus anunciou a Abraão
o que iria acontecer com Sodoma e Gomorra
Refletir a respeito
do juízo de Deus contra Sodoma e Gomorra.
PALAVRA-CHAVE: JUÍZO (MISHPAT)
Um versículo que une o Juízo (Mishpat) à Justiça (Tsedakah),
é Amós 5:24. Ele é um dos
mais famosos sobre o tema e mostra o juízo
como algo vivo e transformador.
"Weyiggal kammayim mishpat,
utsedakah kenachal eytan." (Amós 5:24)
"Corra, porém, o juízo como
as águas, e a justiça como um ribeiro perene." (Amós 5:24)
Mishpat (Juízo) aqui é comparado a águas que
fluem. O juízo não é algo estático ou
"seco", mas uma força que limpa e restaura o caminho por onde passa.
Conexão com Gênesis 18: Assim
como Abraão apelou para que o
"Juiz" fizesse o que é certo, Amós mostra
que o desejo de Deus é que o juízo seja uma prática constante e renovadora na
sociedade, e não apenas um castigo final.
O Ponto Central do Versículo é a imagem de um
"ribeiro perene" (que nunca seca) e nos ensina que o juízo e a
justiça devem ser o padrão normal de vida, e não eventos isolados.
Em sua etimologia no Antigo Testamento, a palavra
principal para juízo é Mishpat (do verbo Shaphat) que ao contrário da nossa
ideia moderna de apenas "condenar", significa "colocar
as coisas em ordem" ou "restaurar o direito".
Como curiosidade o termo Juiz vem do hebraico Shaphat, cuja raiz implica
não apenas "dar uma sentença", mas "colocar as coisas em ordem". (Lembra da
expressão “ordem no tribunal”? Pois é, essa é a função do Juíz.
Um "juiz" bíblico era alguém que agia
para livrar o povo da opressão e restabelecer a justiça, não apenas um oficial
em um tribunal. (Isso é o que vemos no Livro dos
Juízes).
Contexto Bíblico (Teologia)
O juízo de Deus é apresentado como um ato
de retidão, e não de vingança descontrolada.
Em Gênesis 18: O juízo sobre Sodoma ocorre
porque o "CLAMOR" contra ela subiu ao céu.
O diálogo de Abraão estabelece que o juízo divino é
cirúrgico: Deus busca o justo para não puni-lo com o ímpio.
OBs: O Equilíbrio entre Juízo e
misericórdia: Na
Bíblia, o juízo é a outra face da moeda da misericórdia. Sem juízo, o mal não
teria fim; sem misericórdia, ninguém sobreviveria ao juízo.
3. Contexto Cultural (Antigo Oriente)
Na cultura da época, o rei era o juiz supremo e sua
função principal era proteger os vulneráveis (viúvas, órfãos e pobres).
- O "Juiz de
toda a terra": Quando Abraão questiona se o Juiz de
toda a terra não faria justiça, ele está apelando para uma norma cultural
universal: um governante justo é aquele que distingue entre o inocente e o
culpado.
- O Veredito: O juízo
cultural não era apenas uma sentença escrita, mas uma ação pública que
mudava o status da comunidade (ou para salvação ou para destruição).
Juízo bíblico não é apenas castigo, é a intervenção de Deus para
restaurar a ordem e a justiça onde o pecado causou caos.
TEXTO ÁUREO
“Disse mais: Ora, não se ire o
Senhor que ainda só mais esta vez falo: se, porventura, se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei, por amor dos dez.” (Gn 18.32).
(ARC).
"Wayyomer: al na yichar la
Adonay waadabberah ak happaam: ulay yimmatseun sham asarah? Wayyomer: lo ashchit baabur haasarah."
Yichar (ire): Refere-se à ira que
"se acende".
Ashchit (destruirei): O ato de causar
ruína ou devastação. (da raiz shachat - arruinar/corromper).
Baabur (por causa de): A preposição que
indica "em favor de" ou "por amor a".
Asarah (dez): O número final da
negociação de Abraão. (o quórum que representa o limite da justiça).
Tsaddiq (Justos):
Essa palavra aparece implicitamente aqui no v. 32 (e explicitamente nos
versículos anteriores do diálogo), ela se refere àqueles que vivem
em conformidade com a vontade de Deus. A intercessão de Abraão se baseia no caráter do "Juiz de toda a terra", que não destruiria o inocente junto com o culpado.
O termo Juiz vem do hebraico Shaphat,
cuja raiz implica não apenas "dar uma sentença",
mas "colocar as coisas em
ordem". (Lembra da expressão “ordem no
tribunal”? Pois é, essa é a função do Juíz.
OBs: Quando Abraão apela ao
Juiz, ele está invocando a consistência do caráter de Deus. A
ética bíblica aqui sugere que a justiça divina é previsível e baseada na
integridade, não no capricho.
NOTA para o
termo Baabur (por causa de).
Wayyomer: lo ashchit baabur haasarah.
(E disse: não destruirei, por causa dos
dez)
O termo Baabur (ba‘ăḇūr) é tecnicamente uma
preposição que significa "por causa de", "em
favor de" ou "pela intenção de". No contexto de Gênesis 18:32, ele carrega o peso
do amor misericordioso, pois Deus decide agir favoravelmente à
cidade inteira “por causa” (ou por amor) aos poucos justos ali presentes.
Os termos para “amor” mais
conhecidos nossos na teologia são:
1. Ahavah (אהבה) abrange desde a afeição humana
até o amor de Deus.
Deriva da raiz ahav, que significa
"dar" ou "oferecer". No pensamento hebraico, o
amor não é apenas um sentimento passivo, mas um ato de entrega.
Ahavah (אהבה) também é usado para descrever o amor entre amigos (Davi e
Jônatas), entre pais e filhos (Abraão e Isaque) e o amor romântico.
2. Chesed (חסד) muitas vezes é traduzido como
"misericórdia", "bondade" ou "fidelidade à
aliança".
Refere-se a um amor leal e persistente que vai além
do dever legal. É o amor que mantém uma promessa mesmo quando o outro lado
falha. É o termo central para descrever o caráter de Deus em relação ao Seu
povo.
3. Racham (רחם) traduzida como
"compaixão" ou "ternura profunda".
A raiz desta palavra é a mesma para "útero" (rechem).
É o tipo de amor visceral, instintivo e protetor que uma mãe sente pelo filho
que carregou.
Descreve a compaixão de Deus que "se move" diante do
sofrimento humano.
4. Dod (דוד) é o amor apaixonado e
romântico. Traduzido como "amado" ou "querido".
É a palavra dominante no livro de Cantares de Salomão. É desse termo que deriva o nome do Rei Davi (Dawid),
que significa "o amado".
(Cantares 6:3). "Ani ledodi wedodi
li" – “Eu sou do meu amado, e o
meu amado é meu...”
Pra você DECORAR:
- Ani: Eu (sou)
- Ledodi: Do meu amado
(aqui vemos a raiz Dod, ligada ao amor apaixonado).
- Wedodi: E o meu amado
(o "we" funciona como o nosso "e").
- Li: (É) meu /
para mim.
Olha que lindo! Cada uma dessas palavras revela que, para os hebreus, o amor tem
muitas faces: ele é ação (Ahavah), lealdade (Chesed), emoção visceral (Racham) e paixão (Dod).
NOTA Cultural Interessante Sobre o Número Dez.
Culturalmente, no antigo
Oriente Médio e posteriormente na tradição judaica (o Minian), o número dez representa o quórum
mínimo necessário para formar uma comunidade ou uma assembleia legal. Ao parar
no dez, Abraão atinge o limite que define uma sociedade estruturada; se nem dez pessoas pudessem ser encontradas, a cidade
já teria perdido qualquer resquício de ordem social moral.
Em sua negociação com Deus Abrão usa o estilo do
diálogo que reflete a tradição de barganha oriental, porém, elevada a um nível
espiritual. Abraão respeita o
"Senhor", mas testa os limites da misericórdia divina.
IMPORTANTE:
O texto de Gênesis 18:32 ensina que o julgamento de Deus não é
arbitrário e que a presença de uma pequena minoria de justos pode
servir como um escudo de misericórdia (amor) para evitar
a destruição total de uma comunidade, contanto que a ira divina
encontre um fundamento de retidão para ser aplacada.
A CONTABILIDADE DA JUSTIÇA
A "contabilidade da justiça" iniciada por Abrão se torna
progressivamente e mais dramática nos livros proféticos, onde a busca de Deus
por um intercessor ou um único justo na
cidade.
1. Jeremias 5:1 – A Busca por um Único Homem
Enquanto Abraão parou em dez, em Jeremias 5:1 Deus
radicaliza a oferta. Ele desafia o profeta a percorrer
as ruas de Jerusalém e afirma
que, se encontrar apenas uma pessoa que pratique a justiça e
busque a verdade, Ele perdoará toda a cidade.
- Contraste: Jerusalém
estava em uma condição ética pior que Sodoma; nem mesmo o quórum mínimo de
uma pessoa honesta foi encontrado para evitar a destruição iminente.
2. Ezequiel 22:30 – "Pôr-se na
Brecha"
Neste texto, Deus declara: "Busquei
entre eles um homem que erguesse o muro e se pusesse na brecha
diante de mim... para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei".
- O Intercessor como
Escudo: Eticamente, "estar na
brecha" significa ocupar o lugar de vulnerabilidade em um muro
espiritual quebrado pelo pecado. A
ausência desse intercessor (como foi Abraão) resulta inevitavelmente no
derramamento da ira divina.
3. Ezequiel 18 – A Responsabilidade
Individual
Diferente da intercessão coletiva de Gênesis 18,
Ezequiel 18 foca na justiça individual. Deus corrige o ditado
popular de que "os filhos pagam pelos pecados dos pais".
A Implicação Ética desse versículo é que se um homem for justo, ele certamente viverá; mas se for
ímpio morrerá por sua própria transgressão. Isso
mostra que, embora a intercessão possa adiar um julgamento coletivo, a salvação
final e a vida espiritual dependem da conduta pessoal de cada indivíduo diante
de Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 18.23-32.
23 — E chegou-se Abraão, dizendo:
Destruirás também o justo com o ímpio?
24 — Se, porventura, houver
cinquenta justos na cidade, destrui-los-ás também e não pouparás o lugar por
causa dos cinquenta justos que estão dentro dela?
25 — Longe de ti que faças tal coisa,
que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti seja.
Não faria justiça o Juiz de toda a terra?
26 — Então, disse o Senhor: Se eu
em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei todo o lugar por
amor deles.
27 — E respondeu Abraão, dizendo:
Eis que, agora, me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza.
28 — Se, porventura, faltarem de
cinquenta justos cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse:
Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco.
29 — E continuou ainda a falar-lhe
e disse: Se, porventura, acharem ali quarenta? E disse: Não o farei, por amor
dos quarenta.
30 — Disse mais: Ora, não se ire o
Senhor, se eu ainda falar: se, porventura, se acharem ali trinta? E disse: Não
o farei se achar ali trinta.
31 — E disse: Eis que, agora, me
atrevi a falar ao Senhor: se, porventura, se acharem ali vinte? E disse: Não a
destruirei, por amor dos vinte.
32 — Disse mais: Ora, não se ire o
Senhor que ainda só mais esta vez falo: se, porventura, se acharem ali dez? E
disse: Não a destruirei, por amor dos dez.
I. OS ANJOS VISITAM ABRAÃO
1. Abraão recebe a visita dos anjos do Senhor. O capítulo
18 de Gênesis tem início com a visitação do Senhor a Abraão nos carvalhais de
Manre (v.1), um momento glorioso que antecedeu ao anúncio de
algo impactante que Deus iria fazer e não era na vida de Abraão: a destruição
de Sodoma e Gomorra.
O texto bíblico diz que, “quando tinha aquecido o dia”
(v.1), isso indica que a visitação se deu por volta do meio-dia, quando o calor
é mais forte. No Antigo Oriente, esse era um
momento em que as pessoas costumavam comer e descansar. Era um
horário em que se evitava viajar ou sair de casa por causa do calor. Mas o
Senhor não está sujeito ao nosso tempo. Neste horário improvável,
Abraão avistou três homens vindo em sua direção. Ao vê-los, ele correu ao encontro deles e prostrou-se em terra. Esse
ato pode parecer estranho a nós, mas era
um gesto comum no Antigo Oriente, um gesto de hospitalidade. O
patriarca foi hospitaleiro, oferecendo proteção e provisão para os visitantes
(Gn 18.2-4).
NOTA PARA:
1. Os anjos do
Senhor
2. Anúncio da destruição de Sodoma e Gomorra.
3. Quando tinha aquecido o dia
4. Prostrou-se em terra
Os Anjos do Senhor (ARC): "E
apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre..." (Gn
18:1).
"Wayyera
elaw Yahweh be'elone Mamre"
Pra você DECORAR palavra
por palavra:
- Wayyera (וַיֵּרָא): E
apareceu / E viu-se.
- elaw (אֵלָיו):
Para ele / A ele.
- Yahweh (יְהוָה): O
Senhor.
- be'elone (בְּאֵלֹנֵי):
Nos carvalhais de / Nos terebintos de.
- Mamre (מַמְרֵא):
Manre.
Na etimologia dessa
passagem o termo para anjo no hebraico é Mal'ach (מַלְאָךְ), que significa
literalmente "mensageiro".
No texto, o termo aparece com Yahweh (Senhor) (Mal'ach Yahweh), sugerindo
uma Teofania (manifestação de Deus).
Teologicamente essa aparição representa
a misericórdia divina: Deus se aproxima da humanidade em
forma compreensível. Dos
três visitantes, um é identificado como o próprio Senhor e os outros dois como anjos
executores. (Há quem os identifique com a Trindade).
Culturalmente no Antigo Oriente, os
mensageiros eram tratados com o mesmo respeito devido a quem os enviou.
Anúncio da Destruição de Sodoma e Gomorra
"Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem
multiplicado..." (Gn 18:20). (ARC)
Wayyomer Yahweh: za'aqat Sedom we'Amorah ki-rabbah...
Destaque: Za'aqat (clamor) refere-se
a um grito por justiça diante de uma opressão.
Etimologicamente Sodoma (Sedom) e
Gomorra (Amorah) possuem raízes ligadas a "queimar" ou "submergir" e "amontoar" ou
"profundo", respectivamente.
Teologicamente a
Destruição de Sodoma e Gomorra demonstra o atributo da Justiça
de Deus. Antes de agir, Deus compartilha Seus planos com Seu "amigo" Abraão, revelando
que o juízo é a resposta ao clamor contra o pecado desenfreado.
Culturalmente a destruição de cidades era
vista como um aviso divino sobre a quebra da ordem moral e social (especialmente
a falta de hospitalidade).
Quando tinha aquecido o dia
"...estando ele assentado à porta da tenda, quando tinha aquecido o
dia." (Gn 18:1). (ARC)
...wehu yoshev petach-ha'ohel kechom hayyom.
Destaque: Ha'ohel é a tenda e hayyom é
o dia; a expressão capta exatamente o momento de repouso que foi
interrompido.
No hebraico kechom hayyom (כְּחֹם הַיּוֹם), literalmente "no calor do dia".
Teologicamente simboliza a disponibilidade
do servo. Mesmo no momento de maior desconforto
e repouso (o meio-dia), Abraão está alerta e pronto para servir. Deus muitas
vezes interrompe nossa rotina no momento "improvável". No "no calor do dia" era hora de
descanso!
Culturalmente era a hora da siesta.
Viajar sob esse sol era perigoso; por isso, a chegada dos visitantes era uma
emergência de hospitalidade.
Prostrou-se em terra
"e correu-lhes ao encontro... e prostrou-se em terra." (Gn
18:2). (ARC)
...wayyarots liqratam mippetach ha'ohel wayyishtachu aretsah.
Etimologicamente Wayyishtachu “prostrar-se” vem do verbo shachah (שָׁחָה),
que significa "inclinar-se", "curvar-se" ou "adorar", indicando
o ato físico de se encurvar profundamente em sinal de reverência.
Teologicamente falando pode ser
que Abraão não tenha identificado a divindade de imediato, seu gesto de
humildade extrema reflete, antes de tudo, seu amor ao próximo, temor e a
reverência. É a atitude correta diante da santidade.
Culturalmente essa atitude do (שָׁחָה)
Shachah/prostrar-se (gr. proskynesis/prostração) era a
etiqueta máxima de hospitalidade e respeito no deserto. Negar
isso a um estranho era uma grave ofensa social.
2. A hospitalidade de Abraão. O
patriarca vai até a tenda de Sara e pede que ela amasse o pão, e ele mesmo
corre até o curral, escolhe uma vitela e ordena que seja preparada. Precisamos
aprender com Abraão a arte da hospitalidade, algo que
parece estar esquecido atualmente. Ser bem recebido é muito bom,
mas receber o próximo com hospitalidade é ainda muito melhor.
O patriarca ofereceu o melhor aos visitantes, e, enquanto estavam ali
desfrutando do alimento e da hospitalidade, os homens perguntam a Abraão: “Onde está Sara?”. "Ayyeh Sarah ishtekha"
Naquele tempo, as mulheres não eram vistas quando homens desconhecidos,
que não pertenciam à família, estavam presentes. Mas, certamente, eles
sabiam que ela estava escutando tudo à porta da tenda. Então os visitantes
falam a Abraão: “[...] eis que Sara, tua
mulher, terá um filho” (wehinneh-ben leSarah ishtekha) (Gn
18.10). Essa era a promessa mais aguardada por Abraão e Sara.
3. O riso de Sara. Ao ouvir
que teria um filho, Sara riu. Ela não riu de Deus, riu, da sua condição física. Mas o
Senhor lembra a Sara que não há nada demasiadamente difícil para Ele (Gn
18.14).
Deus conhece o nosso coração e Ele viu fé no coração de Sara apesar de
sua risada. O Eterno nos conhece bem, conhece as nossas fragilidades e as
nossas quedas. No entanto, Ele não desiste de nós, apesar da nossa
incredulidade, do nosso riso e de nossa dor.
Depois de entregar a mensagem divina a Abraão e Sara, o Senhor fala a
respeito da destruição de Sodoma.
SINOPSE I
Deus é bom e envia seus anjos para visitar a casa de Abraão e revelar a
ele o que faria a Sodoma e Gomorra.
II. DEUS ANUNCIA SEUS PLANOS A ABRAÃO
1. O anúncio da destruição. Já
aprendemos que a terra entre Betel e Ai não comportava mais os pastores de
Abraão e Ló. O tio e o sobrinho decidiram se separar depois de uma desavença
entre seus pastores. O patriarca dá a Ló, seu sobrinho, a honra de escolher
primeiro, e este viu somente a beleza das terras férteis e decidiu
estabelecer-se nos arredores de Sodoma (Gn 13.1-12). O que Ló não sabia era que
os habitantes de Sodoma eram “maus” e “grandes pecadores contra o Senhor” (Gn
13.13).
Olha que lindo!!! Deus anunciou a Abraão a destruição das cidades por três motivos:
Por intimidade e Amizade com Deus.
Deus escolheu não esconder Seus planos de Abraão porque o considerava um
amigo e parceiro de aliança. O próprio texto bíblico registra o monólogo
divino: "Ocultarei eu a Abraão o
que faço?" (Gn 18:17). Deus
compartilha Seus propósitos com aqueles que caminham com Ele em fidelidade.
Por Responsabilidade Educativa do Patriarca
Deus revela o juízo sobre Sodoma como didática, para que Abraão
ensinasse sua descendência sobre a justiça divina. O
versículo 19 explica: "Porque eu o tenho conhecido, e
sei que ele há de ordenar a seus filhos... para que guardem o caminho do
Senhor, para agirem com justiça e juízo". O anúncio
serviu como uma lição prática sobre as consequências do pecado, essencial para
a formação da nação de Israel.
Como Oportunidade para a Intercessão
Ao anunciar o juízo, Deus deu a Abraão a oportunidade de exercer seu
papel como mediador e intercessor. Abraão começa a "negociar" por amor aos justos que viviam ali
(como seu sobrinho Ló), perguntando: "Destruirás
também o justo com o ímpio?" (Gn 18:23).
2. O pecado leva à destruição. O
texto de Gênesis 18 mostra que o Senhor revelou a Abraão o seu plano de
destruir Sodoma e Gomorra. O salmista ensina que Deus revela seus planos para
os fiéis. O problema é que muitas vezes não estamos dispostos a ouvir ao Senhor
(Sl 25.14).
O pecado de Sodoma e Gomorra era imenso, e o Senhor não podia mais suportar a iniquidade
daquele lugar. Deus é santo e não tolera a
iniquidade, embora tenha misericórdia do pecador. Então, o Eterno
toma a seguinte decisão: “Descerei agora e verei se, com efeito, têm praticado
segundo este clamor que é vindo até mim; e, se não, sabê-lo-ei” (Gn 18.21).
3. A intercessão. A decisão
já estava tomada, mas Deus revela a seu servo o juízo que estava por vir. Diante
do que o Senhor faria, Abraão coloca-se na
posição de um intercessor. Ele suplica o favor do Senhor
pelos habitantes das cidades que eram justos e que seriam destruídos juntamente
com os ímpios. Abraão roga a Deus para que Ele tenha misericórdia e poupe os
justos nas cidades. Tal atitude revela o coração justo e bom do
patriarca. Ele foi um intercessor, pediu
com paixão e misericórdia a graça de Deus em favor dos inocentes.
A iniquidade das cidades de Sodoma e Gomorra era tão grande que deu
origem ao termo “sodomita”, uma referência aos moradores da
cidade de Sodoma.
NOTA: O termo sodomita passa por três fases principais de
significado:
1. Bíblica
Original: Refere-se aos habitantes de Sodoma, cujo pecado era uma
combinação de soberba, falta de hospitalidade e depravação sexual
generalizada (Ezequiel 16:49; Judas 1:7).
2. Teológica/Jurídica
(Histórica): Com o tempo, o termo passou a
significar especificamente quem praticava atos sexuais "contra a
natureza". No sentido popular/tradicional é usado
para se referir à relação sexual entre dois homens. Mas
abrange qualquer ato sexual considerado "contra a natureza", o que
incluí o sexo anal ou oral, seja entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos
opostos. Por isso tornou-se a base para leis de proibição
da homossexualidade em várias culturas.
3. Contemporânea: Hoje, o
termo é evitado em contextos sociais por ser considerado pejorativo, mas na
exegese bíblica moderna, discute-se se o "pecado de Sodoma" era a
homossexualidade em si ou a hostilidade extrema e a violência contra
estrangeiros.
O Senhor enviou dois anjos até a cidade de Sodoma, e Ló
encontra-os e convida-os a passar a noite em sua casa. Porém, os homens de Sodoma eram tão perversos e
promíscuos que cercaram a casa e exigiram que os visitantes fossem levados para
fora. Ló não consente com tal coisa e
oferece as suas filhas com a intenção de proteger os visitantes. Então,
os mensageiros de Deus ferem de cegueira aqueles homens ímpios de Sodoma. Ló
aproveita a situação e foge com sua mulher e as suas filhas. Deus
aguarda a saída de Ló e sua família e destrói Sodoma e Gomorra com uma chuva de
“enxofre e fogo” (Gn 19.24). Essas cidades tornaram-se símbolo
de advertência divina contra a maldade (Dt 29.23; Is 1.9; Rm 9.29; Jd 7). Até os
dias atuais, essas cidades nunca mais foram novamente erguidas ou habitadas, e
o solo da região é improdutivo devido a grande quantidade de enxofre.
NOTA: “Traze-os
fora a nós, para que os conheçamos." Gênesis 19:5
- Hotzi’em elenu: Traze-os para
fora a nós
- Veneda’ah otam: Para que os
conheçamos
A Conotação Sexual de "Para que os
conheçamos" é explícita e violenta.
Na etimologia o verbo “conheçamos” hebraico utilizado é Yada (יָדַע).
Significa tanto "conhecer"
intelectualmente como com intimidade
sexual (como em "Adão conheceu a
Eva").
Na (ARC) "E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve
a Caim, e disse: Alcancei do Senhor um varão." (Gênesis 4:1)
Em Hebraico Transliterado "Weha'adam yada et-Chawwah ishto watta'har
watteled et-Qayin..."
Yada (יָדַע) aqui
descreve união física e emocional plena.
No contexto de Gn 19:5 não é um
pedido de apresentação social. A prova definitiva está na
resposta de Ló no versículo 8, ao oferecer suas filhas virgens "que ainda não conheceram (yada)
varão". Ló
entendeu que o desejo da multidão era um estupro coletivo, uma
forma extrema de humilhação e domínio sobre os estrangeiros.
Ló oferece suas filhas porque no Antigo
Oriente, o hospedeiro era legal e moralmente responsável pela
vida de seus convidados. Os
homens da cidade desejavam violentar sexualmente os estrangeiros. A oferta das filhas por Ló, por mais chocante que nos
pareça hoje, ilustra o desespero de um homem oriental tentando cumprir o
"código de hospitalidade" a qualquer custo.
SINOPSE II
Deus anuncia a Abraão o que Ele estava prestes a fazer com Sodoma e
Gomorra.
MEU AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO -
“ESTAVA LÓ ASSENTADO À PORTA”
No Antigo Oriente, a "porta da cidade" era
muito mais do que uma entrada; era o centro da vida social,
jurídica e comercial. O estar
assentado à porta, mostra que Ló integrou-se ao sistema de Sodoma. Sentar-se
à porta significava que Ló havia se tornado um líder ou juiz em
Sodoma. Era ali que os anciãos resolviam disputas, realizavam negócios e
tomavam decisões comunitárias.
Como "autoridade" no portão, Ló tinha a
obrigação cultural de identificar viajantes e oferecer-lhes abrigo antes do
anoitecer, protegendo-os dos perigos da rua.
Olha esse contraste espiritual: Enquanto
Abraão estava à porta da tenda (vida de peregrino/separado),
Ló estava à porta da cidade (vida integrada a um sistema
corrupto).
OBs: Embora grande parte do
que Ló via e ouvia lhe causasse incômodo (2Pe 2.7,8), ele ainda estava disposto
a tolerar a iniquidade de Sodoma para desfrutar de seus benefícios sociais e
materiais. Esta concessão moral resultou em
tragédia para sua família (v.24). Da mesma maneira, os crentes
atuais que expõem imprudentemente sua família a ambientes ímpios e a más
influências a fim de obter benefícios sociais ou materiais estão preparando o
cenário para uma tragédia familiar.
III. A DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA
1. Deus “é fogo consumidor”. Depois da destruição da humanidade na época de Noé por causa
da corrupção geral do ser humano (Gn 6 e 7),
a destruição de Sodoma e Gomorra nas
campinas do Jordão foi o fato mais marcante e tornou-se referência e alerta da
parte de Deus para toda a humanidade. Deus é amor, mas também é justiça! Ele é “fogo
consumidor”: “Pelo que, tendo recebido um Reino que
não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus
agradavelmente com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo
consumidor” (Hb 12.28,29).
NOTA: Onde o pecado se torna norma, o juízo se
torna inevitável.
Em Sodoma e Gomorra, a impiedade humana atingiu o ápice
quando a corrupção moral deixou de ser um
desvio individual para se tornar uma estrutura social agressiva, que
rejeitava a hospitalidade e buscava a perversão.
A Justiça divina responde a esse
cenário não como um ato de fúria cega, mas como uma medida de santidade: Deus
interveio para interromper a propagação de um mal que já não possuía
arrependimento. Assim, a destruição das cidades serve como um marco histórico
de que a paciência de Deus tem um limite e que Seu caráter justo exige a
retribuição sobre a rebeldia obstinada.
2. Uma catástrofe sem igual. Não
sabemos quantas pessoas habitavam em Sodoma e Gomorra. Provavelmente, havia um
número elevado de habitantes, mas, a exemplo do que ocorreu no Dilúvio, quando somente Noé e sua
família, oito pessoas, sobreviveram
à destruição, também poucas pessoas foram salvas: Ló, sua esposa e suas duas filhas quatro pessoas (Gn 19.15-23). Os genros de Ló zombaram dele
quando os advertiu (Gn 19.14).
3. Transformada em estátua de sal. Infelizmente,
a esposa de Ló não seguiu a orientação dos anjos para não olhar para trás; ela
olhou, talvez para ver as cidades queimando, e “ficou convertida numa estátua de sal” (Gn 19.26). A esposa
de Ló não foi alcançada pelo fogo, mas pereceu pela desobediência ao olhar para
trás. Como servos de Deus, não devemos olhar para trás,
mas para “as coisas que são de cima” (Cl 3.1,2). Diz a Bíblia: “Então, o
Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e
Gomorra. E derribou aquelas cidades, e toda aquela campina, e todos os
moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra” (Gn 19.24,25).
NOTA: Transformada em estátua de sal.
Existem duas formas principais de entender esse evento:
1. A Visão Literal (Sobrenatural)
Para muitos estudiosos e tradições religiosas, foi um milagre
de juízo imediato. Ao desobedecer a ordem direta de "não olhar para
trás", a esposa de Ló demonstrou que seu coração ainda pertencia a Sodoma. A transformação física em sal seria um ato
sobrenatural de Deus, servindo como um monumento perpétuo contra a
desobediência e o apego ao pecado.
2. A Visão Contextual/Geológica
Alguns teólogos e historiadores sugerem uma explicação baseada no ambiente do
Mar Morto (extremamente rico em sal e enxofre). Nesse cenário, ela teria hesitado
ou retornado, sendo apanhada por uma "chuva" de minerais e cinzas
vulcânicas provenientes da explosão das cidades, ficando literalmente
incrustada ou coberta por uma camada salina, assemelhando-se ao que aconteceu
com as vítimas de Pompeia.
O significado espiritual:
Independente de como ocorreu fisicamente, o texto bíblico foca no simbolismo. Jesus a
cita em Lucas 17:32 ("Lembrai-vos da mulher de Ló") como um alerta
sobre o perigo de olhar para trás com saudade da vida antiga quando se está
sendo salvo.
OBs: Ainda hoje existem
formações de sal na região do Mar Morto conhecidas popularmente como "A
Esposa de Ló"?
SINOPSE III
Deus é amor, mas também é um fogo consumidor e não tolerou o pecado de
Sodoma e Gomorra.
VERDADE PRÁTICA
Deus é misericordioso e dá tempo para o arrependimento, mas, quando o
homem não quer, seu juízo é sem misericórdia.
APLICAÇÃO
Deus é amor, mas também é “um fogo consumidor” (Hb 12.29), justo em
todas as suas obras. Nós também fomos chamados como
uma geração sacerdotal, separados para interceder por nossas cidades, por
famílias que precisam de misericórdia e por um povo que volte o coração ao
Senhor.
CONCLUSÃO
Finalizamos esta lição enfatizando que Deus é
“bom, e a sua benignidade dura pra sempre” (Sl 136.1), mas sua
longanimidade tem limite. As cidades de Sodoma e Gomorra
viviam na prática do pecado, e o Senhor deu tempo para que se arrependessem,
mas não ouviram a Deus e nem a Ló. Quando o
ser humano perde o temor e para de ouvir o Criador, o juízo divino não tarda. Que
jamais venhamos nos esquecer do amor e da severidade do Eterno.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Como se inicia o capítulo 18 de Gênesis?
O capítulo 18 de Gênesis tem início com a visitação do Senhor a Abraão
nos carvalhais de Manre (v.1).
2. Segundo a lição, o que quer dizer “quando tinha aquecido o dia”?
Isso quer dizer que a visitação se deu por volta do meio-dia, quando o
calor está mais forte.
3. O que Sara fez ao ouvir da parte de Deus que ela teria um filho?
Ao ouvir que teria um filho, Sara riu.
4. A que o pecado leva?
À destruição e à morte.
5. O que aconteceu com a esposa de Ló ao desobedecer a ordem divina?
Ela “ficou convertida numa estátua de sal”.