INTRODUÇÃO
Na lição 5 fizemos um estudo
introdutório da alma.
Vimos que, junto com o espírito ela compõe a parte imaterial/espiritual do ser humano.
Também apresentamos uma síntese dos seus principais atributos: sentimentos, intelecto e vontade.
O intelecto é a parte cognitiva e racional da alma
que lhe permite pensar, raciocinar, conhecer, compreender. Nesta lição estudaremos o
comportamento dos pensamentos.
Objetivos
da Lição:
Levar o aluno a
compreender que o pensamento é uma faculdade essencial nas decisões humanas.
Encorajar os alunos a assumirem responsabilidade ativa sobre
seus pensamentos, conforme a instrução bíblica de Filipenses 4.8.
Conscientizar os alunos sobre a realidade da batalha espiritual
travada na mente e a necessidade de vigilância contra pensamentos malignos e
destrutivos.
Palavra-Chave:
PENSAMENTOS
TEXTO
ÁUREO
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Fp 4.8).
Grego Transliterado: To loipon, adelphoi, hosa estin alēthē, hosa semná, hosa dikaia, hosa hagná, hosa prosphilē, hosa euphēma, ei tis aretē kai ei tis épainos, tauta logizesthe.
Quer saber o que é transliteração? Veja esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=1M0LrM3O7EI
NOTA:
Em Filipenses 4:8, Paulo usa oito termos gregos para orientar a mente
cristã. Cada palavra tem uma riqueza etimológica no grego bíblico que
amplia o sentido do texto.
Paulo não está apenas
listando virtudes genéricas, mas usando termos gregos carregados de sentido
cultural e espiritual. Ele convida os cristãos a disciplinar a mente
moldando o pensamento e o caráter com esses sentimentos.
1.
Verdadeiro – ἀληθῆ (alēthē)
- Raiz: de a- (prefixo de negação) + lēthē
(“esquecimento”, “ocultamento”).
- Sentido: aquilo que não está
escondido, o que é descoberto, real, autêntico.
- Aplicação: pensar no que é transparente,
sem falsidade ou engano.
2.
Honesto – σεμνά (semná)
- Raiz: de semnós, ligado a “digno de reverência”, “nobre”.
- Uso clássico: descrevia a postura de
alguém respeitável, venerável.
- Aplicação: cultivar pensamentos que
inspirem respeito e dignidade.
3.
Justo – δίκαια (dikaia)
- Raiz: de dikē (“justiça”, “direito”).
- Sentido: o que está em conformidade
com a lei divina e moral.
- Aplicação: pensar no que é correto
diante de Deus e dos homens.
4.
Puro – ἁγνά (hagná)
- Raiz: de hagnós, relacionado a “sagrado”, “sem mancha”.
- Uso: aplicado tanto à pureza
ritual quanto à moral.
- Aplicação: manter a mente em coisas
limpas, sem corrupção ou impureza.
5.
Amável – προσφιλῆ (prosphilē)
- Raiz: de pros (“para, em direção a”) + phílos (“amigo, amado”).
- Sentido: aquilo que atrai amor, que é
agradável, simpático.
- Aplicação: valorizar pensamentos que
promovam afeição e bondade.
6.
De boa fama – εὔφημα (euphēma)
- Raiz: de eu (“bom”) + phēmē
(“fala, reputação”).
- Sentido: algo de que se pode falar
bem, louvável, respeitável.
- Aplicação: ocupar a mente com o que gera
bom testemunho e edificação.
7.
Virtude – ἀρετή (aretē)
- Raiz: ligada a arēn (“força, excelência”).
- Uso grego: excelência moral, qualidade
que torna alguém admirável.
- Aplicação: pensar no que expressa
excelência espiritual e moral.
8.
Louvor – ἔπαινος (epainos)
- Raiz: de epi (“sobre”) + ainos
(“elogio, narrativa”).
- Sentido: reconhecimento público,
aprovação, celebração do bem.
- Aplicação: direcionar a mente ao que
merece ser exaltado e celebrado.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE - Filipenses 4.8,9; 2 Coríntios 10.3-5.
Filipenses
4
8 — Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é
verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o
que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum
louvor, nisso pensai.
9 — O que também aprendestes, e recebestes, e
ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco.
2
Coríntios 10
3 — Porque, andando na carne, não militamos
segundo a carne.
4 — Porque as armas da nossa milícia não são
carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;
5 — destruindo os conselhos e toda altivez que
se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à
obediência de Cristo.
I.
UMA VISÃO INTRODUTÓRIA
1.
A experiência de Adão e Eva. No
estudo da Antropologia Bíblica é importante sempre buscar primeiro no Gênesis
os fundamentos de nossa compreensão teológica. Ali os traços da personalidade humana se manifestam originalmente na vida do primeiro
casal. O aspecto
racional é visto na capacidade de comunicação, compreensão e governo do
homem sobre a criação, e em seu relacionamento interpessoal e com o Criador (Gn
1.26-28; 2.18-23; 3.8). Para todos esses processos Adão e Eva usaram o
intelecto, raciocinando, elaborando pensamentos e tomando decisões. Exemplo
disso é o comportamento mental
em relação ao pecado. Eva pensou o que não devia
e foi enganada. Adão não pensou o que devia
e pecou (Gn 3.6; 1Tm 2.14).
2.
Conceito e origens. Pensamentos são processos mentais constituídos de informações, reflexões,
lembranças, sentimentos, sons, imagens. Esses
processos se originam de fatores internos (biológicos, psicológicos e
espirituais) ou externos (ambientais; experiências do cotidiano).
Qualquer que seja a origem dos pensamentos, cabe ao ser humano aceitá-los ou rejeitá-los,
aprovando-os ou reprovando-os (Fp 4.8; Pv 3.1-7; 15.28; Jr 17.5,10).
Em sua amplíssima
capacidade imaginativa, o ser humano pode construir, na mente, cenários
silenciosos ou barulhentos; simples ou complexos; neutros ou coloridos. Quantas
imaginações já tivemos desde a infância!
Do
ponto de vista moral, os pensamentos podem ser bons ou
ruins; puros ou impuros; verdadeiros ou falsos.
Os
originados de fatores externos são fruto de experiências
sensoriais.
A
mente cria a partir do que obtém por meio dos órgãos dos
sentidos, como os olhos, o ouvido, a boca, as mãos, o nariz.
Por isso, abster-se de toda a aparência do mal é essencial (1Ts 5.22).
Não alimente sua mente com conteúdo enganoso ou impuros (Sl 101.3-5). Deles
podem surgir gravíssimos pecados como violências, imoralidades sexuais,
mentiras, calúnias e maledicências (Mt 12.34; 15.19). Cabe-nos abortar o ciclo
pecaminoso (Tg 1.13-15).
NOTA: A Moral é a bússola
invisível que guia nossas escolhas, mesmo quando ninguém está olhando.
A moral também pode ser entendida como o conjunto de princípios e
valores que orientam o comportamento humano em sociedade. Diferente da lei, que é imposta externamente, a moral
nasce de dentro — da consciência, da cultura e da convivência.
A MORAL funciona como
um norte ético, ajudando a distinguir o que é considerado certo ou
errado em determinado contexto.
Alguns
pontos-chave sobre a MORAL para refletir:
·
Origem interna: A moral não depende apenas de
regras escritas, mas da formação pessoal e coletiva.
·
Dimensão social: O que é moralmente aceito
varia entre culturas e épocas, mostrando que ela é dinâmica.
·
Força silenciosa: Muitas vezes, a moral se
manifesta justamente naquilo que fazemos quando não há testemunhas.
·
Impacto prático: Ela molda desde pequenas
atitudes cotidianas até grandes decisões de vida.
SINOPSE I
Os
pensamentos fazem parte da estrutura da alma humana e devem ser avaliados
quanto à sua origem e natureza moral.
II.
A GESTÃO DOS PENSAMENTOS
1.
Imperativo ético e espiritual. A
Epístola aos Filipenses é repleta de referências a sentimentos ou emoções por
isso é também chamada de “Epístola da Alegria” (cf. Fp 1.3,4; 2.1,2; 4.1). Mas possui, também, uma
contundente afirmação acerca da gestão dos pensamentos em (Fp 4.8) que é o
texto áureo.
8Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o
que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro,
tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude,
e se há algum louvor,
nisso pensai.
Em Filipenses, Paulo
apresenta o aspecto positivo do emprego da mente ao usar o pronome indefinido “tudo”.
O uso do imperativo afirmativo “pensai” indica tratar-se
de uma conduta ativa e não passiva. É assumir o controle do processo mental e não se deixar conduzir por
pensamentos aleatórios ou intrusivos (Rm 1.21,22 — NTLH/NAA). Como temos
gerido nossos pensamentos?
2.
Acima da técnica. Hoje em dia, existem inúmeras técnicas para controlar os pensamentos.
Mas, no fim, são recursos de valor limitado, restritos apenas à dimensão humana
e terrena.
A Palavra de Deus vai muito além, e
nos ensina que a solução é pensar “nas coisas que são de cima e não nas que são
da terra” (Cl 3.1-3).
1Portanto, se já ressuscitastes
com Cristo, buscai
as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra
de Deus. 2Pensai
nas coisas que são de cima e não nas que são da
terra; 3porque já estais
mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. (Cl
3.1-3).
Pensar além das circunstâncias temporais através de percepção e
discernimento espiritual, com
a mente de Cristo, nos
liberta da atmosfera de conflitos mentais comuns a toda a humanidade
(1Co 2.15,16). Além de
encher nosso coração da esperança que não traz confusão (Rm 5.5), a visão celestial,
infinitamente superior, nos
capacita a gerenciar habilmente todos os sistemas dessa vida inferior, efêmera e
passageira; além de ser um
preventivo eficaz contra a ansiedade (Mt 6.25-34; Fp 4.6).
3.
Recursos espirituais. A leitura da Bíblia é um recurso extraordinário para a
produção de bons pensamentos, inspirados em verdades eternas. Essa disciplina traz profunda edificação e firmeza espiritual
(Sl 37.31; 119.33,93). Meditar
é refletir; pensar de maneira detida. Exige o emprego da vontade (a
decisão, o querer) (Sl 119.131). Produz sentimentos elevados (amor, alegria e
paz pelas verdades apreendidas) (Sl 119.97), abundante sabedoria e correta
direção (Sl 119.98-102).
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma
virtude, e se há
algum louvor, nisso
pensai.” (Fp 4.8).
4.
Jerusalém e Betânia. Não podemos
desconsiderar a influência de fatores orgânicos, físicos e ambientais em nossa
maneira de pensar. (Você
é fruto do meio em que vive!) Por isso, os cuidados com a saúde mental com
uma rotina saudável é importante. Em dias de tanta agitação e pensamento
acelerado, Jesus nos convida a descansar o corpo e a mente: “E ele
disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco”
(Mc 6.31). Há tempo para todo o propósito (Ec 3.1): tempo de estar
em Jerusalém, mas também de ir para Betânia (Mt 21.17; Jo 12.1,2).
NOTA:
Jerusalém, no contexto bíblico,
representa o lugar da vida ativa — trabalho, responsabilidades, exposição
pública e missão.
Betânia, por outro lado, simboliza
o espaço da intimidade com Deus — descanso, acolhimento, oração e renovação.
A lição que esse tópico traz é que precisamos dos dois: tempo de agir
em Jerusalém e tempo de repousar em Betânia. O equilíbrio entre serviço e
descanso é essencial para a saúde espiritual e mental.
“Há um tempo de
servir em Jerusalém e um tempo de descansar em Betânia - a vida plena nasce do
equilíbrio entre missão e repouso.”
SINOPSE II
O cristão
deve assumir o controle de sua mente, usando recursos espirituais e bíblicos
para pensar conforme a vontade de Deus.
III.
A BATALHA NA ARENA DOS PENSAMENTOS
1.
Influências espirituais. Não podemos abrir
mão do controle dos pensamentos, principalmente diante da realidade espiritual
que enfrentamos. A mente é como uma arena de intensas batalhas. Com
verdadeiros bombardeios, inclusive espirituais. Como Paulo escreveu, há uma luta travada nos lugares
celestiais (Ef 6.12). Por isso, a Bíblia
adverte que devemos guardar nosso coração (ou mente), pois o que pensamos
influencia nossos sentimentos, desejos e decisões. Na versão NTLH (Nova
Tradução na Linguagem de Hoje), Provérbios 4.23 diz: “Tenha
cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus
pensamentos”. Judas e Ananias
são exemplos de personagens bíblicos que deixaram Satanás influenciar seus
pensamentos e fazer “ninhos” em suas cabeças. Tiveram fins trágicos (Jo
13.2,27; Mt 27.3-5; At 5.1-5).
2.
Cuidados práticos. O cristão deve adotar algumas medidas práticas de proteção da mente:
1. Não nutrir pensamentos distorcidos de si
mesmo, que produzem complexos de inferioridade ou superioridade (2Co 10.13);
2. Purificar a mente dos maus pensamentos e vigiar
contra a mentira e todo o tipo de engano (Tg 4.8) );
3. Livrar-se da intoxicação de informação - o excesso
de informações (principalmente das redes sociais) que produz fadiga, exaustão e
ansiedade;
4. Focar a mente no que edifica ou, pelo
menos, instrui (1Co 10.23;
5. Construir relacionamentos saudáveis. Contendas
verbais geram pensamentos aflitivos e perturbam a mente (Pv 12.18; 15.4,18;
21.19), dificultando a paz interior e o discernimento espiritual.
SINOPSE III
A mente é
um campo de batalha espiritual que exige vigilância, pureza e ações práticas
para preservar a saúde mental e espiritual.
VERDADE
PRÁTICA
Seja sábio e prudente, preserva sua
mente, torne seus pensamentos obedientes a Cristo.
APLICAÇÃO
Examine os pensamentos, rejeite o
que é nocivo, cultive uma mente renovada pela Palavra, seja mais sensível à
direção do Espírito Santo.
CONCLUSÃO
“Quando deixamos o Senhor renovar
nossa mente, encontramos paz na alma e vivemos em sintonia com a sua vontade.”
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REVISANDO
O CONTEÚDO
1. Qual
o conceito de “pensamento”?
Pensamentos são processos mentais
constituídos de informações, reflexões, lembranças, sentimentos, sons, imagens.
2. Em
sua amplíssima capacidade imaginativa, o que o ser humano pode construir na
mente?
Em sua amplíssima capacidade
imaginativa, o ser humano pode construir, na mente, cenários silenciosos ou
barulhentos; simples ou complexos; neutros ou coloridos.
3. Quais
os fatores originários dos pensamentos?
A mente cria a partir de conteúdos
que obtém por meio dos órgãos dos sentidos, como os olhos, o ouvido, a boca, as
mãos, o nariz.
4. O que
o uso do imperativo afirmativo “pensai” indica?
O uso do imperativo afirmativo
“pensai” indica tratar-se de uma conduta ativa e não passiva.
5. Que
medidas práticas podemos adotar para proteger a mente?
a) Não nutrir pensamentos
distorcidos de si mesmo; b) purificar a mente dos maus pensamentos; c)
livrar-se da intoxicação pelo excesso de informações; d) focar a mente no que
edifica; e) construir relacionamentos saudáveis.